PARIS — Nuno Borges falhou esta tarde o acesso ao quadro principal do Masters 1000 de Paris ao perder na derradeira ronda diante do eslovaco Alex Molcan, por 7-6(5) e 6-2. Cabisbaixo com o resultado, o número um nacional analisou a prestação e relatou umas 48 horas sem descanso entre Basileia e Paris, mantendo ainda a esperança de ser ‘repescado’ enquanto lucky loser.
Em declarações ao Raquetc, o maiato começou por confessar arrependimento pela pausa que fez entre sets e explicou o que faltou para conseguir perseguir a reviravolta: “Foi um jogo bastante complicado, muito físico, principalmente aquele primeiro set que puxou muito por mim. Olhando para trás, se pudesse não teria ido à casa de banho, quebrei um bocadinho a nível anímico e ele soube aproveitar bem isso. As bolas estavam grandes e eu precisava de ter estado um bocado mais fresco. Entrei neste torneio já um bocado comprometido, mas ontem lutei muito, foi uma batalha surreal que também me desgastou. Mas hoje não perdi só por causa disso, ele obrigou-me a jogar muito e o mérito é dele. No segundo set foi ainda mais agressivo e eu mais lento, dois breaks abaixo deu-me muito pouca margem para voltar a recuperar o resultado”
Com os quartos de final em Basileia a fazerem parte de um passado tão recente, Borges admitiu que a falta de descanso nem se tornou um verdadeiro entrave na chegada apressada ao Masters 1000 de Paris: “Fiz um aquecimento de meia-hora e depois saltei para o campo e resolver. Às vezes até é bom vir assim sem pensar muito. Vinha com jogos e com confiança, porque estava a jogar bem, mas uma viagem é sempre dura. Joguei sexta-feira à noite, não foi fácil aceitar aquela derrota, e de repente estou a apanhar um comboio para Paris para jogar no mesmo dia. Não é de todo ideal, mas acontece. Para o ano tenho é de tentar entrar aqui direto no quadro para me dar mais margem.”
A temporada está a chegar ao fim e Nuno Borges, que ainda compete em Estocolmo na próxima semana, faz um balanço muito positivo de um 2026 sem altos e baixos, onde a estabilidade foi a palavra-chave: “É muito positivo. Apesar de ter sido parecido a 2025, acho que não é para todos estar aqui. Foi mais um ano com muito consistente com grandes vitórias, estive bastante bem em quase todos os swings, pontuei bastante durante o ano. Faltou aquilo que eu e o meu treinador chamamos de ‘bombas’, aqueles torneios em que se calhar faço umas meias-finais que ninguém estava à espera ou algo fora do normal. Tive resultados regulares, sem grandes surpresas, e tenho de continuar a trabalhar. Estou muito agradecido por todo o trabalho que fiz com a minha equipa.”
Por último, questionado sobre o reformulado e estendido formato de duas semanas nos torneios Masters 1000 — no qual Paris e Monte-Carlo são exceção —, Nuno Borges não se posiciona entre os defensores ou céticos da mudança e diz que cada lado tem a sua virtude: “É muito complicado, é como tudo e traz os seus prós e contras. Acho que os torneios ganham bastante com isso [duas semanas], conseguem vender mais bilhetes, ser um bocado maiores e ter mais peso no calendário. Alguns jogadores apreciam ter o day off, outros não gostam de estar tanto tempo num torneio, e aqueles que perdem cedo acabam por não ter muito para fazer até ao próximo. Ainda estou a avaliar na minha cabeça se gosto assim tanto ou não, mas felizmente temos os Challengers 175 na maioria deles, entre torneios. Qualquer jogador pode ter uma resposta diferente, mas desde que o ténis continue a crescer, já não é mau.”