Djokovic vence Kyrgios pela primeira vez e conquista em Wimbledon o 21.º título em torneios do Grand Slam

Nick Kyrgios ameaçou, mas não passou disso mesmo: na final deste domingo, a normalidade manteve-se e, nesta era excecional, quem venceu foi Novak Djokovic, que conquistou Wimbledon pela sétima vez e chegou aos 21 títulos em torneios do Grand Slam. O sérvio ultrapassou Roger Federer (20) pela primeira vez e ficou mais perto de igualar o recordista Rafael Nadal (22).

4-6, 6-3, 6-4 e 7-6(3) foram os parciais de uma vitória inédita (o frente a frente tinha sorrido ao australiano nas duas ocasiões anteriores) e muito especial — afinal, Djokovic tinha perdido de forma dolorosa a última final que disputou em “Majors” (para Daniil Medvedev no US Open, onde ficou a uma vitória de completar o Grand Slam de calendário) e começou o ano a ser deportado da Austrália, onde já venceu por nove vezes.

Resolvida em três horas certas, a inesperada devisão desde domingo começou com uma masterclass de Kyrgios no serviço: o australiano perdeu apenas cinco pontos no seu “saque” durante a primeira partida (três no último jogo de serviço) e ganhou vantagem no marcador ao cabo de apenas 30 minutos. Mas mesmo com uma partida “no bolso” havia uma grande montanha por escalar, sobretudo do ponto de vista psicológico, e foi aí que o surpreendente finalista voltou a pecar.

Muito instável, o australiano não conseguiu manter os níveis de concentração que o ajudaram a roçar a perfeição na primeira partida, começou a demonstrar sinais de desagrado a meio do segundo set e tornou o camarote da sua equipa técnica num poço de desabafos (nem sempre passíveis de serem repetidos na transmissão…) que se tornaram no seu maior obstáculo.

Apesar de do outro lado da rede ter o campeão em título e um dos melhores tenistas da história, Kyrgios conseguiu a proeza de ter oportunidades, mas desperdiçou-as e, ao fazê-lo, abriu caminho a que Djokovic fizesse aquilo que melhor faz: superiorizar-se perante os que ousam fazer-lhe frente, mesmo depois de um mau começo.

Impávido e sereno, o sérvio teve a paciência de que precisava, a calma que se impunha e o ténis que se esperava para, pouco a pouco e de forma cada vez mais autoritária, dar a volta a um adversário que o tinha derrotado nos dois encontros anteriores, mas no já longínquo ano de 2017.

E assim, em três horas, Novak Djokovic escreveu a história. A sua história: tornou-se no quarto homem desde o começo da Era Open a conquistar quatro títulos consecutivos em Wimbledon, igualou William Renshaw e Pete Sampras com sete títulos no torneio londrino (mais no circuito masculino só Roger Federer) e tornou-se no quinto tenista da história a erguer mais de 20 títulos do Grand Slam em singulares.

À frente dele estão apenas Margaret Court (24), Serena Williams (23), Steffi Graf (22) e, no que diz respeito ao circuito masculino, apenas Rafael Nadal (22). Considerando que o próximo torneio do Grand Slam acontece em piso rápido e que parte em melhores condições físicas após a temporada de relva, o sérvio poderia chegar a Nova Iorque como grande favorito — mas é quando a conversa sobre o US Open começa que regressam as dúvidas: até ao momento, o país só permite a entrada de estrangeiros que estejam vacinados contra a covid-19 (Djokovic não está e já afirmou que não planeia fazê-lo num futuro próximo). E a Austrália, onde se realiza o “Major” seguinte, baniu-o por três anos após o episódio de deportação que marcou o arranque desta época…

Muitas dúvidas por esclarecer, mas para já mais um título e um torneio a absorver.


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