Tão cedo não haverá um dia tão emocionante quanto esta quinta-feira para o ténis australiano. 21 de janeiro de 2016 marca o final da carreira de Lleyton Hewitt, o herói de um país. Vindo de uma vitória na ronda inaugural, o ex-número um mundial regressou à Rod Laver Arena para um farewell (despedida) já depois de vários dos principais candidatos ao título da edição atual do Australian Open terem gritado ‘presente!’.
Com as bancadas totalmente preenchidas e os olhos postos na sua figura ao longo das 2h32 que esteve em campo, Lleyton Hewitt tinha poucas ou nenhumas hipóteses frente a um David Ferrer também já ‘trintão’ mas ainda muito em forma. Os esforços que fez não evitaram a derrota em três partidas (2-6 4-6 4-6) mas os australianos puderam ver pela última vez o seu guerreiro lutar por cada ponto, mostrar sinais de frustração quando não o conseguia e erguer o punho de uma forma que só ele ergue.
Ninguém passou ao lado dos momentos emocionantes que envolviam a despedida de um herói global e o próprio David Ferrer mostrou-se comovido durante a entrevista em campo, em que confessou que “ele é um herói, um ídolo para mim e um jogador incrível. Esta noite é muito especial para mim e vou recordá-la para sempre por ter disputado com o Lleyton o último jogo da sua carreira. Ele merece tudo e esta é a noite dele, não a minha.”
Mas o grande momento da noite ainda estava por chegar. Uma Rod Laver Arena quase em silêncio absoluto explodiu quando Hewitt se levantou rumo ao meio do court para a sua última entrevista dentro das linhas. Emocionado, acompanhado pelos filhos e orgulhoso por ter dado sempre 100% nos encontros que disputou, o australiano de 34 anos não escondeu algumas lágrimas de emoção enquanto falava da despedida dos courts. “O último mês foi fantástico. Sinto-me como se tivesse jogado em todas as cidades deste país, o público foi fantástico em todos os encontros e é uma verdadeira honra estar aqui.”
Azarenka voltou a dar ar da sua graça em dia de inspiração para Ivanovic e Muguruza
Arrasadora. Encontrar palavras para a forma atual de Victoria Azarenka talvez não faça justiça ao nível que a bielorrussa está a apresentar e a coloca diretamente no lote das maiores candidatas ao título. Bicampeã, ‘Vika’ voltou a não dar hipóteses a quem se colocou no seu caminho e esta quinta-feira foi a vez da montenegrina Danka Kovinic sofrer da sua ‘graça’, ao sair derrotada por 1-6 2-6 depois de 60 minutos de jogo e num encontro em que a ex-número um mundial cometeu apenas 9 erros não forçados.
Igualmente positivas foram as prestações da sérvia Ana Ivanovic e da espanhola Garbine Muguruza: a vice-campeã de 2008 ‘despachou’ Anastasia Sevastova por 6-3 6-3 num embate marcado por uma longa interrupção para que uma espetadora pudesse ser assistida depois de ter caído nas bancadas com gravidade; já a espanhola, terceira pré-designada e atual vice-campeã de Wimbledon, venceu a belga Kirsten Flipkens por 6-4 6-2.
Em sentido inverso seguiram quatro das cabeças de série que entraram em ação na quarta jornada em Melbourne, dando assim continuidade à forte eliminação de teóricas favoritas ao título. A sérvia Jelena Jankovic 19.ª) perdeu por 6-3 6-7(5) 4-6 para a alemã Laura Siegemund, cuja compatriota Annika Beck também brilhou ao deixar pelo caminho Timea Bacsinszky, a décima primeira cabeça de série, pelos parciais de 6-2 6-3; Elina Svitolina (18.ª) deixou-se surpreender pela japonesa Naomi Osaka, que com parciais de 6-4 6-4 alcança o melhor resultado da sua carreira em Majors e, por fim, Denisa Allertova fez uso das suas armas para surpreender por completo (6-3 2-6 6-4) a alemã Sabine Lisicki e assim avançar para a terceira eliminatória.
Murray e Wawrinka seguem de olhos postos no troféu
Na secção masculina do quadro, Andy Murray venceu ‘de olhos fechados’ o ‘gigante’ local Sam Groth, por 6-0 6-4 6-1 num encontro em que apontou 35 winners e, curiosamente, mais ases (10-6) do que o australiano, que tem no serviço uma das principais armas, para confirmar uma repetição da terceira ronda com o português João Sousa, que esteve em destaque no início da jornada.
Se Murray já foi por quatro vezes finalista, Stan Wawrinka tem uma história mais curta mas também mais feliz no torneio depois da vitória em 2014 e por isso continua de olhos postos num troféu que tão bem conhece, fazendo de tudo para chegar novamente às últimas etapas do torneio. Desta feita, coube ao checo Radek Stepanek o papel de vítima numa exibição de sentido único (6-2 6-3 6-4 para o helvético).
As boas notícias para o ténis australiano chegaram num dos dois últimos duelos do dia, com o décimo sexto pré-designado Bernard Tomic a fazer jus ao estatuto que enverga e derrotar o italiano Simone Bolelli por 6-4 6-2 6-7(5) 7-5 para avançar para a terceira ronda. Também Milos Raonic (7-6[6] 7-6[5] 7-5 a Tommy Robredo) e Gael Monfils (7-5 6-4 6-1) venceram neste quarto dia de ténis em Melbourne, que fica ainda marcado pelo novo atrevimento de Lukas Rosol (surpreendeu o vigésimo quinto favorito, Jack Sock, por 7-6[6] 7-6[5] 6-3, para chegar pela primeira vez à terceira ronda) e a desilusão em torno de Fernando Verdasco. O tenista espanhol não conseguiu dar continuidade à forma que apresentou no duelo que ditou a sentença de Rafael Nadal em solo australiano e deixou-se bater pelo israelita Dudi Sela, parciais de 6-4 3-6 3-6 6-7(4).