US Open, Dia 4: Um drone chegou a assustar numa jornada que terminou com hinos ao ténis

Emocionante e no limite. Assim foi o fecho de jornada desta quinta-feira em New York, com a ação a desenrolar-se para lá da meia-noite local pela primeira vez na presente edição do US Open. Com nervos de aço e muita vontade de vencer, Petra Cetkovska fechou em grande uma sessão noturna iniciada com uma exibição autoritária de Roger Federer e que chegou a ser perturbada por um veículo aéreo não tripulado. Isso mesmo, até um drone quis entrar em court para ver de perto a ação que se vai desenrolando sob os holofotes de Flushing Meadows.

Final de noite vintage foi um hino ao ténis

Roger Federer a dominar uma sessão noturna e Lleyton Hewitt a disputar um quinto set também em prime time. Mudam os anos, mantêm-se os cenários. Esta quina-feira, foi noite do suíço voltar a demonstrar estar em Nova Iorque para regressar aos títulos (o jejum é grande, dura já desde 2008 na cidade que nunca dorme) enquanto ao lado, a apenas alguns metros, um outro ex-campeão da prova, Lleyton Hewitt, se despedia definitivamente da prova.

E que despedida. A ter pela frente o seu compatriota Bernard Tomic e sob o olhar atento de Nick Kyrgios e Thanasi Kokkinakis, o vencedor de 2001 não entrou bem no encontro e rapidamente se começou a antever um desaire em duas partidas até que, como se de um verdadeiro flashback aos seus tempos áureos se tratasse, recuperou. Venceu um e outro set e quebrou o serviço de Tomic para servir para o encontro a 5-4. Correu de um lado ao outro de um campo onde sempre esteve longe de ser dos mais idolatrados; aguentou-se durante mais de 2000 minutos até que as peças se desmontaram e o mais novo dos dois pode celebrar. Com os parciais de 3-6 2-6 6-3 7-5 5-7, Hewitt diz adeus a um dos palcos onde foi mais feliz em toda a sua carreira.

Se Hewitt enfrentou muitas dificuldades, o que Roger Federer fez no primeiro embate da sessão noturna encantou qualquer um dos presentes no Artur Ashe Stadium, onde aliás o suíço igualou Serena Williams com 27 vitórias em encontros disputados sob os holofotes. Num embate (inédito) entre trintões, o segundo cabeça de série alinou uma exibição autoritária, sem falhas e inspirada, muito inspirada; apontou 46 winnersum deles, o 40.º, foi este — e voltou a não ser quebrado (mantém a série de jogos de serviço ganhos desde Cincinnati) para vencer Steve Darcis por 6-1 6-2 6-1 naquela que foi uma das suas melhores exibições de sempre em todo o torneio.

O que veio depois… Poderia quase ter o estatuto de indescritível. Comecemos assim: o embate entre Petra Cetkovska, que teve uma carreira frustrada pelas lesões que lhe ofuscaram o enorme talento, e Caroline Wozniacki, a dupla finalista de torneios Major que continua sem armas para adotar estratégias mais ofensivas, começou no dia 3 de setembro e terminou a 4 — foi o primeiro da presente edição a concluir-se para lá da meia-noite local — e já pode ser considerado como um dos melhores encontros femininos da presente temporada, senão o melhor.

O que Petra Cetkovska fez foi impressionante. E a checa nem entrou por aí além no embate: Wozniacki dominou os primeiros jogos, venceu serviços seus e da adversária e construiu uma vantagem relativamente importante, mas desde o 4-2 e até ao final do parcial não venceria mais nenhum jogo; no segundo parcial… A história repetiu-se, mas ao contrário. Foi Cetkovska a dispor de uma liderança de 4-1 e foi Cetkovska a perder muitos jogos: chegou ao 5-7. Chegadas à terceira partida, as duas jogadoras não diminuíram o ritmo — a checa com as suas intervenções ofensivas, a dinamarquesa com as eficazes e estudadas longas trocas de bolas com objetivos tácticos.

E o que a partir daí se viu foi um hino ao ténis. Porque se nos dois primeiros parciais ambas tiveram certa ‘culpa’ de os deixar escapar, o terceiro foi uma luta, um daqueles sets que não se quer perder. E nesse palco foi Cetkovska quem, depois de algum sofrimento, brilhou mais. Salvou quatro match points de uma forma injusta de descrever com apenas algumas linhas e deu por uma e outra vez a volta à liderança que a experiência de Wozniacki ganhara. Surpreendeu tudo e todos quando parecia estar prestes a ser quebrada e perder o encontro, adiou a decisão para o tiebreak e aí fez uso da sua mentalidade ofensiva. Venceu e convenceu, já depois das 3h de jogo, por 6-4 5-7 7-6(1) para confirmar 2015 como a pior época de sempre da dinamarquesa em Majors.

Um drone que ninguém sabe explicar

Há coisas que por mais voltas que a vida dê nunca pensamos ver acontecer. Pois bem, disputavam Flavia Pennetta e Monica Niculescu o seu embate semi-noturno no court Louis Armstrong Stadium quando um drone — ou seja, um veículo aéreo não tripulado — apareceu em campo e ‘aterrou’ nas bancadas. Pennetta assustou-se e a sua equipa não gostou da situação; como a própria relata, “com tudo o que se lê hoje em dia nas notícias, nunca se sabe. A minha equipa ficou muito, muito assustada.”

E não é caso para menos. A NYPD demorou uma questão de segundos a preencher a bancada atrás da cadeira da árbitra e depressa começou a investigar o insólito incidente; pouco depois, Daniel Verley, um professor de 26 anos, foi detido e acusado de condução e operação impróprias de um drone numa zona restrita. O susto passou e a vitória da italiana chegou, por 6-1 6-4, mas poderia ter tido um final feliz: ‘felizmente’, as bancadas estavam praticamente vazias quando o veículo sobrevoou o estádio.

Os britânicos tiveram nervos de aço

Não há US Open sem grandes ‘remontadas’ e por isso mesmo à medida que o relógio avança os dias vão contando com mais e mais duelos e recuperações nas últimas partidas. E recuperações na jornada desta quinta-feira ‘foram’ com os guerreiros britânicos: primeiro Johanna Konta, que soma 15(!) vitórias nos últimos 15 encontros realizados, e depois Andy Murray, o campeão de 2012, que sofreu mais do que o previsto.

Comecemos por Konta. Aos 24 anos, a tenista britânica vem dos títulos nos ITFs de Granby e Vancouver e a passagem de todo o qualifying em Nova Iorque. Ontem, tinha pela frente a espanhola Garbine Muguruza e a possibilidade de conseguir a maior vitória da sua carreira. Fê-lo, e em dois sentidos: com o marcador a registar 3h23′, Konta fechou o encontro com os parciais de 7-6(4) 6-7(4) 6-2 e um total de 36 winners para 34 erros não forçados contra 45/59 de Mugurza para vencer aquele que é o encontro feminino mais longo da história do US Open.

Se a vitória da britânica não era necessariamente esperada, esperava-se sim que Andy Murray, o campeão de 2012, sentisse menos dificuldades no seu embate de segunda ronda frente a Adrian Mannarino, mas tudo correu de forma contrária ao previsto — afinal, quantas vezes ficou já provado que prever resultados em jogos teoricamente desequilibrados nem sempre é boa ideia?

Adrian Mannarino entrou decidido em realizar a exibição da sua carreira. Entrou ‘sem medos’, a surpreender Murray e a conseguir ser autorirário e mais impressionante do que a sua forma inicial foi ter conseguido manter o ascendente não por uma, mas por duas partidas. Em qualquer outro torneio teria sido suficiente, mas não no US Open, não num torneio do Grand Slam. E depois há ainda o fator Andy Murray, o jogador-que-atravessa-campos-de-um-lado-ao-outro-sem-parar quando assim é preciso. Como aqui, por exemplo. E foi assim, com pontos como este, que começou a desenhar a reviravolta.

Tomado o gosto à recuperação, Murray não mais parou e, claro, não deu quaisquer hipóteses a Mannarino, que passou de protagonista a mero figurante do que ia acontecendo no maior campo de ténis do mundo. O resultado, 5-7 4-6 6-1 6-3 6-1, fala por si; o primeiro ato foi do francês, mas coube ao britânico vencer os dois últimos para carimbar a passagem à 3.ª eliminatória.

Em jornada de luxo, vencedores de luxo

Parece injusto delegar tão poucas linhas a tamanhos jogadores, mas revistas as cenas do último dia foram os destaques acima mencionados aqueles capazes de merecer mais atenção nesta quarta jornada, que aumentou para 14 as desistências e 19 o número de cabeças de série de fora da competição; tudo… Depois de quatro dias.

O desenrolar dos encontros foi, no entanto, mais tranquilo do que na segunda e terça-feira e também Stanislas Wawrinka (7-6[2] 7-6[4] 7-6[6] a Hyeon Chung), Tomas Berdych (7-6[2] 6-1 6-3 perante Jurgen Melzer) e Richard Gasquet (4-6 6-3 7-6(4) 6-4 frente a Robin Haase) conseguiram apurar-se para a terceira eliminatória.

Já do lado feminino, a bielorrussa Victoria Azarenka (vigésima favorita e por duas vezes finalista da competição) avançou para a terceira ronda ao derrotar Yanina Wickmayer por 7-5 6-4 e sabe que terá pela frente de seguida a alemã Angelique Kerber, responsável pela eliminação de Karin Knapp (7-5 6-2). E por falar em germânicas, Sabine Lisicki (6-4 6-0 vs Camila Giorgi) e Andrea Petkovic (6-3 7-6[4] perante Elena Vesnina) estão igualmente na próxima fase.

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