Uma vez mais, não parece haver quem a pare. Serena Williams sabe bem o que é ganhar em Wimbledon e está determinada em voltar a vencer na relva do All England Club. Hoje, teve um verdadeiro desafio à altura — ‘daqueles’ tão admirados (e sofridos) pelos britânicos. Voltou a seguir em frente e juntou-se às favoritas na segunda semana. O dia foi, aliás, ‘escaldante’ e grandes batalhas tomaram forma antes da jornada ser interrompida a meio(?) de uma maratona.
É a própria quem o diz: “Foi provavelmente o encontro mais difícil que joguei no Centre Court.” E Heather Watson pode sentir-se ‘positivamente culpada’. É que, durante 135 minutos, a britânica, heroína dos milhares de espetadores que esgotaram o estádio e a viram lutar de igual para igual com uma das melhores da história, fez de tudo para merecer um lugar na quarta ronda e, consequentemente, a sua primeira segunda semana (por confuso que soe…) em torneios do Grand Slam.
Com dois breaks (3-0) de vantagem no último set, Watson recebeu muitos elogios de Serena no final de um dos encontros melhor disputados da presente edição do torneio até ao momento. Para a número um, Heather “devia ter ganho o jogo; ela esteve a liderar por dois break.” E talvez devesse, mas do outro lado estava a norte-americana, a líder do ranking mundial, que conta com mais experiência do que ninguém e apela à guerreira que há em si nos momentos de desvantagem. Hoje, conseguiu-o no limite. Lá venceu, por 6-2 4-6 7-5, mas está ‘avisada’.
Se Serena Williams ‘sofreu’, o mesmo se pode dizer de Marin Cilic e John Isner, que viram o seu encontro ser interrompido devido à falta de luz natural às 21h21 de Londres (a mesma hora em Lisboa), quando estavam no court a defrontar-se há 4h15. Ao longo dos quatro sets ‘e meio’, o croata e o norte-americano ‘dispararam’ winners dos dois lados do campo e levaram ao rubro os milhares de espetadores que permaneceram colocados aos seus lugares. A dada altura, foram avisados de que o hawk-eye não reunia condições para continuar a servir de apoio oficial ao encontro e mesmo assim quiseram continuar. Só a falta de luz natural ditou a interrupção, com o resultado a 7-6(4) 6-7(6) 6-4 6-7(4) 10-10 (marcador: Cilic-Isner).
1, 2, 3, 4. Duas batalhas ‘reais’. Vem aí a final do Estoril
Esperava-se muito, muito, de quatro dos encontros do quadro principal de singulares masculinos agendados para a jornada desta sexta-feira mas ao final da manhã já os marcadores davam a entender que ‘apenas’ uma das três primeirasbatalhas poderia ser considerada… Real. E foi precisamente a primeira a tomar lugar aquela que mais encantou.
Enquanto as portas do Centre Court e do Court No. 1 ‘não abriam’, Nick Kyrgios e Milos Raonic iam lutando num verdadeiro ‘tu-cá-tu-lá’ nos seus jogos de serviço. E o australiano até começou melhor, mais eficaz e a perder menos pontos, mas três duplas-faltas num só jogo custaram-lhe o break decisivo no parcial inaugural. Depois, e em busca da ‘desforra’ da derrota para o canadiano nos quartos-de-final de 2014, o vice-campeão do Millennium Estoril Open começou a construir aquela que viria a ser uma celebrada vitória. Os parciais? 5-7 7-5 7-6(3) 6-3 a favor do aussie. Quanto aos ases? Também aí Nick Kyrgios levou a melhor, apontando 34 contra 18.
O resto da história contamos num outro sítio, aqui.
Ah, é verdade! Os restantes duelos igualmente aguardados, que colocavam frente a frente Grigor Dimitrov e Richard Gasquet no Centre Court e Stanislas Wawrinka e Fernando Verdasco (6-4 6-3 6-3 para o campeão de Roland Garros) no Court No. 1, foram menos entusiasmantes. No primeiro, o francês levou a melhor por simples 6-3 6-4 6-4, deixando pelo caminho um dos semi-finalistas do ano passado para garantir, na quarta ronda, a reedição da final do Millennium Estoril Open (ganha pelo próprio). O jogo não é, no entanto, apenas uma repetição da final do evento português… É que em 2014 Nick Kyrgios conseguiu uma das melhores vitórias da carreira neste mesmo palco ao recuperar de dois sets a zero e salvar nove(!) match points pa ra vencer o francês por 3-6 7-6(4) 6-4 7-5 10-8 e chegar à terceira ronda.
Um desfile de favoritos
Com mais ou menos jogo cedido, a verdade é que a maioria dos principais candidatos ao título seguiu para a quarta ronda sem grandes dificuldades. Novak Djokovic, o número um mundial, foi um deles, ao ceder apenas três jogos por set frente ao australiano Bernard Tomic, enquanto Maria Sharapova, que não vence um título em relva há… 10 anos, venceu Irina-Camelia Begu, da Roménia, por 6-4 6-3.
Também no setor feminino, a bem experiente Venus Williams voltou a ultrapassar um desafio (6-3 6-2 Aleksandra Krunic), confirmando assim o estatuto de 16ª cabeça de série, e está na quarta ronda de Wimbledon pela primeira vez desde 2011. Já Lucie Safarova, a finalista da última edição de Roland Garros, venceu Sloane Stephens por 3-6 6-3 6-1; coube a Zarina Diyas, do Cazaquistão, a verdadeira surpresa da jornada, ao deixar de fora a alemã Andrea Petkovic, 14ª favorita, com os parciais de 7-5 6-4.
… E lugar para o atrevimento
Belinda Bencic e Denis Kudla escreveram hoje duas páginas bonitas da história do torneio. A suíça, número 22 mundial, confirmou todo o favoritismo ao derrotar Betthanie Mattek-Sands, por 7-5 7-5, e está assim na quarta-ronda de um torneio do Grand Slam pela primeira vez na carreira, enquanto o norte-americano, convidado pela organização para disputar o evento, conseguiu surpreender o mais cotado Santiago Giraldo ao fim de cinco equilibrados parciais, por 6-2 6-7(3) 2-6 6-1 6-3, para marcar presença na quarta fase de um Major igualmente pela primeira vez na carreira. O norte-americano, recorde-se, é o #105 mundial.