De malas e bagagens para a elite, Meligeni aponta ao título e pisca o olho aos portugueses

Beatriz Ruivo/FPT

OEIRAS – Felipe Meligeni Alves, tal como o nome indica, tem ténis a correr nas veias desde criança. O tio Fernando foi um dos melhores de sempre do país irmão e a herança era pesada para o tenista de Campinas, que ainda assim vê o laço familiar como uma bênção. Aos 25 anos, e numa época na qual a aposta nos maiores torneios é o caminho, o atual número dois brasileiro está preparado para furar a elite do ranking masculino, inspirado também por Beatriz Haddad Maia. Para já está nas meias-finais do Oeiras Open 4 na antecâmara de Roland-Garros e quer sorrir no final da prova apadrinhado pelo público português.

137.º da hierarquia em Julho de 2022, Felipe Meligeni Alves tem as metas bem definidas, sobretudo com o novo enquadramento técnico desde o início da temporada. “O meu objetivo é entrar este ano no top 100. Apostei esta época em jogar torneios maiores, sobretudo a partir do ATP de Buenos Aires. Tive boas vitórias, derrotas duras também, e sei que estou no caminho certo. Venho a trabalhar muito bem e estão boas coisas para vir. Os resultados vão aparecer e tenho de confiar no trabalho que estou a fazer com o Francisco Yunis, com quem trabalho desde Dezembro. É uma relação recente e estou muito feliz por ele ter confiado em mim. Tivemos dificuldades no início, mas isto é um processo e acreditar que vou colher frutos.”, contou em conferência de imprensa depois de bater Pedro Martinez e carimbar o acesso aos quartos de final do quarto Oeiras Open de 2023.

A confiança de ultrapassar uma das principais barreira também surge pela inspiração que recebe de quem o rodeia. A começar pelo tio Felipe Meligeni, antigo 25.º ATP, que nunca encarou como um fardo. “Jamais o vejo pelo lado da pressão. Ele sempre foi muito presente, é um exemplo. Sempre me apoiou a mim, à minha irmã, aos meus pais, é uma pessoa incrível e está sempre disponível para me ajudar”.

E não só: o Brasil tem uma nova rainha. 15.ª WTA e com dois títulos no circuito principal, Beatriz Haddad Maia é já uma das melhores de sempre no gigante país sul-americano e está a forjar um caminho e uma crença para os que se seguem. “A Bia é maravilhosa para o ténis brasileiro. É super dedicada, abdicou de muita coisa para poder estrar onde está. Mesmo assim há pessoas que a atacam, o que não faz sentido nenhum. É uma pessoa incrível, trabalhadora, guerreira, tenta ajudar e motivar, o que no meu caso é importante porque eu sinto que também posso chegar lá”.

Não só o atual 175.º ATP como muitos outros, numa nova vaga que o próprio realça. “Temos ótimos jogadores agora, o nível está a subir muito. O Thiago Wild voltou a jogar muito bem, o [Thiago] Monteiro está no caminho certo e quando encaixar um encontro ou outro vai acabar por entrar no top 50, o [Matheus] Pucinelli conquistou agora o primeiro título Challenger, o João Reis…há muitos tenistas brasileiros a jogar bem. O Eduardo Ribeiro, o Pedro Boscardin Dias, o João Fonseca, que é uma revelação e é muito boa pessoa. Estamos a crescer e tenho bastante confiança que o ténis no Brasil está forte e pode fazer grandes coisas”.

Habituado essencialmente a competir na América do Sul, Felipe Meligeni Alves sente-se, no entanto, em casa no nosso país. “Não jogava em Portugal há muito tempo. Acho que a última vez foi num torneio ITF no Porto, tirando a Taça Davis. Mas é muito mais fácil: falamos a mesma língua, há muitos brasileiros, tenho muitos amigos portugueses e há uma energia porreira. Gosto bastante de jogar aqui e vou voltar mais vezes. Agora vou tentar usar isso a meu favor e se tiver público por mim será perfeito”, referiu, aludindo às meias-finais desta sexta-feira face ao australiano Aleksandar Vukic.

“Tranquilo e fresco”, o canarinho está na primeira meia-final da temporada e o desafio será de elevado grau de dificuldade. “Ele vem de título na Coreia do Sul, está bastante confiante, mas eu também estou. Tem tudo para ser um ótimo encontro”.

Também inspirado pela irmã Carolina Meligeni Alves, que na passada segunda-feira levantou o maior troféu da carreira (torneio de 25.000 dólares em Platja D’Aro, Espanha), Felipe quer repetir o feito caseiro. “Se Deus quiser vou trazer mais um título para a família. A semana está a ser importante, mas ainda não acabou”.

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