Petra Kvitova não pára de sorrir. Nem mesmo quando as notícias não são as melhores e os motivos para se preocupar aumentam, como foi o caso dos dias que se sucederam a Wimbledon, quando a jogadora checa de 25 anos foi diagnosticada com mononucleose. À conversa com a WTA na all access hour de Toronto, no Canadá, a bicampeã de Wimbledon mostra-se empenhada em ultrapassar a doença e regressar à melhor forma. Para já, tem ‘luz verde’ para ir a jogo.
“Depois de Wimbledon passei uns dias de férias no Mónaco e a dada altura tentei treinar um bocadinho”, começou por explicar Petra Kvitova à jornalista Courtney Nguyen, responsável pela nova rubrica do circuito feminino, WTA Insider. “Infelizmente depois descobri que fui diagnosticada com mono[nucleose] portanto agora é mais difícil para mim trabalhar da forma ideal.”
Se o título em Madrid parecia dar bons indícios numa fase da época em que ainda não tinha conhecimento da doença, a temporada começou desde cedo a ser perturbada pela fatiga intensa sentida pela checa, que agora conta que tentou “tratar o cansaço e dores de garganta com antibióticos depois de Wimbledon, mas não consegui e foi por isso que percebi que o meu sistema imunitário estava fraco. Depois fiz mais testes e a mononucleose foi descoberta.”
Apesar de tudo, a número quatro mundial não aponta as culpas à doença pela má forma em que tem estado e que a levou inclusive a desistir de Indian Wells e Miami devido ao cansaço ainda no mês de fevereiro. “Muitas coisas ficaram claras agora mas não tenho a certeza absoluta de que se não tivesse mononucleose estaria a jogar bem. Não é algo que eu possa dizer porque ainda tive oportunidades de ganhar. Só me ajuda a perceber porque é que me sentia cansada.”
“O mais provável é a mononucleose ter surgido durante a Primavera”, revelou ainda Kvitova. “Ainda tenho um bocadinho mas já estou apta a jogar. O meu médico deu-me permissão para o fazer mas claro que fico preocupada com os treinos e tudo o resto.” Afinal, a mononucleose é uma doença que tem vindo a afetar várias jogadoras — no circuito feminino, são exemplos Christina McHale e Heather Watson mas também Jarmila Gajdosova, que aquando da revelação da checa disse sofrer da doença há mais de um ano; também no masculino já ‘causou estragos’, levando Robin Soderling e Mario Ancic ao abandono das suas carreiras e, em 2008, à preocupação em torno de Roger Federer.
A possibilidade de falhar parte — ou mesmo toda — da temporada assustou Kvitova durante algum tempo, como a própria revela, mas ainda assim a número um da República Checa consegue encontrar aspetos positivos. “Por outro lado, são notícias positivas. Sei finalmente porque é que me sentia tão mal e tão cansada. Essas são as boas notícias para mim! Vou dar o meu melhor [para recuperar] e estamos a trabalhar num calendário que me permita ficar bem rapidamente.”
Confrontada com o timing de revelação da doença, Petra disse ter decidido falar sobre o diagnóstico em Toronto por não querer “enganar ninguém ao dizer às pessoas que estive a trabalhar muito depois de Wimbledon e que estou pronta para jogar e ganhar este torneio. Não me ia sentir confortável a não jogar bem e mentir às pessoas. Para além disso, muitos jogadores no circuito tiveram esta doença portanto talvez seja bom para mim falar mais sobre ela.”