Antes de pendurar as raquetas, Gastão Elias já pisca o olho ao futuro por amor ao ténis

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PORTO – Gastão Elias esteve na CT Porto Cup com funções distintas do habitual. O ex-57 ATP vai pendurar as raquetas no final de outubro, no Lisboa Belém Open, e já está a viver o pós-carreira como treinador.

O português de 35 anos está a aconselhar o suíço Patrick Schoen, também residente no Oeste do país há vários anos. “Ele mora na Foz do Arelho, já o conheço desde que ele tinha 10 anos, se não me engano foi a primeira vez que estive com ele. É um jogador que considero ter muito talento e um grande futuro pela frente. Entretanto surgiu esta oportunidade, já tinha feito uma ou duas semanas com ele há um mês e meio. E agora surgiu a oportunidade de trabalhar um bocadinho mais a full time com ele, um trabalho mais sério. Para mim também é um desafio interessante, é uma coisa diferente. Estou muito motivado para o que vem”.

Ainda como profissional até na hierarquia ATP, Elias tem a vantagem de conhecer bem a maioria dos adversários do helvético e ter muito bom nível para Schoen poder treinar. “Quando ele questiona alguma coisa pergunto-lhe sempre se não quer jogar um setinho para o meter no lugar” (risos). “Ainda estou numa fase que não preciso de assistir a encontros e ver jogos online para saber sobre o meu adversário. É um extra que não sei se vai durar muitos anos porque começam a aparecer jovens novos de outra geração, mas agora é uma mais-valia”.

“Considero-me uma pessoa com muito bom olho, consigo analisar muito bem a parte tática e técnica. Não sou ainda nenhum especialista, não posso comparar-me a treinadores de topo, obviamente, até porque me faltam uns cursos (risos). “Depois disso vou ser melhor treinador ainda.”, sublinhou o tenista natural da Lourinhã. Estar “muito por dentro de tudo” pode dar-lhe, no entanto, vantagem em relação a treinadores mais experientes.

Sobre a sua carreira, Gastão Elias refere estar “completamente tranquilo” com a decisão de encerrar o percurso, opção tomada após nova lesão em Vila Real de Santo António. A ideia, na altura, era fazer praticamente a temporada inteira dos Challengers em Portugal até terminar no CIF. Mas a lesão no Jamor trocou-lhe o caminho até ao destino final. “Achei importante fazer o anúncio agora para vir aqui para o torneio e não ser estranho, para as pessoas saberem o que estava aqui a fazer”.

Apesar de desfrutar muito e querer continuar, é um sofrimento diário com dores, passava mais tempo na fisioterapia do que propriamente a treinar. E a partir do momento em que eu sinto que é muito difícil voltar ao top 100, que é o meu objetivo, não vale a pena continuar e foi isso que aconteceu. Mas ainda não me caiu a ficha. Estou até a desfrutar bastante porque a rotina de ser jogador é tão cansativa e tão intensa e agora, fazendo isto, parece que o trabalho é fácil. Não preciso ir ao ginásio, não preciso fazer mobilidade, não preciso fazer os aquecimentos, não preciso fazer as recuperações, as horas todas de treino, não tenho as dores de jogar. Agora é só a parte de poder ajudar do lado de fora e até agora estou a adorar”.

Pelos mais de 30 anos ligados à modalidade, Gastão Elias não se vê fora deste mundo mesmo que fosse “mega bilionário”. “É muito difícil desligar por completo, vou ficar sempre ligado ao ténis”.

Da carreira de sucesso, lamenta apenas os anos de sofrimento pós-covid, mas não leva “nenhum arrependimento”. E mesmo sem cair a ficha, sabe que tem lugar marcado na história do ténis nacional. “Olhando para números, acho que posso dizer que foi uma carreira bastante boa. Fui atleta olímpico, fui o primeiro jogador na história a ter uma vitória nos Jogos Olímpicos em singulares para Portugal, entre outras coisas. No geral, acho que quanto mais tempo passa, mais valor eu vou dar à minha carreira e portanto não posso dizer que fico triste ou não, porque acho que foi, sem dúvida, foi das melhores carreiras que nós tivemos sempre no nosso país”.

“Portanto…not too bad”.

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