De volta à terra prometida, Rocha e Faria estão a um passo de novo marco de carreira

Sara Falcão/FPT

MAIA – Henrique Rocha e Jaime Faria têm crescido juntos no ténis e andam muitas vezes a par e passo no que toca a feitos para as próprias carreiras. Sensivelmente da mesma idade, os jovens de 18 e 19 anos, respetivamente, treinam juntos no Centro de Alto Rendimento da Federação Portuguesa de Ténis e aparecem correntemente com o mesmo calendário. Este domingo, os tenistas portugueses entraram com o pé direito no Maia Open, praticamente sem rodagem no pó de tijolo, e ficaram a uma vitória de figurar pela primeira vez num quadro principal de um torneio do ATP Challenger Tour.

Em comum, ambos têm também o facto de não terem tido período de adaptação à terra batida. Para Henrique Rocha, Braga, em finais de Setembro, foi o derradeiro torneio na superfície, ao passo que para Jaime Faria houve ainda o CIF, na semana seguinte. No entanto, antes desses torneios Challenger o calendário decorreu nos hard courts, pelo que o competir e treinar regularmente na terra batida realizou-se pela última ocasião no verão.

Entrei sem grande treino em terra nos últimos dias, mas apesar disso sinto que fiz um muito bom jogo. Ontem [sábado], no primeiro treino, com o meu irmão, pisei a terra batida e pensei ‘o que é que eu tenho debaixo das minhas sapatilhas?’ (risos). É uma adaptação complicada, mas já estamos habituados e já sabemos o que fazer e o que esperar e por isso vai-se tornando mais fácil ao longo dos tempos. Treinei muitos anos em terra batida aqui na Maia, sempre estive bastante habituado a jogar na superfície. Só que nos últimos dois ou três meses não pisei a terra e por isso é bom jogar a este nível”, explicou Rocha após vencer o espanhol Daniel Merida na primeira ronda da fase de qualificação, num dos seus “melhores encontros do ano”.

O jovem maiato chegou à Maia sem grandes resultados nas semanas que antecederam o torneio final da temporada. As competições em Monastir não correram de feição e no próprio Campeonato Nacional Absoluto, onde era o segundo favorito à vitória, caiu no encontro de estreia perante o irmão mais velho, Francisco. Apesar disso, Henrique Rocha acha que atualmente está “mais confortável” no piso rápido, porque o “ressalto é mais regular”, algo que o irmão discorda redondamente: “Já lhe disse mil vezes que ele joga melhor em terra batida”.

Jaime Faria aterrou na Maia com sensações semelhantes ao amigo. A temporada tem sido a melhor da carreira, com quatro títulos no circuito ITF (dois em singulares, dois em pares) e já chegou a integrar o top 600 mundial. Só que no Nacional não levantou o troféu que desejava, enquanto que na Tunísia cedeu na ronda inicial na primeira semana e atingiu os quartos de final na segunda, que o fez voltar à terra batida apenas nas horas anteriores ao encontro de estreia no Norte de Portugal.

“Ainda estou à procura das minhas referências na superfície. Mas acho que a transição de rápido para terra é mais fácil. O jogo em terra é mais lento, dá mais tempo. Adaptei-me bem. Joguei na sexta-feira em Monastir, cheguei ontem [ sábado] à noite, às onze, e hoje [domingo] aqueci meia hora, mas senti-me bem”, sublinhou o lisboeta, que mesmo sem sequer treinar no piso, ao contrário de Rocha, derrotou o ainda mais jovem João Dinis Silva sem problemas de maior.

Um segundo triunfo nesta segunda-feira fará com que ambos se estreiem em quadros principais na segunda categoria profissional do ténis masculino, chance que Henrique Rocha já dispôs em três ocasiões e Jaime Faria numa, no último torneio Challenger que jogou, no CIF. Algo que não os assusta, só os motiva. Em especial para o atleta da casa. “Cheguei ao Clube e fui recebido de uma forma diferente dos outros locais. Conheço os funcionários, os treinadores, tenho a minha família e amigos a ver. É sempre especial jogar na Maia, sobretudo no Court Central. Além de que durmo em casa, o que para mim é um privilégio. Fico muito mais confortável e isso deixa-me mais feliz dentro do campo, acho que se nota, e mais solto mentalmente”, aponto o atual bicampeão nacional de sub 18.

A alegria é, como em quase tudo em ambos, transversal a Rocha e Faria. A oportunidade de atingir mais um bom marco nas precoces carreiras está ao virar da esquina, mais concretamente a partir das 11 horas. O primeiro a entrar em campo é Henrique Rocha, que vai medir forças com o búlgaro Alexandar Lazarov. Logo depois será a vez de Jaime Faria, face ao belga e carrasco do irmão de Henrique, Gauthier Onclin. Adversários mais cotados, confiantes, mas a ascensão no ranking não tem sido exclusiva dos opositores dos portugueses. E há que “utilizar a terra em favor”, como apontou o mais novo das duas promessas nacionais.

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