Wimbledon, Dia 10: O rugido de um campeão que quer ter uma última palavra a dizer

Magia! Assim se pode descrever o que se passou em pleno Centre Court do All England Club esta quarta-feira, com Roger Federer a fazer o que nunca antes havia sido feito por um tenista na história da modalidade e Andy Murray a fazer as delicias do público britânico ao garantir pela sétima vez na carreira um lugar no top-4 do mais importante torneio disputado sobre a relva londrina.

O dia foi de emoções e emocionante é o que podemos dizer que foi o encontro do melhor jogador de todos os tempos na relva de Wimbledon. O suíço teve pela frente um Marin Cilic que se apresentava sem pressão e a jogar um ténis que há muito não se via no croata, recordando os tempos (2014) em que foi campeão de um torneio do Grand Slam ao vencer o US Open. O pupilo de Goran Ivasinevic lutava por um lugar nas meias-finais pela primeira vez na carreira ao passo que o helvético já lá tinha estado por 10 ocasiões.

Para Federer, estava em jogo o igualar das 11 meias-finais de Jimmy Connors e um recorde bastante apetecível, a 307.ª vitória em Wimbledon — que significaria mais uma marca histórica para um tenista que tem como hábito escrevê-la, ao tornar-se no jogador (homem ou mulher) com mais vitórias em Grand Slams na história da modalidade. E assim foi.

Federer, hexacampeão de Wimbledon, voltou a surpreender tudo e todos quando já poucos achavam improvável que a reviravolta se pudesse materializar. 6-7(4) 4-6 era o resultado ao fim dos dois primeiros sets a favor do croata de 27 anos, que punha as probabilidades de vitória todas contra o mais experiente dos dois protagonistas em court. O terceiro set foi do suíço, sem problemas, mas foi na quarta partida que o Centre Court foi “abaixo”, com o suíço a salvar três — sim, leu bem, três! — match points perante um público nervoso que puxava pelo seu ídolo. Ele salvou, lutou, voltou a lutar e venceu o tie-break por 11-9.
No quinto e decisivo set, a história já era previsível. Um Cilic frustrado por ter desperdiçado uma vantagem que sabia que dificilmente voltaria a ter e um Federer em êxtase por ter saído de um fosso de dois sets a zero. O público estava do lado do campeoníssimo. O improvável tornou-se provável e Roger Federer fez o que não fazia desde 2012: vencer um encontro depois de ter perdido os dois primeiros parciais, o que fez do helvético o mais velho jogador (34 anos, a 33 dias de fazer 35) a chegar às meias finais de Wimbledon desde Ken Rosewall em 1974. O resultado? 6-7 (4), 4-6, 6-3, 7-6(9) e 6-3.
Nas suas décimas primeiras meias-finais na relva do clube mais emblemático e tradicional do mundo, Federer terá como adversário o agora pupilo de John McEnroe, Milos Raonic. O canadiano precisou de apenas quatros partidas para pôr fim à caminhada ilustre de Sam Querrey (responsável pela maior surpresa da 130.ª edição do Major britânico ao derrotar Novak Djokovic na terceira eliminatória) com parciais de 6-4, 7-5, 5-7 e 6-4 para chegar pela segunda vez às meias-finais do torneio (já tinha marcado presença na penúltima fase em 2014).
Também Andy Murray não teve vida nada fácil. O escocês, que tinha pela frente um bastante motivado Jô Wilfried Tsonga complicou bastante quando já todos esperavam uma vitória tranquila em três partidas, desperdiçando uma vantagem de dois sets a zero, que fez acreditar o público gaulês. No parcial final, Murray ergueu-se do “buraco” que havia cavado e fechou com os parciais de 7-6(11), 6-1, 3-6, 4-6 e 6-1 ao fim de quase quatro horas de intenso duelo.
Por um lugar na final, o número dois mundial terá pela frente mais um adversário de peso, Tomas Berdych, responsável pela eliminação de uma das maiores surpresas desta edição de Wimbledon, Lucas Pouille. O checo não teve problemas de maior em afastar o jovem francês de apenas 22 anos em três partidas, vencendo por 7-6(4), 6-3 e 6-2 para garantir um lugar no top-4 do torneio londrino pela segunda vez na carreira, depois de ter disputado (e perdido, para Rafael Nadal) a final de 2010.
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