Fábio Coelho treinou com os melhores no Millennium Estoril Open: “Uma grande experiência, só tiro coisas positivas”

ESTORIL – De adepto a sparring partner: Fábio Coelho foi um dos felizardos portugueses que tiveram a oportunidade de dar o seu contributo na sétima edição do Millennium Estoril Open – não como jogadores, mas sim enquanto parceiros de treinos de alguns dos maiores nomes do ATP Tour. Num relato partilhado com o Raquetc, o jovem de Oliveira de Azeméis fez o balanço de uma experiência marcante e elencou-nos os ensinamentos que reteve após ter partilhado o court com nomes como Felix Auger-Aliassime, Alejandro Davidovich-Fokina ou Benoit Paire.

“Foi excelente. Foi primeira vez que tive algo assim, porque antes vinha sempre como adepto, só para ver. Nunca tinha tido esta experiência de ser sparring partner e a ideia surgiu como forma alternativa, porque o meu objetivo era jogar. Primeiro os singulares e depois os pares, mas estive como alternate em ambos e então optei por vir cá treinar, porque seria uma boa opção”, começou por narrar o jovem, que sempre teve em mente a vinda ao Millennium Estoril Open – ou a competir, ou a treinar com os fortes nomes do elenco.

“Acabou por ser uma grande experiência para mim, só tenho a tirar coisas positivas desta semana. Foi inacreditável, fui aprendendo sempre coisas novas com estes grandes jogadores. Isso é o mais importante e só me veio ajudar”, ressalta Fábio Coelho em diálogo após ter exercido funções distintas no evento – as de comentador do Eurosport, em pleno Estádio Millennium.

O atleta de 21 anos admite que foi através da conexão com vários nomes que conseguiu enriquecer a sua experiência de parceiro de treinos: “Treinei com vários jogadores e foi bom diversificar para os conseguir perceber. Estive com Benoit Paire, Benjamin Bonzi, Soonwoo Kwon, Albert Ramos-Viñolas, mas os principais foram Alejandro Davidovich-Fokina e Felix Auger-Aliassime. No final de cada treino, tinha sempre o cuidado de perguntar, tanto a eles como aos treinadores, se tinham gostado, porque não queria fazer má figura. Sentia sempre aquela ‘pressãozinha’ ao início, mas todos eles adoraram e até disseram que gostavam bastante do meu ténis.”

“Estavam sempre preocupados comigo, a perguntar quais eram os torneios que eu ia jogar, qual era o meu ranking e idade. Disseram até que eu tinha bastante potencial e desejaram-me sorte para o futuro. Claro que fico bastante contente por ouvir coisas destas vindas de jogadores de topo”, recordou o jogador luso, que parece ter gravado vigorosamente na memória as trocas de impressões com as estrelas do circuito.

Embora tenha convivido bem de perto com alguns dos jogadores mais credenciados do ATP Tour, Fábio Coelho não fantasia, embora acredite que a passagem pelo Estoril o tenha motivado a ambicionar voos mais altos: “Tenho de manter os pés bem assentes na terra. Não é por sentir que estou a bater bem com eles que se calhar a partir de agora posso fazer grandes coisas, nem que daqui para a frente vai ser muito diferente. Não será. É um processo longo e bastante lento, mas ao mesmo tempo isto vai-me ajudar, sem dúvida.”

Num balanço da semana vivida no Clube de Ténis do Estoril, o jovem português menciona, radiante, as conclusões que reteve: “Fez-me perceber que consigo bater bem com eles e sinto que os meus objetivos a partir daqui serão um bocado diferentes. Penso que posso subir mais no ranking, que é o meu grande objetivo, principalmente em singulares para este ano, e sinto que tenho todas as condições para isso.”

Finalizada a experiência de sonho no Millennium Estoril Open, Fábio Coelho aponta às principais metas para um futuro próximo: “Em singulares estou a 900.º, depois de ter começado a 1300.º no início do ano. Fiz cinco boas semanas no Algarve e consegui subir bastante, e por isso queria ver se nos próximos meses conseguia colocar-me no top 750 e talvez no top 500 até ao final do ano, seria bastante importante para mim. É algo que ainda está longe, mas uma pessoa tem de sonhar. Em pares, estou quase no top 450 e queria meter-me ali entre os primeiros 300.”

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