NOVA IORQUE — Jaime Faria assinou a primeira vitória da carreira no quadro principal do US Open e tornou-se apenas no terceiro português da história a vencer nos quatro torneios do Grand Slam em singulares.
Um ano depois de cair na primeira ronda como lucky loser, o número dois nacional (70.º classificado no ranking ATP, o melhor registo pessoal) deu um passo inédito ao superar Jenson Brooksby (73.º) por 6-3, 7-6(4), 4-6, 1-6 e 6-2.
A vitória deste domingo foi uma repetição da que Faria somou, há duas semanas, para avançar pela primeira vez no quadro principal de um Masters 1000. Essa campanha em Cincinnati acabou por ser histórica, pois incluiu ainda a primeira vitória sobre um top 10 e terminou como uma das melhores prestações lusas na categoria.
Agora em Nova Iorque, onde obteve pela primeira vez entrada direta para jogar o quadro principal, Jaime Faria juntou-se a João Sousa e Nuno Borges no restrito grupo de tenistas portugueses que somaram pelo menos uma vitória em cada um dos torneios do Grand Slam, superando ambos em precocidade.
A viver o melhor ano da carreira, o jovem de 23 anos realizou uma exibição praticamente perfeita durante dois sets. Mas uma quebra emocional no final do terceiro fê-lo perder o fio à meada e, entre as provocações com o público (chegou a receber um warning por abuso verbal), viu Brooksby construir a recuperação apesar de algumas limitações físicas.
Foi só na quinta partida — com os fantasmas da derrota para Frances Tiafoe no US Open — que Jaime Faria conseguiu recompôr-se e superar a montanha russa emocional. Novamente concentrado, o número dois português recuperou o nível no serviço e desenhou com mais tranquilidade a primeira vitória da carreira num quinto set.
Apurado para a segunda ronda do US Open pela primeira vez, Jaime Faria poderá ter como próximo adversário o campeão em título, Carlos Alcaraz.
Ausente desde o Masters 1000 de Madrid, o tenista espanhol, atual número três mundial, regressa ao circuito perante o russo Roman Safiullin (98.º), um adversário de más memórias para o português, que este ano perdeu com ele por duas vezes num tie-break decisivo: primeiro nos quartos de final do Oeiras Open 3, duas semanas mais tarde na final do Challenger de Mauthausen, na Áustria, sempre em terra batida.