Com raqueta diferente nas mãos, Noah Rubin regressa de mente lavada para a “última oportunidade”

Beatriz Ruivo/FPT

OEIRAS – 16 meses depois, o tenista-ativista mais conhecido do circuito está de regresso. Noah Rubin largou completamente as raquetas em agosto de 2022, demasiado deprimido com o estado do seu jogo e do desporto como um todo. As raquetas de ténis, entenda-se, já que o estadunidense assumiu-se como uma das caras de uma das variantes da modalidade, o pickleball. A experiência positiva, mas não realizadora, bem como a ausência prolongada dos courts, fez nascer de novo a alegria pelo jogo e, no regresso, o Jamor foi o palco escolhido. É o próximo adversário de João Domingues depois de superar a fase de qualificação do Indoor Oeiras Open.

“Não larguei o ténis para jogar pickleball” – fez logo questão de colocar os pontos nos is -, “estava era cansado de ténis e precisava de uma pausa”. Um dos amigos é dono de uma equipa da nova moda do desporto norte-americano e o desejo de surfar a mesma onda sobrepôs-se. “Mas depois de alguns meses descobri que não era para mim”, até porque o desejo da equipa era um acordo a longo prazo (três anos).

“Comecei a pensar, ‘será que quero jogar pickleball?’, ‘será que quero desistir do ténis para sempre?’. Aos 30 já não era momento para regressar. Então decidi dar aulas, fiz as minhas coisas no Behind The Racquet [e há um documentário quase a estrear] e tenho uma nova mentalidade agora”, explicou, deixando ainda assim vários elogios ao desporto que largou e que, segundo o próprio, tem até potencial para ingressar nos Jogos Olímpicos.

“Agora olho para o ténis de uma forma muito diferente. Estou muito entusiasmado para jogar. O que acontecer, acontece, e se não der certo daqui a seis meses, se não me sentir bem, páro. Mas, por enquanto, estou animado”. O discurso mudou como da noite para o dia desde a última paragem em Oeiras, na altura (abril de 2022) para disputar dois Oeiras Open, em terra batida.

“Até a minha noiva [casamento no próximo mês de março] vê a alegria nos meus olhos e diz que sou uma pessoa diferente. Se não conseguir chegar aos meus objetivos não faz mal. Posso dizer que terminei a carreira da forma que queria e dei a mim mesmo uma oportunidade”. Objetivos que passam, essencialmente, por fazer algo que ainda não foi feito: chegar ao top 100, mais concretamente ao top 50 – em 2018 chegou a ser 125.º ATP.

“Provalvemente não estou preparado para isso. Mas quem é que o pode dizer?”. Tenho melhor mentalidade do que antes e o meu ténis pode ir mais além do que já fiz”. Para Rubin, o nível atualmente no ATP é mais baixo do que quando atingiu o melhor ranking de carreira, apesar da cada vez maior competitividade. “Só preciso de me esforçar. Acredito que tenho demasiadas capacidades para as deixar de lado. E, mais uma vez, se não resultar, não resulta. Mas preciso de jogar, de competir, de ver o que sou capaz. É aqui que tenho de estar”.

O ‘aqui’ não se refere em concreto a Portugal nem ao Jamor. Mas é um primeiro passo e as saudades do “vício da vitória” eram muitas, alimentado pelos triunfos em dois sets sobre Lucas Gerch e Vadym Ursu na fase preliminar para marcar duelo contra João Domingues esta terça-feira na primeira ronda do quadro principal.

Começou a última dança de Rubin, a “última oportunidade” de um dos maiores atividades do ténis profissional para atingir a realização pessoal dentro dos limites do court.

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