Trungelliti ataca passividade de Federer e Nadal na defesa dos direitos dos jogadores: “São cúmplices do mal que está instalado no ténis”

O nome Marco Trungelliti saltou à vista de todos quando em 2019 denunciou uma série de resultados manipulados, ato que lhe valeu uma série de ameaças após se ter repercutido numa investigação que sancionou alguns dos seus compatriotas, como Federico Coria, Nicolás Kicker ou Patricio Heras. O argentino, que evitou regressar ao seu país nos últimos anos e que só esta semana voltou para competir em Buenos Aires (onde já bateu Gastão Elias a caminho do quadro principal), partilhou as provações enfrentadas e assinalou a falta de apoio que recebeu após ter estado debaixo de fogo.

Numa entrevista detalhada ao La Nacion, o sul-americano de 33 anos confessou que foi forçado a exilar-se na Andorra de forma a escapar das ameaças por parte não só de jogadores, mas também da máfia das apostas: “Nunca pensei pagar um preço tão alto por falar, pensava que o mundo estava preparado, mas acabei por ser vítima de bullying, admitiu Trungelliti, que antes desta semana só uma vez havia visitado a Argentina para uma visita breve à família.

Sem meias palavras, não deixou também em branco o sacrifício que os atletas de fora da elite fazem para resistir no circuito, dia após dia, e assinalou dois culpados desse cenário — Roger Federer e Rafael Nadal: “Se não estás nos 100 melhores do mundo, então não existes. O que mais me dói é a maneira como tem agido Federer, porque com o peso e visibilidade que tem, se tivesse querido mudar as coisas, tê-lo-ia feito. Nem ele nem Nadal falaram alguma vez sobre este assunto, algo pelo qual luta continuamente Novak Djokovic. Considero-os cúmplices do mal que está instalado no ténis, porque não foram capazes de abrir a boca para defender os direitos dos jogadores mais modestos.”

Voltando a sentir-se grato pela defesa promovida por parte da Professional Tennis Players Association, entidade fundada por Novak Djokovic, Trungelliti explicou que ainda há muito caminho a percorrer: “Não podemos permitir que vivam deste desporto apenas 80 a 100 pessoas, isso sempre me custou. Como tenistas, sempre serão espetaculares, mas como seres humanos que procurem o melhor para o ténis são paupérrimos. É indispensável o que alguém como ele fale disto, criar a PTPA foi muito generoso, falei com ele e agradeci-lhe a forma como me defendeu e tudo o que tem estado a fazer. Tudo o que defende com a PTPA corresponde ao que fui lutando nos últimos anos. Tenho a sensação e que para o ténis é importante haver encontros combinados, porque senão os torneios ITF e Challenger são insustentáveis por si mesmo. “

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