FIGUEIRA DA FOZ – Jil Teichmann surpreendeu ao anunciar no passado mês de setembro uma pausa na carreira para “recarregar baterias”. Sete meses volvidos, a suíça de 28 anos regressou à competição no Oeiras Ladies Open do Jamor e no Oeiras CETO Open da semana posterior. E se naturalmente os resultados não surgiram de imediato, dois meses depois apareceram dois brilharetes que a recolocaram onde merece: na ribalta.
Ex-21 WTA, Teichmann ostenta no palmarés dois títulos no circuito principal num total de cinco finais, a mais relevante no WTA 1000 de Cincinnati, e já celebrou ao serviço da seleção helvética a Billie Jean King Cup de 2022 ao lado de Belinda Bencic e companhia. Em provas do Grand Slam, a tenista nascida em Barcelona já tinha alcançado a segunda semana há quatro temporadas, feito repetido no último Roland-Garros (após as meias-finais em Rabat) num percurso só travado pela eventual campeã Mirra Andreeva e no qual superou com distinção a talentosa top 10 Karolina Muchova.
“Esperava e não esperava. Andava a treinar bem desde janeiro, estava com uma grande preparação de quatro meses e, por isso, por um lado estava confiante no trabalho realizado com a minha equipa e sei das minhas capacidades, confio no meu jogo e não fiquei surpreendida. Por outro, claro que não é fácil recuperar ritmo de encontros e se me tivessem dito que chegaria à quarta ronda teria assinado de imediato”, contou na conferência de imprensa de rescaldo na primeira ronda do Figueira da Foz Ladies Open diante de Matilde Jorge, no primeiro embate em hard courts desde o US Open.
Na pausa, Teichmann visitou amigos, esquiou, surfou e até visitou a ilha Madeira para reabastecer o motor que estava a ir por um caminho pouco saudável. Uma decisão que surgiu por amor ao ténis, para prolongar uma carreira que considera estar ainda no “meio”. No fundo, deu um passo atrás para conseguir dar dois à frente. “Precisava disso”, sublinhou, enfatizando igualmente a importância de expor aos jogadores mais novos que os maus momentos fazem parte do ténis e da vida. “Não precisam de sentir-se mal com isso e é importante falarmos dos problemas”.
A finalista do Porto Open de 2018 – já nem se lembrava dessa altura, mas teceu vários elogios a Portugal – foi uma das várias figuras do circuito a falar abertamente da saúde mental. E não tem dúvidas dos prós da paragem de mais de meio ano. “A Jil do presente está orgulhosa e feliz pelos passos e decisões tomadas. Tratou-se de abraçar a própria carreira, todo o processo. Voltei mais forte e também sei que o ténis não é tudo na vida. Agora é assim, é a minha carreira, mas depois disso a vida continuará”.
Para já, na antecâmara de Wimbledon, a vida de Jil Teichmann continuará no Oeste de Portugal. A carismática quinta cabeça de série do Figueira da Foz Ladies Open (130.ª WTA) tem encontro marcado esta quarta-feira com Barbora Palicova na segunda eliminatória.