Francisco Cabral regressa a palco de “excelentes memórias” com ambição de mais história em Paris

Daniel Baltazar Basto

PARIS — Francisco Cabral está de regresso a um palco que lhe transporta boas memórias e é com ambição redobrada que encara o regresso ao Masters 1000 de Paris — o último evento da categoria em 2026. O número um português da especialidade de pares bateu há um ano às portas da final numa semana histórica em La Défense que também simbolizou a sua estreia no top 20 mundial e está preparado para voltar a encerrar a temporada em alta.

Em entrevista ao Raquetc na sequência da primeira sessão de treino que realizou na Plenitude Arena, o portuense de 29 anos vê com entusiasmo esta nova oportunidade que tem pela frente em Paris, agora com um novo parceiro, James Tracy: “É um sítio especial na minha carreira, com as minhas primeiras meias-finais num Masters 1000 e entrada no top 20. É um complexo de excelentes memórias para mim.”

A estreia está marcada diante da dupla formada por Petr Nouza e Michael Venus, que compete com o estatuto de ranking protegido, e Cabral frisa que a adaptação está a ser positiva: “Fiz hoje o primeiro treino aqui e parece-me um bocadinho mais rápido do que no ano passado, o que não é necessariamente mau. A preparação está a correr bem e estou com muita vontade de começar o torneio.”

Num balanço à nova colaboração com James Tracy, iniciada a meio da temporada, Francisco Cabral expressa que os frutos estão a aparecer — e o título em Hangzhou e final no Masters 1000 de Xangai são prova disso: “Nos últimos dois meses temos jogado bastante bem, fizemos muitos pontos, e já desde o US Open que eu tinha vindo a dizer que me estava a sentir cada vez melhor a jogar com ele. Acho que os resultados falaram por si. Infelizmente não conseguimos ganhar a final em Xangai, mas não deixa de ser um grande torneio e vamos encarar esta semana com confiança, mas com muito cuidado. Neste nível, todos os adversários são bons”

Com a missão de tentar terminar a temporada dentro do top 30, enfatiza que a reta final tem-se sobrelevado a uma primeira fase menos animadora e com resultados mais escassos: “Foi um ano desafiante, se calhar não começou da maneira que eu ambicionava. Mas acho que esta reta final de ano vem a confirmar aquilo que eu tinha dito, que os resultados não estavam a aparecer não por falta de nível, mas porque uma coisa ou outra não conectava no mesmo torneio. Acho que quando consigo ganhar a primeira ou segunda ronda, torno-me um jogador muito perigoso. Foi um ano bom e estou satisfeito com isso, ainda tenho mais dois torneios por jogar e quero dar o meu máximo e continuar a somar pontos para subir no ranking. É um ano positivo.”

Francisco Cabral aproveitou ainda para comentar a estreia do amigo e colega Henrique Rocha no top 100 mundial, numa semana especial que marcou uma inédita presença de três nomes lusos nesse restrito lote, também constituído por Nuno Borges e Jaime Faria: “É um momento histórico, felizmente estou cá para ver. Dou-me muito bem com os três, fico muito feliz pelo Henrique, é um miúdo que eu conheço desde que ele tem 8 ou 9 anos. Fico muito feliz, temos uma excelente relação também fora do ténis.”

Sem querer entrar pormenorizar a recente carta endereçada à ATP que co-assinou pela defesa da variante, Francisco Cabral lembrou que os cortes financeiros e a redução do número de encontros que a entidade propõe colocam em risco parte da integridade do ténis: “Jogo pares, é a minha profissão que está em causa. Acho que a ATP está no melhor nível financeiro da sua história e é um momento para criar oportunidades, não para tirá-las. Os pares são parte da história do ténis, é a variante que se joga mais em todos os clubes. O ténis de singulares também é muito bonito e sou fã, mas acho que os pares fazem parte da história e acho que é muito difícil apagar a história.”

Total
0
Shares
Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Total
0
Share
Vista geral sobre privacidade

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência de navegação. As informações são guardadas no seu browser e permitem reconhecer o seu regresso ao website, bem como ajudar a nossa equipa a perceber que secções acha mais úteis e interessantes.