Detalhes. No primeiro ponto do encontro, no jogo de serviço (e) ou na resposta. A dois pontos da derrota, enquanto se desliza para uma bola ou segundos antes de servir. Detalhes, o segredo do deslize está nos detalhes. E aqui o português permite-nos arriscar o trocadilho e ‘brincar’ com o deslize de uns, incapazes de se manterem em prova, e o de outros, suficientemente atrevidos para gritarem ‘presente!’ na segunda semana de Roland Garros. É a magia do ténis.
O segredo do deslize está (mesmo) nos detalhes
Número um só há uma e hoje, uma vez mais, Serena Williams mostrou as razões que a levam a ocupar a primeira posição da hierarquia mundial. Depois de Madrid, na memória de todos os espectadores, fãs um pouco por todo o mundo e, claro, das jogadoras estava a vantagem desperdiçada por Victoria Azarenka. Hoje, a história não foi muito diferente e apesar da bielorrussa não ter disposto de três match points voltou a ‘deixar no ar’ a ideia de ter desperdiçado uma grande oportunidade.
O registo é cada vez mais avassalador (a partir de hoje, 16-3) e, claro, não passa ao lado da cabeça de Azarenka antes de um encontro frente à norte-americana, mas a vigésima sétima posicionada na tabela WTA conseguiu entrar bem — muito bem! — no duelo e depressa se mostrou disposta a lutar pelo resultado. Sempre muito sólida do fundo do campo, a meio e nas subidas à rede, foi dominando perante uma Serena apática e de poucas armas. Construiu a sua vantagem e chegou mesmo a liderar por um parcial e um break, mas a vitória não chegou. Perdeu por 3-6 6-4 6-2 num duelo que ‘fechou’ com Williams a conquistar dez dos últimos doze jogos. Tudo dito.
Atrevida, sim, mas não o suficiente. Azarenka construiu o que muitas não conseguem. Enfrentou Serena de igual para igual, como aliás se pode ‘contentar’ (se fosse suficiente…) de sempre fazer, como quase ninguém ou nenhuma, mas não chegou. Uma vez mais, não chegou. O espectáculo dado, o arraso na fase inicial, não chegou. E aos poucos Williams foi gritando, cerrando o punho e recuperando terreno. Pouco a pouco, sempre atenta à mínima oportunidade, progrediu. E venceu para somar a sua nona vitória em outros tantos encontros frente à bielorrussa em torneios do Grand Slam.
Afinal, tão depressa se desliza para a vitória como da liderança para o desaire…
O ‘prémio’ pela vitória? Um carimbo nos oitavos-de-final da prova, onde voltará a ter pela frente uma jogadora norte-americana: Sloane Stephens, que hoje bateu Tsvetana Pironkova por 6-4 6-1.
O adeus da juventude
Nick Kyrgios, Thanasi Kokkinakis, Borna Coric. Todos eles grandes esperanças (e de certa forma já afirmações) do ténis mundial, todos eles em ação no dia de hoje em busca de um lugar na quarta ronda. Hoje, todos eles negados pelos adversários (bem) mais experientes, que deram um ‘grito’ de afirmação. Afinal, a experiência ainda ganha quase sempre à juventude. Quase sempre.
A abrir o dia, o vice-campeão do Millennium Estoril Open deu espectáculo, sim, mas não convenceu o suficiente para poder vencer sequer um set a Andy Murray, um dos melhores (senão mesmo o melhor…) jogador do ano até à data em terra batida, que com os parciais de 6-4 6-2 6-3 se apressou a avançar para a quarta eliminatória. O que significa? Que João Sousa, o nosso número um, foi o único a ‘roubar’ um parcial ao número três mundial durante a terceira semana. Números que ficam.
À semelhança de Kyrgios, também Thanasi Kokkinakis, o seu compatriota e amigo, subia a um grande palco — no caso, o Court Philippe Chatrier — para defrontar um dos grandes nomes do ténis nos últimos anos, Novak Djokovic. E, uma vez mais tal à ‘forma’ aussie do dia de hoje, rapidamente viu defraudadas as suas expectativas. Ainda que com nota positiva, ‘Kokki’ acabaria mesmo por perder por 4-6 4-6 4-6. Menos sorte ainda teve Borna Coric, que com parciais de 2-6 1-6 4-6 viu o norte-americano Jack Sock seguir para a próxima semana.
Mas e Rafael Nadal, o chamado rei da terra batida? Também venceu e, uma vez mais, sem dificuldades de maior, ao precisar de apenas três sets para, quase em escadinha, vencer Andrey Kuznetsov pelos parciais de 6-1 6-3 6-2 num embate em que alinhou trinta e três pontos ganhantes (do outro lado ainda ‘chegaram’ 28) contra 25 erros não forçados (o russo fez 26). Então… Onde esteve a diferença tão evidente? Na conversão de pontos de break, onde Nadal registou 8/14 e o seu adversário 2/6.
Allez les Bleus!
Sim, é verdade: o futebol é (quase) proibido quando se fala de ténis mas… Permitam-nos prolongar a expressão.
A luta pelo tão desejado título continua e este ano o ténis francês tem mais hipóteses do que nunca. Pelo menos do ponto de vista estatístico; afinal, trata-se do ano em que os gauleses reúnem mais tenistas nos oitavos-de-final da prova (cinco), igualando assim os registos de 1971 e 2008.
Depois de ontem Jo-Wilfried Tsonga, Gael Monfils e Gilles Simon terem garantido o apuramento para a quarta fase de Roland Garros, hoje foi a vez de Richard Gasquet e Jeremy Chardy o fazerem. No caso do campeão do Millennium Estoril Open, foram necessários quatro sets para que Kevin Anderson ficasse pelo caminho (4-6 7-6[4] 7-5 6-4], enquanto Chardy brilhou para, em parciais diretos (6-3 6-4 6-2) ‘matar’ as aspirações de David Goffin.
Nos restantes encontros da jornada…
Ainda neste sábado, seguiram em frente Petra Kvitova (6-3 6-2 v. Begu), Sara Errani (6-3 6-3 v. Andrea Petkovic), Andreea Mitu (7-5 6-4 v. Francesca Schiavone), Timea Bacsinszky (6-4 6-2 v. Madison Keys), Julia Goerges 6-4 6-1 v. Irina Falconi) David Ferrer (6-3 1-6 5-7 6-0 6-1 v. Simone Bolelli) e Marin Cilic (6-3 6-2 6-4 v. Leonardo Mayer), num dia que viu ainda a belga Alison Van Uytvanck ‘surpreender’ o mundo ao derrotar a favorita do público, Kristina Mladenovic, pelos parciais de 6-4 6-1.