Caiu, mas caiu de pé. Depois de cinco encontros ‘de sentido único’, João Sousa pisava hoje o Court Philippe Chatrier — o maior estádio do complexo — para disputar a segunda ronda de Roland Garros pela segunda vez na sua carreira. Pela frente, tinha Andy Murray, um dos nomes grandes do ténis e, este ano, uma das grandes figuras em terra batida. Na antevisão ao embate, o português tinha avisado que nesta superfície as ‘contas’ poderiam ser um bocadinho diferentes e foram mesmo, mas ainda assim não o suficiente.
Depois de um primeiro set de relativo controlo por parte do britânico, que entrou em campo visivelmente mais adaptado às condições, o pupilo de Frederico Marques começou a ganhar terreno e a desenhar os contornos de aquilo que, por momentos, ainda ameaçou tornar-se uma recuperação histórica para o ténis português. Não esteve assim tão longe: venceu o segundo parcial ao quebrar por duas vezes o serviço do número três mundial (agora com 12 vitórias em 12 jogos em pó de tijolo na presente época) e teve pontos de break para criar uma vantagem atrevida no marcador. Acabou por não o conseguir e sair derrotado (2-6 6-4 4-6 1-6). Mas de pé.
Padrões e trambolhões
Estugarda 2011. Madrid 2011. Dubai 2012. Se em terreno oceânico Caroline Wozniacki até consegue, com maior ou menos dificuldade, superar o ténis de Julia Goerges, nos restantes confrontos a vitória tende a sorrir à germânica e hoje, tal como nos três torneios acima relembrados, não fugiu. Começa a desenhar-se um padrão e, de repente, a tentativa de brilho inédito da dinamarquesa sob a luz de Paris foi destruída. Logo na segunda ronda, por 4-6 6-7(4) e num dos grandes duelos do quadro feminino que preencheu a jornada de hoje.
E enquanto Wozniacki não resistiu e acabou mesmo por sofrer do veneno do padrão, outras, como Serena Williams e Petra Kvitova — a primeira, campeã pela última vez em 2013 e a segunda, vencedora do Premier de Madrid já este ano — deram verdadeiros trambulhões em campo. Não um, mas vários antes de terem oportunidade de se recompor em campo para, a tempo e respetivamente, recuperarem no marcador e deixarem pelo caminho na segunda eliminatória a jovem de vinte e um anos Anna-Lena Friedsam (5-7 6-3 6-3) e a já experiente Silvia Soler-Espinosa (6-7[4] 6-4 6-2).
Jogaço, jogaço, jogaço!
Não há outra expressão. O que Francesca Schiavone e Svetlana Kuznetsova fizeram hoje em campo não pode ser descrito de outra forma: foi um jogaço, daqueles que ficam para sempre na memória de quem o viu e, ainda, na história do ténis. Foi bem disputado do primeiro ao último ponto, discutido em todos os aspetos e, como se quer no ténis, muito, muito equilibrado. Foi um hino à ‘longa distância’ — amada por uns, odiada por outros mas hoje, hoje!, mais do que necessária.
Se em 2009 a russa vencia Roland Garros e, um ano depois, a italiana ‘imitava’ o feito, no ano de 2011 as duas disputaram um longo terceiro set no Australian Open (16-14 para Schiavone) que acabou por se tornar no encontro feminino mais longo da história de torneios do Grand Slam, com o relógio a parar apenas nas 4h44. Hoje, e num bocadinho menos de tempo (3h50), o desfecho acabou por ser o mesmo; com igual garra, igual espectáculo e igual dedicação de ambas. 6-7(11) 7-5 10-8. É caso para dizer… Se houvesse jogo em que devessem vencer as duas jogadoras, este seria um deles.
À espera dos primeiros grandes desafios…
Ainda não foi desta que Novak Djokovic e Rafael Nadal, os dois grandes favoritos ao título na presente edição de Roland Garros, sofreram grandes desvios de percurso. Em rota de colisão nos quartos-de-final, o número um e sete mundial, respetivamente, colocaram-se mais perto daquele que, a confirmar-se, será o embate mais aguardado da ronda ao somarem rápidos e afirmativos triunfos na jornada de hoje.
Em pleno Court Central, antes do ‘nosso’ João Sousa medir forças com o número três, Rafa Nadal aplicou um verdadeiro corretivo ao seu compatriota Nicolas Almagro (6-4 6-3 6-1), desfazendo assim quaisquer dúvidas que existissem em relação ao conjunto de possibilidades do menos cotado dos dois para o encontro. Já Novak Djokovic, o número um mundial, aumentou para 23 o número de triunfos consecutivos ao derrotar Gilles Muller por 6-1 6-4 6-4.
A juventude também sabe vencer (e de que maneira)
Se pena que os mais novos não sabem ganhar… Engane-se. Eles estão aí, querem afirmar-se mais do que nunca e, para isso, dão os primeiros passos de atrevimento na terra batida de Paris.
Estofo não lhes falta, assim como ‘ganas’ de vencer e físico para tal. Comecemos por Borna Coric, o croata sensação que até passou pelo Millennium Estoril Open em meados de abril/maio. Com Tommy Robredo (um verdadeiro especialista da superfície) pela frente, o jovem de apenas dezoito anos não se deixou intimidar e teve ténis para superar uma longa batalha de cinco sets (7-5 3-6 6-2 4-6 6-4) para se apurar pela primeira vez na carreira para a terceira eliminatória de um Major.
Na mesma tarde, também Thanasi Kokkinakis (apenas alguns meses mais velho) estabeleceu a melhor marca de carreira em provas Major. Se foi fácil? Não, não, nada disso… E esteve literalmente a um ponto de se despedir da cidade luz. É que, frente ao seu compatriota Bernard Tomic, ‘Kokki’ não só esteve a perder por dois sets a zero como, já no quinto parcial, teve de superar três match points consecutivos(!) antes de conseguir fechar o embate a 8-6. Notável.