Jaime Faria sai de Wimbledon com uma grande aprendizagem: “Tenho de manter a frieza”

LONDRESJaime Faria foi eliminado na segunda ronda de Wimbledon e fez uma reflexão sincera sobre a maior lição que leva do torneio do Grand Slam britânico, onde venceu no quadro principal pela primeira vez depois de superar o qualifying pelo segundo ano consecutivo.

“Hoje senti um bocadinho os momentos de pressão, mas foi 100% mérito do meu adversário. Houve um jogo em que ele cometeu a meter as respostas todas, de todas as maneiras, e isso na relva mete uma pressão no servidor com que é muito difícil de lidar e a que eu não estou habituado a este nível. No qualifying, nos momentos de pressão, com um ‘bacalhau’ de serviço a bola não voltava, mas aqui volta. Isso desgasta mentalmente, não consigo estar preparado para o próximo ponto da mesma maneira e claramente tenho de trabalhar em manter a minha frieza e não mostrar tantas emoções”, afirmou ao Raquetc depois da derrota em quatro sets para Zizou Bergs.

“Meteu-me uma pressão que nenhum adversário colocou e se quero dar um step-up no meu nível é isto que tenho de melhorar para ter outro tipo de energia, não perder tanto a cabeça e não deixar de pensar. É um trabalho que tenho vindo a fazer e já estou melhor, mas vem sempre ao de cima nos momentos em que estou a tentar subir de nível [de competitividade]. Vivo muito isto, não é por falta de querer. Às vezes parece que fico meio apático, mas sou eu a tentar desconectar-me para voltar a ligar-me. Nunca deixei de tentar, mas há momentos que me deitam abaixo e se quiser ser melhor jogador não há margem para isso”, acrescentou o número dois português, 98 ATP.

“Ontem vi o Nuno com o Sinner, não havia essa margem. Não senti o Sinner a jogar assim tão bem, mas mesmo assim estava sempre lá, sempre lá, não abria a boca e é claríssimo que tenho de melhorar isso. É difícil porque sou uma pessoa muito emotiva e vê-se claramente quando é que esotu a perder algum discernimento.”

Concluída a época de relva, seguem-se dois ATP 250 em terra batida — o de Gstaad, na Suíça, e o Millennium Estoril Open — antes de fazer as malas para a América do Norte. Tudo indica que, em Nova Iorque, Jaime Faria já não terá de jogar o qualifying de um torneio do Grand Slam.

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