Roland Garros, Dia 2: Assobios para a campeã engripada depois da vitória na estreia

Uma campeã… Assobiada. A ação voltou aos courts de Roland Garros poucas horas depois de se ter dado por concluído um primeiro dia morno e até mesmo vazio quando comparado aos restantes torneios do Grand Slam. Hoje, disputaram-se mais encontros e os níveis de intensidade aumentaram, mas também fora do contexto principal da terra batida houve espaço e tempo para histórias.

O publico parisiense não perdoa. Enquanto nas redes sociais se esperava pelas primeiras imagens do muito elogiado vestido de Maria Sharapova para a edição de 2015 do torneio gaulês, a jogadora russa de vinte e oito anos fez a sua primeira aparição no Court Philippe Chatrier desde que venceu o título no último ano a meio gás, visivelmente desgastada e sem grande fôlego para o encontro. Até os habituais ‘gritos’ a executar as suas pancadas foram diferentes. À saída do campo foi assobiada, mas não por isso.

Engripada, sem as forças habituais, Sharapova apressou-se a abandonar o estádio depois do triunfo por 6-2 6-4 frente à sempre perigosa Kaia Kanepi — que em tempos (2012) venceu o Portugal Open — para não passar ‘tempo extra’ sob o sol que timidamente quebrava as nuvens de Paris. O público, habituado às tradicionais on court interviews com os vencedores, não gostou e assobiou. Mas a número dois mundial desvalorizou. “É completamente compreensível porque habitualmente os jogadores são entrevistados.” Se no final (e para os que assistiram ao encontro) ficam para a história os assobios, a frase do dia, essa, é outra — e pela mesma Maria Sharapova. “A não ser que esteja no meu caixão… Vou estar em campo a lutar.”

Tranquilo foi, também, o primeiro encontro da ex-número um mundial, Victoria Azarenka, na cidade do amor. Vigésima sétima cabeça de série, a bielorrussa derrotou a espanhola Maria Torro-Flor por 6-2 6-1 no dia em que viu o seu compatriota Max Mirnyi, com quem conquistou a medalha de ouro em pares mistos nos últimos Jogos Olímpicos, ‘assinar’ com Genie Bouchard para o quadro em Roland Garros. O acontecimento poderia passar ao lado da atenção de todos não fosse o bielorrusso o segundo ‘ligado’ a Azarenka (depois do treinador Sam Sumyk) a criar uma ligação profissional com uma das melhores classificadas no ranking da atualidade.

O jogo mais aguardado do dia — e muito provavelmente de toda a primeira ronda — colocava no entanto frente a frente as norte-americanas Sloane Stephens e Venus Williams; se no primeiro parcial as duas jogadoras lutaram ‘taco a taco’ pelos pontos, no segundo, e como aliás tem vindo a ser habitual com a mais experiente das duas em Paris, o duelo afigurou-se como de sentido único e deu a Stephens, bem conhecida pelo triunfo sobre a ‘outra’ Williams no Australian Open 2013 para chegar às meias-finais, o triunfo, por 7-6(5) 6-1. No final, Sloane Stephens pediu a Fabrice Santoro, hoje na pele de entrevistador, para não conhecer já o nome da sua próxima adversária. Respeitamos (Heather Watson) e por isso seguimos para um outro dado, os resultados de Venus nas últimas oito edições do Major parisiense: 3ªR, 3ªR, 3ªR, 4ªR, 2ªR, 1ªR, 2ªR, 1ªR.

Andy Murray: Será que ainda se trata de uma terra (batida) perdida?

Já todos conhecemos a história. Andy Murray, que até ao mês de maio nunca tinha disputado uma final em terra batida, conquistou o ATP 250 de Munique e o Masters 1000 de Madrid de forma consecutiva para somar dez triunfos consecutivos sobre a superfície pela primeira vez na sua carreira. Hoje, voltou a ‘arrasar’, pelo que fica a questão — será que a terra batida ainda é a superfície ‘negra’ do campeão olímpico?

Terceiro cabeça de série, Murray chega a Roland Garros num ano atípico; Rafael Nadal, o Rei da terra batida, está longe dos seus melhores resultados e pela primeira vez nos últimos oito, nove anos há um principal candidato ao título que não o espanhol: Novak Djokovic. Também Roger Federer se mete (ou quer) no meio das contas e agora o britânico começa a deixar de descartar — é essa a expressão — uma boa corrida num torneio onde nunca foi além das meias-finais. A vitória de hoje, por 6-3 6-3 6-1 sobre Facundo Arguello, pode ser precisamente o início.

O que o britânico poupou em tempo não poupou a sua compatriota Johanna Konta em sofrimento aos fãs que marcaram presença no Court 5, onde desperdiçou cinco (!) set points antes de perder o mais longo tiebreak de toda a história do torneio. Os números? 19-17 para a checa Denisa Allertova que viria mesmo a vencer o encontro por 4-6 6-2 nos parciais seguintes.

Um Kid’s Day… Oficial

Nick Kyrgios, Borna Coric e Thanasi Kokkinakis. Nesta altura do campeonato é impossível não conhecer os três nomes de que mais se fala quando toca a adolescentes (ou jovens, no caso do primeiro dos australianos, que celebrou a saída da adolescência durante o Millennium Estoril Open) no circuito mundial. E parecem querer dar-nos mais e mais motivos para isso.

Depois de no sábado se ter celebrado o Kid’s Day com algumas das estrelas mundiais, hoje, já em formato de competição, Kyrgios, Coric e Kokkinakis estiveram todos em campo ao mesmo tempo e não tardou até que os três conseguissem carimbar passaporte para a segunda eliminatória. O vice-campeão do ATP 250 português impôs-se perante Denis Istomin por impressionantes 6-3 6-4 6-3 ao voltar a alinhar mais uma grande performance sobre o pó de tijolo (ainda se lembra do triunfo sobre Federer em Madrid), enquanto Coric, que chegou à segunda ronda em Portugal, venceu o sempre perigoso Sam Querrey por 7-6(8) 6-3 0-6 6-3. Já Kokkinakis, pode celebrar o seu primeiro triunfo de carreira em Roland Garros após quatro partidas (3-6 6-4 7-6[4] 6-2) jogadas com Nikoloz Basilashvili, da Geórgia.

Por hoje, é tudo de Paris (via Portugal). Amanhã volta a jogar-se!

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  1. Obrigado pelas crônicas. Para mim um dos duelos mais entusiasmantes veio do improvável jogo do Edmund vs Robert, com o agora britânico a selar vitória no quinto Set, cravado de cambrias e com o Sol a desaparecer no horizonte, assim como Robert minguava na esperança de sair coroado de honrarias. Emoção, coragem e coração.

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