Uma suspeita de incêndio num dos principais campos do recinto, calor, muito calor, e poucas batalhas para mais tarde recordar. A terceira jornada de ténis nos míticos courts relvados do All England Club, em Londres, deu espaço a surpresas mas não a épicos duelos, com os protagonistas, incluindo apanha bolas, a serem claramente afetados pelas temperaturas recorde.
O dia em Wimbledon não começou bem. Logo pela manhã, um (depois confirmado como) falso alarme de incêndio nas bancadas do Court No. 1 fez com que fossem chamadas às imediações do complexo, em SW’19, as unidades do corpo de bombeiros; pouco depois, era bloqueada uma das estradas adjacentes ao clube… Devido à queda de uma árvore ‘para lá’ das grades que delimitam a sua área.
Também dentro dos campos se sentiram as temperaturas
Os 35.7º graus que se fizeram sentir na tarde desta quarta-feira em Wimbledon — que superam os 34.6º registados no verão de 1976 — afetaram quer jogadores quer apanha bolas e a meio da jornada foi mesmo necessário chamar uma equipa de cuidados médicos ao Court 17 para socorrer um jovem desmaiado durante um dos encontros; já em campo, o calor destacou-se mais pelo efeito negativo causado nos jogadores, que acusaram as elevadas temperaturas e nem sempre conseguiram apresentar o seu melhor ténis.
Protagonista de uma das maiores surpresas da edição transacta ao derrotar Rafael Nadal, Nick Kyrgios somou hoje a sua segunda vitória consecutiva em dois sets mas, mais uma vez, foi pelas atitudes para com o árbitro e não pela sua performance que o jovem aussie mais se destacou. Em pleno encontro (7-6[5] 6-3 6-4) com Juan Monaco, Kyrgios começou por demonstrar alto e em bom som estar descontente com o calor — “Não me sinto bem, tenho uma grande dor de cabeça.” Se até aí as palavras eram inocentes, a dada altura do encontro o jogador foi mais além e teve mesmo um duelo menos simpático com o árbitro de cadeira: “Sabe bem estar aí em cima na cadeira? Sentes-te forte por estar aí em cima?”
Histórias à parte, também os seus compatriotas Bernard Tomic (7-6[3] 6-4 7-6[4] a Pierre-Hugues Herbert) e Samantha Stosur — 6-3 6-4 perante Urszula Radwanska — seguiram em frente sem dificuldades de maior, enquanto o espanhol Fernando Verdasco voltou a precisar de cinco partidas (foi, aliás, um dos poucos duelos do dia a ir ‘até ao fim’ no quadro masculino) para seguir em frente: venceu Dominic Thiem por 5-7 6-4 5-7 6-3 6-4.
Um possível adeus, uma desilusão, uma saída invicta
De histórias se faz um torneio e tanto as há positivas como negativas. Ora, Wimbledon não foge à regra e bem cedo viu uma das grandes figuras da competição abdicar da disputa da segunda ronda. Lesionado no gémeo esquerdo, Kei Nishikori não conseguiu entrar em campo para defrontar o colombiano Santiago Giraldo (que segue assim para a terceira ronda) e pela segunda vez consecutiva — já o havia feito em Halle — viu a prestação num torneio de relva ficar condicionada pelo seu estado físico. Para o Centre Court acabou por ser movido o embate de Marin Cilic frente a Ricardas Berankis, que acabaria por se revelar como uma das grandes batalhas do dia: 6-3 4-6 7-6(6) 4-6 7-5 para o campeão do US Open mas só depois de 3h34.
Menos sorte que Giraldo e Cilic tiveram Ana Ivanovic e Tommy Haas. A tenista sérvia, ex-semi-finalista na relva de Wimbledon, não teve armas nem condição física (demonstrou regularmente claras dificuldades na zona das costas) para combater com a qualifier Bethanie Mattek-Sands que com os parciais de 6-3 6-4 somou a sua sexta vitória do ano em quadros principais (a quarta em torneios Major, depois de ter atingido a 3ª ronda em Melbourne); já o germânico, que aos 37 anos está na iminência de poder disputar pela última vez na carreira o torneio (ainda não confirmou nem desmentiu as indicações apontadas pela imprensa mundial), ainda fez pela recuperação mas acabou por não ter armas suficientes para combater Milos Raonic.
O principal motivo? O forte serviço do canadiano, que apontou 29(!) ases rumo ao seu triunfo por 6-0 6-2 6-7(5) 7-6(4). Um deles, aliás, foi apontado a 233 km/h, o que lhe vale o terceiro lugar na lista de serviços mais rápidos da história de Wimbledon.
Favoritos, sim, e vencedores sem contestação
Menos ‘história’ tiveram os encontros dos principais candidatos ao título, que nos maiores courts do complexo cumpriram com os respetivos compromissos para, sem dificuldades de maior, marcarem lugar na terceira ronda. Do lado masculino, o sérvio Novak Djokovic derrotou (6-4 6-2 6-3) e colocou um ponto final na carreira de Jarkko Nieminen, da Finlândia, em Wimbledon, enquanto o suíço Stanislas Wawrinka deu mais um passo rumo à tentativa de se tornar no primeiro jogador desde Rafael Nadal, em 2010, a conquistar Roland Garros e Wimbledon no mesmo ano. Para isso, o helvético venceu Victor Estrella Burgos por 6-3 6-4 7-5; Grigor Dimitrov, semi-finalista no All England Club há um ano, derrotou o norte-americano Steve Johnson pelos parciais de 7-6(8) 6-2 7-6(2).
No quadro feminino, quer Serena quer Venus Williams, ambas pentacampeãs da prova, seguiram em frente: a número um mundial venceu Timea Babos com uma exibição autoritária (6-4 6-1). A fechar a jornada, Venus colocou um ponto final nas esperanças da sempre perigosa Yulia Putintseva ao selar o triunfo em parciais diretos com os números de 7-6(5) 6-4. Ainda hoje, também Maria Sharapova (6-3 6-1 a Richel Hogenkamp) e Victoria Azarenka (6-3 6-3 perante Kirsten Flipkens) deram mais um passo rumo à segunda semana da prova.