Com a história ao fundo do túnel, Cornet transcende-se e entra em território desconhecido

Tudo indica que Alizé Cornet vai tornar-se na recordista do circuito feminino de mais quadros principais consecutivos disputados em torneios do Grand Slam (são já 60, a três de uma marca que pode ser batida no final de 2022), mas entre estas seis dezenas de participações havia uma meta que ainda não tinha alcançado — até esta segunda-feira. Em plena Rod Laver Arena, o maior palco do Australian Open, a tenista francesa derrotou Simona Halep para se estrear em quartos de final.

No dia em que o calor característico de Melbourne apertou pela primeira vez, a tenista natural de Nice resistiu às temperaturas elevadas, às cãibras e outras dificuldades físicas e derrotou a ex-número um mundial por 6-4, 3-6 e 6-4. Apesar das condições quase dantescas, o nível de jogo apresentado de parte a parte impressionou.

Apesar de as condições quase dantescas terem dado origem a alguns altos e baixos no desenrolar do encontro, o nível de jogo apresentado de parte a parte impressionou.

E apesar de ter apontado menos winners (22-27), de ter cometido mais erros não forçados (46-41) e de ter ganho menos pontos (88-93), Cornet fez o mais importante: esteve melhor em mais momentos decisivos e, sobretudo, venceu o último ponto — o que a dada altura pareceu uma miragem, tal foi a cedência física da francesa durante a segunda partida (Halep chegou a ganhar seis jogos consecutivos entre o segundo e terceiro sets).

A estreia de Cornet em quartos de final de torneios do Grand Slam finalmente aconteceu, à 63.ª participação em quadros principais (o primeiro foi Roland-Garros 2005) e 60.ª consecutiva (sequência que iniciou no Australian Open 2007), e 13 anos depois de ter estado muito perto de o fazer neste mesmo palco: dispôs de dois match points ao 5-4 do terceiro set contra Dinara Safina, mas a tenista russa deu a volta e venceu por 6-2, 2-6 e 7-5 e só parou na final.

Desde aí, a gaulesa referiu por diversas vezes que esse duelo lhe deu muitos pesadelos. Agora, é altura de virar a página e entrar em território desconhecido — um que lhe dará assunto para mais um livro, depois de ter publicado a sua autobiografia, “Sans compromis” (“Sem compromisso”) em 2020 (traduzida e 2021 para inglês — “Transcendence: Diary of a Tennis Addict”).

Segue-se a norte-americana Danielle Collins, que três anos depois de ter brilhado rumo às meias-finais regressou às fases adiantadas do torneio com um triunfo por 4-6, 6-4 e 6-4 sobre a belga Elise Mertens.


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