As campeãs caíram.
Se há algo que o cancelamento e adiamento de encontros causa, já se sabe, é ânsia. Muita ânsia e vontade de jogar, ver jogar e ganhar. Para uns, os nervos aumentam. Para outros, é mais uma oportunidade de continuar em prova num torneio do Grand Slam ontem não têm por hábito chegar tão longe. Hoje, as campeãs da terra batida em 2015 caíram. Do ‘outro lado’, as quatro bestas — não no sentido literal — voltaram a vencer. Está pronto para os quartos-de-final?
Apontada como uma das principais candidatas ao título, se não mesmo a principal, Maria Sharapova voltava ao Court Philippe Chatrier para, por fim, disputar a quarta ronda de Roland Garros. A chuva não ajudou na jornada de ontem e a atual campeã da prova foi forçada a um dia de trabalhos extra, algo que poderá não a ter deixado satisfeita. Nunca o saberemos. Mas do outro lado esteve uma quase irrepreensível Lucie Safarova, que com o seu melhor ténis conseguiu mesmo a vitória: 7-6(3) 6-4.
Se entre 2008 e 2013 o registo da jogadora checa apontava para um índice de 17 vitórias e 24(!) derrotas em torneios do Grand Slam, desde a época de 2015 Safarova conta com os mesmos dezassete triunfos e apenas… 5 desaires. No meio de sorrisos, muito sorrisos, a jogadora de vinte e oito anos não conseguiu esconder a alegria causada pelo triunfo, que lhe vale os seus primeiros quartos-de-final na prova.
Igualmente surpreendente foi o desfecho do encontro entre Petra Kvitova e Timea Bacsinszky, suíça que apesar de estar a viver o melhor momento da carreira partia em claro ‘desfavoritismo’ para um encontro cujo marcador começou por revelar isso mesmo: a checa, campeã em Madrid, entrou de forma autoritária para rapidamente vencer o primeiro parcial, mas depois, imagine-se, permitiu(-se) perder seis jogos consecutivos para ficar ‘manchada’ com um 0-6. A recuperação já não fugiu a Bacsinszky, que por 2-6 6-0 6-3 fechou o encontro.
Se as surpresas se ficaram por aqui, a verdade é que Roland Garros esteve perto, muito perto, de se despedir da número um mundial. Depois de recuperar frente a Victoria Azarenka naquele que é um dos melhores embates do torneio até ao momento, Serena Williams entrou mal, muito mal, e rapidamente se viu em desvantagem perante a sua compatriota Sloane Stephens mas… Foi ‘acordada’ a tempo e venceu por 1-6 7-5 6-3. No outro jogo da jornada, Garbine Muguruza derrotou Flavia Pennetta por 6-3 6-4.
Domínios disfarçados — e agora aí vem ‘ele’!
Um, dois, três, quatro. São os quatro grandes nomes do ténis masculino desde há vários anos e estão, todos eles, nos quartos-de-final do Grand Slam parisiense. Até aqui, nada de extraordinário ou surpreendente.Isto se não pensarmos que todos, todos(!) entraram em ação no dia de hoje. Mas que dia…
Comecemos por Rafael Nadal, campeão por nove vezes — ou eneacampeão, para os mais corajosos (e rigorosos). No ano em que tanto se fala de Robin Soderling, que, a título de oportunidade, poderá mesmo estar quase a regressar ao circuito, Nadal perdeu pela primeira vez desde 2009 (quando saiu derrotado pelo sueco) um set na quarta ronda do torneio mas daí não passou. Jack Sock, que se mostrava descontraído na antevisão ao embate, ainda se ‘atreveu’ a protagonizar um mini-choque à escala planetária, mas não teve armas para mais. O resultado? 6-3 6-1 5-7 6-2 a favor do maiorquino, que segue assim para…
Os quartos-de-final. Aí estão eles. Mais de uma semana e meia depois, agora sim. Sem especulações, sem exageros ou irrealismos. Vai acontecer, vai mesmo. É o jogo por que todos esperam e, talvez mesmo como os próximos já afirmaram, o mais difícil das suas carreiras numa fase como esta. Nos quartos-de-final de Roland Garros 2015, Rafael Nadal, o campeão de nove das últimas dez edições, tem pela frente Novak Djokovic, o número um mundial e perseguidor do único título Major que ainda não consta no seu palmarés. Tudo porque segundos depois do espanhol, também o sérvio seguiu para a quinta eliminatória: aplicou um verdadeiro ‘corretivo’ a Richard Gasquet ao vencer por 6-1 6-2 6-3.
Em frente, de resto, seguiram o ‘intruso’ Roger Federer (que depois do adiamento da segunda parte do jogo frente a Gael Monfils voltou ao campo principal do Stade de Roland Garros para colocar um ponto final nas aspirações do gaulês e triunfar por 6-3 4-6 6-4 6-1) e Andy Murray, que continua a contar por vitórias as suas prestações em terra batida na presente temporada. Hoje, venceu Jeremy Chardy por 6-4 3-6 6-3 6-2 para marcar encontro com David Ferrer (6-2 6-2 6-4 a Marin Cilic), enquanto o suíço garantiu um entusiasmante duelo com o seu compatriota Stanislas Wawrinka já na jornada desta terça-feira.