Bernard Tomic recorda passado tenebroso: “Ainda hoje tenho medo do meu pai”

Há muito conotado como o talentoso jogador que não fez jus ao seu potencial, Bernard Tomic recordou, numa entrevista concedida ao The Sydney Morning Herald, o passado tenebroso que viveu e o papel negativo desempenhado pelo próprio pai, desde a infância à carreira profissional.

Desde cedo começou a dar nas vistas e aos 24 anos alcançou a 17.ª posição mundial, mas a permanência na elite foi sol de pouca dura. Agora, quase a cumprir 30 anos e no modesto 257.º lugar da tabela, Tomic quer dar uma nova oportunidade ao ténis, anos depois de ter vincado que só jogava pelo dinheiro, e apontou o pai como grande responsável pelos erros do passado.

“Ainda tenho medo do meu pai, não gostaria de criar o meu filho da mesma forma que ele me criou. Magoou-me muito ao longo da minha vida, atirou-me bolas, raquetes e outras coisas. Claro que ele é um louco, mas isso ajudou-me a ser como sou. Era disciplina a 100%”, começou por relembrar Bernard Tomic.

Garante, contudo, que as intenções do pai, John Tomic, sempre foram as melhores: “Quando olho para trás, sei que não iria criar os meus filhos daquela forma, mas não sei como fazer melhor. Ele é um bom homem, com bom coração, e sempre dedicou o seu tempo e esforço para me ajudar a tornar naquilo que hoje sou.”

Bernard Tomic recorda que não foi fácil competir sob pressão e terá sido esse o grande erro que o impediu de ir mais longe e confirmar o talento que lhe era atribuído: “O meu pai sempre teve expectativas muito altas, via-me como número um mundial, com 10 ou 20 Grand Slams ganhos. Foi demasiada pressão. Não foi fácil viver num contexto destes, tudo girava à volta de pressão, pressão e pressão. Muitas vezes, eu já nem queria jogar ténis e nem soube desfrutar, apesar de sempre sonhar ganhar aos melhores, desde pequeno”

A situação vivida por Bernard Tomic não passou ao lado das atenções de quem conviveu de perto com o jogador australiano. Steve Healy, antigo presidente da Tennis Australia, corroborou as revelações: “Bernard não estava a conseguir tirar o controlo que o pai tinha sobre a sua própria carreira. Tinha um potencial enorme, algo que se evidenciou desde muito jovem, mas John controlava o dinheiro e esse era o ponto fulcral. Controlou o seu filho em todos os aspetos, sobretudo a nível emocional. Nunca saía do caminho e foi o responsável pelo desperdício de talento.”


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