Fez história em 2015 ao tornar-se na primeira tenista brasileira a conquistar um título em ‘casa’, define-se como uma pessoa feliz e tem o sonho de integrar o top10 mundial. Falamos de Teliana Pereira, a melhor jogadora da atualidade do ténis brasileiro feminino, que em entrevista exclusiva ao Ténis Portugal reflete sobre a última época, as conquistas já alcançadas e… O futuro. Os próximos meses são decisivos para Teliana, que depois de vencer em casa, no WTA de Florianopolis, quer estar nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016.
Entrevista
Ténis Portugal: Como é a Teliana aos 27 anos? Pode falar-nos um bocadinho de si sem a ‘pele’ de jogadora?
Sou uma pessoa feliz por tudo que conquistei, tenho pessoas maravilhosas ao meu lado que me fazem acreditar em muitos sonhos.
Ténis Portugal: E jogar em casa, como é? Primeiro no Rio Open, depois em Florianopolis e, claro, na Fed Cup… Qual é a sensação de jogar perante o povo brasileiro?
É incrível a sensação de jogar em casa e ter o apoio de todos. Adoro quando me chamam de guerreira, isso me deixa muito forte.
Ténis Portugal: Como quebra recordes nos últimos anos na história do ténis feminino brasileiro, sente que a aceitação da modalidade tem evoluído?
Tem evoluído sim. As meninas estão acreditando que podem chegar também, tem mais jogadoras disputando os torneios pelo Brasil e sonhando em um dia se tornarem profissionais.
Ténis Portugal: Qual é a sensação de ser número um do Brasil? Há uma pressão acrescida, uma certa responsabilidade, ou não sente o “peso” desse estatuto?
Sinto uma responsabilidade grande em mostrar meu comprometimento com o ténis, tento passar que com muito trabalho e dedicação é possível ir longe. A pressão existe sempre mas tento usá-la de maneira positiva para continuar evoluindo.
Ténis Portugal: No circuito ITF conta com um impressionante registo de 30 finais em singulares (22-8) e 22 em pares (10-12). Não será fácil encontrar muitas jogadoras com números semelhantes… como explica tamanho sucesso nestes torneios? Há um ‘segredo’?
Fico muito feliz e mostra que fui e estou a ser uma jogadora constante também. Hoje em dia eu não penso nesses números, procuro focar nos próximos objetivos e no que posso conquistar. Acredito que daqui a alguns anos vou olhar para trás e ficar muito orgulhosa de tudo o que fiz.
Ténis Portugal: Quatro meses, dois títulos. Primeiro em Bogotá, na Colômbia, e por fim em Florianopolis, no Brasil, em casa, perante tudo e todos. O que é que a Teliana Pereira que tanto lutou por chegar às melhores sente ao conquistar estes torneios?
Uma sensação maravilhosa que é difícil colocar em palavras. Ganhar em Bogotá o meu primeiro WTA, quando no ano passado conversando com meu namorado, Alexandre Zornig, falei que o meu maior sonho era ganhar um torneio desse nível, conseguir… Depois o título em casa foi melhor ainda, ao lado da minha família, amigos e muito brasileiros que lotaram as bancadas e que torciam de casa também. Já me sinto realizada por essas conquistas.
Ténis Portugal: Vencer a final frente à Annika Beck por 6-4 4-6 6-1 depois de 2h36’ foi o melhor momento da sua carreira? Afinal, quebrou-se um jejum de 28 anos sem conquistas ‘locais’ no ténis feminino… E logo em frente aos seus amigos e família. Como é que se chega a um dia destes? Há preparação possível?
Foi o melhor momento da minha carreira, sem dúvida. Cheguei dois dias antes [do começo do torneio] a Florianopolis e não sabia se poderia jogar pois estava machucada. Fiz um forte trabalho de fisioterapia e entrei no torneio pensando apenas em tentar jogar ténis e sem nenhuma expectativa. A cada dia fui melhorando e a confiança foi crescendo.
Ténis Portugal: Com o título, o top50. Dois ‘grandes’ objectivos conquistados na mesma semana e, claro, novas portas abertas. Já traçou expectativas para o resto do ano? Qual é o principal objetivo para os últimos meses de 2015?
Quero manter a evolução. Esse ano pretendo melhorar meu jogo na quadra rápida disputando esses fortes torneios da WTA na China para no ano que vem estar mais confiante no piso.
Ténis Portugal: E nos Grand Slams? É seguro dizermos que chegar mais longe (depois de duas derrotas na segunda ronda de Roland Garros) é uma das próximas metas a atingir?
Para 2016, os Grand Slams e os Jogos Olímpicos serão grandes objetivos onde pretendo ir bem.
Ténis Portugal: A Gabriela Cé e a Beatriz Haddad Maia também começam a fazer ‘coisas bonitas’ no circuito. É importante para uma jogadora sentir que não está sozinha e que tem compatriotas a lutar pelo mesmo que ela?
Claro, conheço bem elas, são guerreiras. Tem outras jogadoras mais novas também com condições de jogarem os torneios da WTA. O Brasil é um país tão grande e ter uma jogadora apenas no top 100 é pouco perto do que podemos.
Ténis Portugal: Como é que se transmite esse desejo para dentro do campo quando estão juntas? Há um espírito de união e desejo de glória na Fed Cup ou os resultados em equipas ainda não são um objectivo muito definido na realidade actual do ténis feminino brasileiro?
Os torneios em equipe são importante porque estamos juntas, uma aprende com a outra, a união e a vontade de crescer ajuda muito, e no momento que acaba a Fed Cup partimos para os torneios confiantes pois saímos sempre mais fortes.
Ténis Portugal: Rio 2016. São os Jogos Olímpicos, a competição que todos querem jogar e vencer. Nos dias de hoje, a pouco menos de um ano do início da prova, consegue transmitir para palavras os sentimentos que sente quando pensa neles? Não é todos os anos que um jogador vive uns Jogos Olímpicos no seu próprio país… Será sem dúvida especial.
Será muito especial. Tive o gostinho de conquistar uma medalha no Pan do Rio em 2007, claro que as Olímpiadas são algo muito maior e que todos sonham estar lá. Primeiro sonho em estar lá, disputando os jogos, mas não custa sonhar com uma medalha também.
Ténis Portugal: Relativamente ao ténis masculino, costuma acompanhar com regularidade os resultados e feitos obtidos pelos jogadores no circuito ATP? Considera que o Brasil está numa boa fase?
Acompanho sim. Até porque meu irmão José está jogando os torneios e lutando para chegar nos ATPs e entre os 100 então torço por ele e acabo acompanhando alguns resultados do masculino.
O Brasil ainda pode crescer muito. Como falei é um país muito grande, onde nos destacamos em muitos esportes, e ter apenas 1 ou 2 no top 100 é pouco ainda mas acredito que com o trabalho correto vamos chegar lá em breve.
Ténis Portugal: Há alguma curiosidade acerca de si que o público normalmente não saiba? Um jogador preferido, algo que anda sempre consigo antes dos jogos, um hobbie…?
Durante os torneios mistos eu e meus treinadores gostamos de ver alguns treinos, principalmente do Nadal.
Sempre assitia alguns jogos dele na internet porque me inspirava bastante.
Ténis Portugal: Por último, gostaríamos de fazer um pequeno jogo de associação de palavras. Nós ‘damos’ uma e a Teliana responde com a primeira que associar à nossa. Vamos a isso?
– Teliana Pereira -guerreira
– Florianopolis – semana da vida
– Jogos Olímpicos – objectivo
– Top 10 – sonho



Se não tivesse dores crônica no joelho, a Teliana iria mais longe. Está de parabéns a Guerreira!