PARIS — Nuno Borges venceu pela segunda vez em Paris e igualou a campanha da temporada passada, tornando-se no primeiro tenista português da história a chegar por duas vezes à terceira ronda de Roland-Garros, destacando a consistência demonstrada nos maiores torneios do calendário.
“Orgulho-me da minha consistência, principalmente nos torneios do Grand Slam. Acho que é aquilo que me define. Nunca fui um jogador de do nada ganhar um torneio, até àquela vez em que realmente ganhei [Bastad 2024]. Mas acho que, se forem ver os jogos, não foram assim tão surpreendentes, até que realmente cheguei à final e foi uma grande diferença. Vou aumentando o meu nível até estar cada vez mais taco a taco com os melhores do mundo e as vitórias vão aparecendo. Orgulho-me disso, de estar constantemente nos grandes palcos e ter resultados“, reconheceu o número um nacional, dando eco ao raciocínio que já tinha referido após o primeiro triunfo da semana.
“O ranking paga àqueles que se mantêm consistentes, ainda mais do que àqueles que do nada ganham um torneio. Às vezesnão me sinto capaz disso, mas sinto-me capaz de enfrentar qualquer um. E acho que estou cada vez mais próximo de o conseguir e de realmente ter hipóteses com qualquer um ao acreditar como é que posso ganhar”, acrescentou Borges.
Acerca do encontro desta quarta-feira, o maiato de 29 anos admitiu que “por alguma razão, cometi muitos erros muito cedo e demorei a encontrar o meu ténis. Depois engatei um bom jogo de resposta e de repente estava completamente metido no encontro. Com o desenrolar senti-me cada vez mais superior, o meu serviço melhorou e a nível físico e anímico senti-me melhor e com mais energia do que ele. Isso ajudou-me a crescer no encontro e a encontrar o meu ténis, mas também cresci com a maneira como ele demonstrou estar.”
Superados Tomas Etcheverry e Miomir Kecmanovic, o adversário de sexta-feira, na terceira ronda, será Andrey Rublev. O russo venceu-o há cerca de um mês na terra batida de Monte Carlo, em três sets, e Nuno Borges reconheceu não gostar de o defrontar: “A maneira como ele fica muito dentro do campo. Joga logo muito agressivo com a primeira bola a seguir ao serviço. Não é só a mim, muita gente não gosta disso, mas faz-me sentir que não consigo jogar o meu jogo porque não me dá muito tempo. Consegue controlar os inícios de jogada, mas acho que tenho feito isso cada vez melhor e que cada vez mais tenho momentos em que consigo converter o ascendente para o meu lado. Num jogo assim pode haver muitas oportunidades e não temos um ténis muito diferente, por isso pode ser que consiga fazê-lo sentir da mesma maneira. Procuramos um bocadinho as mesmas coisas, controlar o campo e não sair muito da linha de fundo, responder mais à frente e controlar. Depois a minha direita e a minha esquerda são muito diferentes das dele, mas no fundo procuramos um estilo de jogo semelhante. Mas sei que ele não é um robot e que às vezes tem momentos menos bons, por isso vou tentar aproveitar essas oportunidades.”