O que fazer quando uma temporada começa relativamente bem, se prolonga em forma dos piores pesadelos e começa a ganhar um raio de luz já perto do fim, quando se sofre um novo ‘desastre’? É, provavelmente, uma pergunta sem resposta e é aquela com que Eugenie Bouchard se coloca agora; no seu melhor momento do ano, a canadiana foi forçada a abandonar a prova por lesão no dia em que as irmãs Williams regressaram ao passado para garantirem mais um duelo-espetáculo entre ambas. Por terras lusas, no entanto, o mais celebrado foi o triunfo histórico de João Sousa. Tudo isto (e muito mais!) aconteceu num só dia de ténis em Flushing Meadows, ou não acolhesse Nova Iorque o US Open.
Duelos-espetáculo começam a ser conhecidos
Depois dos embates inaugurais, começa a ser conhecido o emparelhamento dos quartos-de-final, das fases mais adiantadas do torneio; na próxima terça-feira, o campeão em título Marin Cilic terá pela frente um Jo-Wilfried Tsonga que procura, também ele, recuperar de uma época menos positiva ao carimbar presença nas meias-finais de um torneio do Grand Slam.
Porquê? Porque o croata, nono cabeça de série e campeão em título do US Open, derrotou o francês Jeremy Chardy por 6-2 2-6 7-6(1) 6-1 num jogo que poderia facilmente ter ditado uma quinta e decisiva partida não fosse o bloqueio do tenista gualês quando liderava por um break. Quanto a Cilic, manteve a sua calma para carimbar o seu décimo primeiro triunfo consecutivo em Nova Iorque para se manter na rota de mais um título.
Se Cilic ainda perdeu um set, Jo-Wilfried Tsonga viu o seu compatriota Benoit Paire — o carrasco de Kei Nishikori — entrar em campo ‘desligado’ para poder desenhar facilmente o percurso de uma vitória (6-4 6-3 6-4) e ficar mais perto de repetir as meias-finais de Wimbledon que de certa forma vão salvando a sua época de 2015.
Na primeira grelha da metade superior do quadro, o número um mundial, Novak Djokovic, tinha pela frente o espanhol Roberto Bautista Agut naquele que se esperava ser o encontro mais complicado para o sérvio até à data; esperava-se e, bem, assim foi. Pela primeira vez no torneio, Djokovic perdeu um parcial mas, ainda assim, não deixou de dominar o encontro. Com os parciais de 6-3 4-6 6-4 6-3 seguiu para os quartos-de-final mas no registo ficam os 37 erros não forçados cometidos.
E porque quem é número um mundial é ‘desejado’ por todos, a vitória de Djokovic vai de encontro à vontade de Feliciano Lopez, que defrontou e venceu Fabio Fognini (6-3 7-6[5] 6-1) no primeiro embate de carreira entre ambos e, já no final, revelou querer jogar “com o melhor jogador do mundo na atualidade.” Desejo pedido, desejo realizado. Apurado para os primeiros quartos-de-final de carreira em Nova Iorque, o espanhol terá o adversário desejado na próxima fase; para já, torna-se num de oito jogadores com 33 anos ou mais a atingir os quartos-de-final do US Open; quanto a Fabio Fognini, não conseguiu sair em courts sem deixar mostras da sua personalidade e, no momento de cumprimentar o árbitro de cadeira, ‘saiu-se com isto‘.
Duelo que todos queriam apimenta quartos-de-final do US Open
É inevitável: não interessa a forma de uma ou de outra jogadora ou a fase em que se possam encontrar; quando Serena e Venus Williams figuram as duas no mesmo quadro e, sobretudo, na mesma metade, é desejo de todos ver mais um duelo-espetáculo entre as duas irmãs. Se a maioria dos embates é favorável à mais nova das jogadoras norte-americanas, também Venus conta com triunfos muito importantes e é dada por muitos como a maior ameaça de Serena ao título.
Mas vamos por partes. Para garantirem que se encontravam nos quartos-de-final, as duas jogadoras precisaram de vencer os respetivos jogos deste domingo: Venus, a 23.ª cabeça de série, não deu quaisquer hipóteses à qualifier Anett Kontaveit, vencendo por 6-2 6-1 num encontro em que ‘apenas’ teve tempo de alinhar 15 winners e onde o relógio não passou dos 50 minutos. Já Serena, a primeira cabeça de série e candidata ao Calendar Slam, tinha pela frente a compatriota Madison Keys num duelo que se adivinhava muito complicado para a número um mundial mas exibiu-se ao seu melhor nível até à data para, com os parciais de 6-3 6-3, deixar ‘para trás’ mais uma adversária complicada.
Confirmado que está o popcorn match entre Serena e Venus Williams nos quartos-de-final, parte das atenções focam-se também no duelo seguinte, que colocará frente a frente Kristina Mladenovic e Roberta Vinci para ‘dar’ ao torneio uma semi-finalista inédita. A tenista francesa apurou-se pela primeira vez na carreira para os quartos-de-final de singulares de uma prova do Grand Slam ao derrotar a bem mais experiente Ekaterina Makarova, 13.ª cabeça de série e semi-finalista há um ano, por 7-6(2) 4-6 6-1 num embate em que dispôs de 15(!) pontos de break;
Já Roberta Vinci… Roberta Vinci não teve de entrar em court porque viu serem confirmadas as suspeitas de que a queda de Eugenie Bouchard no balneário dois dias antes seria um entrave ao regresso da jovem canadiana aos courts. Se no sábado anunciou a desistência dos pares femininos e dos pares mistos, ontem, domingo, a ex-número um mundial esperou até à última antes de ter de confirmar que não conseguiria entrar em campo. E assim, de repente, com três vitórias somadas a acrescentar às apenas nove até então na presente temporada (tem 17 derrotas), Bouchard coloca um ponto final no melhor momento da sua época desde os quartos-de-final no Australian Open e na série de vitórias e confiança que parecia vir a atingir nos últimos dias.
João Sousa, o conquistador
O US Open vai ficar para sempre na história do ténis português e da carreira de João Sousa. Se já fora em Nova Iorque que o vimaranense atingira pela primeira vez na carreira a terceira ronda em singulares num torneio do Grand Slam, é agora em Nova Iorque que garante pela primeira vez na carreira presença nos quartos-de-final: em pares e ao lado do argentino Leonardo Mayer. Contamos-lhe mais aqui.