Deslizar no piso rápido é uma arte que só os melhores e mais hábeis tenistas do dominam. E mesmo assim nem sempre evitam ser surpreendidos e acabar onde ninguém quer: no chão, com os ‘pés trocados’ e o marcador invertido. Petra Kvitova perdeu a maré dos favoritos que esta quarta-feira entraram em prova no Australian Open e deixou-se levar pela heroína local Daria Gavrilova, que está a viver um sonho de infância. Há várias histórias para contar.
Há algo no Australian Open que continua a incomodar Petra Kvitova: depois dos quartos-de-final em 2011 e meias-finais em 2012, a checa não mais conseguiu brilhar em terras de cangurus e voltou a colocar-se numa posição tentadora para a oponente. Em plena Rod Laver Arena e numa sessão noturna, a bicampeã de Wimbledon viu Daria Gavrilova crescer, vestir a capa de heroína aussie e chegar ao resultado de uma vida (6-4 6-4) para abrir a porta de uma vida.
Já com uma carreira bem lançada — aos 21 anos é número 39 mundial — perseguia o que até agora lhe faltava, isto é, mais destaque nos torneios de elite. E que palco foi escolher… Com todos os bancos ocupados e todo o público do seu lado, a australiana deu poucas ou nenhumas hipóteses a Kvitova de encontrar o seu jogo e entrar num dia sim. Situação semelhante viveu Svetlana Kuznetsova, a vigésima terceira cabeça de série, que vinha do título em Sidney e de uma vitória arrasadora (6-0 6-2 a Daniela Hantuchova) na primeira ronda e não conseguiu corresponder às expetativas: 1-6 5-7 para Kateryna Bondarenko.
Federer e Dimitrov marcam primeiro reencontro da temporada
Primeiro um, depois o outro. Com o sorteio do quadro, um possível encontro entre Roger Federer e Grigor Dimitrov (que começaram o ano a medir forças em Brisbane) era muito aguardado e os dois carimbaram esta quarta-feira as vitórias que faltavam para o confirmar.
Com uma exibição irrepreensível no seu serviço (25 ases, 88% de pontos ganhos com a sua primeira pancada) mas marcada por alguma ‘invenção artística’ do lado direito do court, que procurou com muita frequência e por vezes até em situações pouco ortodoxas, Roger Federer ‘cortou a respiração’ a um Alexander Dolgopolov fora de água que pouco ou nada conseguiu fazer. Os parciais de 6-3 7-5 6-1 em apenas 93 minutos falam por si, bem como os 39 winners apontados pelo suíço. Um pouco mais tarde e sem o mesmo domínio, Grigor Dimitrov deslizava para a vitória sobre Marco Trungelliti (6-3 4-6 6-2 7-5).
E por falar em deslizar… Falemos de Novak Djokovic, um dos experts no assunto. Depois de Hyeon Chung na ronda inaugural, esta quarta-feira foi a vez do número um mundial enfrentar mais uma ‘peça’ de talento e futuro do ténis mundial, o francês Quentin Halys, que que não se prezou ao estatuto do adversário e cresceu com o encontro para terminar ‘à grande e à francesa’, ou quase. O tiebreak da terceira partida deu bons indícios, tal como os 33 winners apontados (Djokovic fez 42) e alguns toques de génio.
Inspiradas foram, também, as exibições de Maria Sharapova e Serena Williams, protagonistas da final de 2015 e primeiras jogadoras a vencer na Rod Laver Arena em encontros da segunda ronda. Se a russa precisou de apenas 71 minutos para ultrapassar Aliaksandra Sasnovich (6-2 6-1), a norte-americana passou ainda menos tempo em campo (60′) até conseguir despedir-se (6-1 6-2) de Su-Wei-Hsieh.
Radwanska trava ressurgimento imediato de Bouchard
Depois de uma grande primeira semana de 2016, Genie Bouchard chegava ao Australian Open com muito a defender e pouco por onde avançar mas não se mostrava preocupada. Afinal, não tem razões para tal: de volta a um ténis animado — hoje até muito ofensivo, tantas foram as tentativas bem (25) e mal (37) sucedidas de sair com um winner –, abandonará o top50 com a derrota por 4-6 2-6 para a polaca Agnieszka Radwanska, quarta pré-designada, mas pouco ou nada tem a defender em grande parte da temporada que se segue. O caminho está ‘aberto’, os pontos à espera de ser recolhidos e as posições escaladas.
Não só de Sharapova se faz a Rússia
Dia 20 de janeiro pode muito bem ser o dia do nascimento (ou afirmação) da nova geração do ténis russo. Elizaveta Kulichkova (6-4 2-6 6-4 a Monica Niculescu), Margarita Gasparyan (6-4 6-4 perante Kurumi Nara) e Daria Kasatkina (6-4 6-3 sobre Ana Konjuh) somaram todas vitórias que as colocam na fase mais adiantada de um torneio do Grand Slam que alguma vez disputaram e, mais do que isso, deram (novas) provas do seu talento com tão tenras idades: Kuluchkova tem 19, Gasparyan 21 e Kasatkina (que já no US Open alcançara a terceira ronda) apenas 18. Os dados estão lançados!
Resultados que também preenchem a jornada de quarta-feira, 20 de janeiro:
- Kei Nishikori derrotou Austin Krajicek, 6-3 7-6(5) 6-3
- Tomas Berdych derrotou Mirza Basic, 6-4 6-0 6-3
- Jo-Wilfried Tsonga derrotou Omar Jasika, 7-5 6-1 6-4
- Nick Kyrgios derrotou Pablo Cuevas, 6-4 7-5 7-6(2)
- Dominic Thiem derrotou Nicolas Almagro, 6-3 6-1 6-3
- Belinda Bencic derrotou Timea Babos, 6-3 6-3
- Monica Puig derrotou Kristyna Pliskova, 4-6 7-6(6) 9-7