É com um abrir e fechar de olhos que se chega ao fim do sétimo dia de competição em Nova Iorque e termina a primeira semana do US Open 2015. Este sábado, nos courts de Flushing Meadows, jogou-se pela passagem à quarta eliminatória e a página mais bonita da história ficou a cargo de Johanna Konta e Donald Young, que em língua inglesa escreveram o parágrafo de ouro do primeiro dia do Labor Day Weekend. Mas se a britânica e o norte-americano conquistaram os corações de todos, foram Victoria Azarenka e Angelique Kerber a dar o grande espetáculo.
Nervos de aço colocam Konta e Young nos ‘oitavos’ do US Open
Nervos de aço. Assim se definem as prestações de Johanna Konta e Donald Young, que voltaram a vencer para se apurarem para os oitavos-de-final do US Open, uma fase de onde nunca passaram em torneios do Grand Slam. Melhor dizendo, onde a britânica nunca tinha estado e onde o norte-americano foi derrotado na única vez em que o conseguiu.
E que vitórias! Se, até derrotar Gilles Simon, Young nunca tinha conseguido recuperar de uma desvantagem de dois sets a zero, a remontada voltou a proporcionar-se depois de ver o sérvio Viktor Troicki, 22.º cabeça de série, ganhar as duas primeiras partidas de forma autoritária (6-4 6-0). Se o marcador apontava para um embate quase resolvido, o coração de Young dizia outra coisa e o Grandsand — que acolhia este como sendo o último encontro masculino da sua história — foi um fator fundamental na reviravolta, que seria consumada com a pontuação a ficar em 4-6 0-6 7-6(3) 6-2 6-4 para o número 68 mundial, que antes do US Open atravessava uma série de 9 derrotas consecutivas em torneios ATP (Indian Wells-Atlanta).
Ora, se Young se apurou pela segunda vez para a segunda semana em Nova Iorque, Johanna Konta fê-lo pela primeira vez em toda a sua carreira ao somar mais uma grande vitória sobre uma jogadora com credenciais afirmadas. Depois de ‘bater’ Garbine Muguruza no duelo mais longo da história do torneio, a britânica de 24 anos derrotou Andrea Petkovic, por 7-6(2) 6-3, (num encontro em que até teve menos winners — 19 para 26 da germânica — e mais erros não forçados — 28 para 22) para fixar um novo máximo de carreira em torneios do Grand Slam. Tudo isto graças à sua 16.ª vitória consecutiva. Isso mesmo, décima sexta, ou não viesse ela das vitórias nos ITFs de Granby e Vancouver contasse já com seis (três deles no qualifying) encontros ganhos no US Open.
Azarenka quebra rotina dos favoritos com espetáculo monumental
Victoria Azarenka e Angelique Kerber. Espetáculo. Aplausos, fair-play. A jornada de ontem poderia resumir-se ao encontro entre a bielorrussa e a germânica e todos ficariam satisfeitos. Poderia ter sido uma final ou um encontro de uma ronda (bem) mais avançada da competição, mas quis o destino (ou, melhor dizendo, o sorteio) que ambas se enfrentassem na terceira ronda. Afinal, e é preciso não esquecer, a bielorrussa está a (re)escalar no ranking e ainda ocupa a 20.ª posição.
Mas foquemo-nos no jogo. A ex-número um mundial foi quebrada nas três primeiras vezes em que serviu e chegou a estar a perder por 2-5, mas a partir daí aumentou a fasquia do nível ‘mínimo’ de jogo e começou a proporcionar aos presentes e a todos os outros que assistiam aquele que viria a ser o melhor encontro da jornada. Se Azarenka entrou em jogo, também Kerber o fez e, apesar de não mais ter conseguido inscrever o seu nome no marcador da primeira partida, recuperou terreno na segunda para confirmar o grande encontro no terceiro set.
Se as palavras não forem suficientes para descrever um duelo que só terminou com os parciais de 7-5 2-6 6-4 e corridas três horas de jogo, talvez os números ajudem: ao longo dos três parciais, Azarenka apontou 51 winners (contra 33 erros não forçados) e Kerber (46 (31 erros não forçados), o que resultou num total de 116 pontos ganhos pela bielorrussa — que precisou de cinco match points para seguir em frente — e 110 ganhos pela alemã, que assim deixa a prova onde em 2011, depois de três primeiras rondas consecutivas nos restantes torneios, se anunciou ‘verdadeiramente’ ao mundo do ténis.
Se Victoria Azarenka teve de ‘puxar dos galões’ para seguir para a segunda semana do US Open, o mesmo não se pode dizer dos restantes grandes candidatos ao título que entraram em ação. Do lado masculino, entre Roger Federer (que derrotou Philipp Kohlschreiber por 6-3 6-4 6-4 para garantir a sua 10.ª vitória em 10 jogos frente ao germânico num encontro que, ainda assim, ditou a cedência do seu primeiro jogo de serviço desde a final de Wimbledon), Andy Murray (6-3 6-2 7-5 frente ao brasileiro Thomaz Bellucci), Stanislas Wawrinka (d. Ruben Bemelmans por 6-3 7-6[5] 6-4), Richard Gasquet (que com os parciais de 6-4 6-3 6-2 fez de Bernard Tomic um adversário ‘vulgar’) e Tomas Berdych (6-7[2] 7-6[7] 6-3 6-3) perdeu-se apenas um set, numa jornada que ainda assim poderia ter sido de grande perigo para o checo, sexto favorito ao título e ex-semifinalista em Nova Iorque, que esteve perto de ficar a perder por dois sets a zero diante de Guillermo Garcia-Lopez.
De volta ao lado feminino, Simona Halep deu mais um passeio (6-2 6-3 perante Shelby Rodgers) e Petra Kvitova não se ficou atrás, derrotando Anna Karolina Schmiedlova por 6-2 6-1. A jornada foi igualmente positiva para a 24.ª pré-designada, Sabine Lisicki, que com os parciais de 6-4 4-6 7-5 frente a Barbora Strycova garantiu ser a única jogadora alemã a apurar-se para a segunda semana.
João Sousa iguala melhor resultado da carreira em pares
A parceria com o experiente argentino Leonardo Mayer não poderia estar a correr melhor a João Sousa. Fora do quadro principal de singulares com uma derrota algo surpreendente para Ricardas Berankis em cinco sets, o número um nacional derrotou, ao lado do argentino, os campeões de Wimbledon em 2014 (Jack Sock e Vasek Pospisil) na ronda inaugural e este sábado voltou a somar mais uma boa vitória para chegar aos oitavos-de-final de um Major (em pares) pela segunda vez na carreira, depois de Roland Garros em 2014.
O resultado? 6-4 6-4 favorável à dupla luso-argentina, que defrontou uma equipa 100% argentina, composta por Federico Delbonis e Diego Schwartzman, num encontro marcado pela grande eficácia de Sousa e Mayer nos pontos de break: converteram todos os quatro de que dispuseram e salvaram cinco dos sete que enfrentaram. Na próxima ronda, enfrentam o britânico Colin Fleming e o filipino Treat Huey.
Emparelhamento dos oitavos-de-final | segunda semana do US Open
Concluídos os seis primeiros dias de competição, o US Open abraça a quarta ronda, ou seja, os oitavos-de-final, já este domingo. Eis o emparelhamento dos encontros:
#USOpen R16:
Serena-Keys
Venus-Kontaveit
Mladenovic-Makarova
Vinci-BouchardKvitova-Konta
Stosur-Pennetta
Lepchenko-Azarenka
Lisicki-Halep— Ben Rothenberg (@BenRothenberg) September 6, 2015
#USOpen R16:
Djokovic-Bautista Agut
Lopez-Fognini
Paire-Tsonga
Cilic-ChardyWawrinka-Young
Anderson-Murray
Berdych-Gasquet
Isner-Federer— Ben Rothenberg (@BenRothenberg) September 6, 2015