Diário de Frederico Marques – 9ª entrada

Mais uma semana, mais uma entrada do Diário de Frederico Marques. Desta feita, o técnico português fala-nos dos dias passados em Casablanca, dos problemas físicos que João Sousa enfrentou e de algumas peripécias que os dois tiveram pela frente em terras marroquinas. Tudo isto e muito mais a não perder num exclusivo Ténis Portugal!

Esta semana em Casablanca aconteceu um bocadinho de tudo: chegámos com a máxima força, depois de ter descansado uns dias em Barcelona e Portugal, e os dois primeiros dias correram da melhor maneira possível, com treinos de muito bom nível. As primeiras rondas de singulares e pares correram da melhor maneira, com duas vitórias a um nível competitivo muito alto e dando continuidade aos resultados das últimas semanas de competição e treinos. 

No dia anterior ao encontro respectivo à segunda ronda, o João começou a ter algumas dores lombares  e com isso  uma limitação em alguns movimentos – não conseguindo assim treinar-se e preparar-se para o encontro de forma adequada. No dia do encontro já estava recuperado mas não a 100%, pelo que jogou com alguma medicação para as dores. 

Em determinada parte do encontro teve uma queda e torceu o tornozelo, tendo assim mais uma dor extra para aguentar. Isto não serve de desculpa visto que mesmo com algumas limitações chegou a ter um match point, assim como imensas  oportunidades para ganhar o encontro de uma maneira mais tranquila e recuperar mais um dia e continuar no torneio. Não foi possível, demos os parabéns ao adversário e já se começou a pensar no torneio seguinte. 

As lesões fazem parte do nosso trabalho e há que aceitar. Há semanas que se ganha com match point contra assim como se perde com match point a favor… Jogar com e sem dores é algo que faz parte do dia a dia de um atleta de alta competição.  

Estamos a tentar recuperar o máximo possível para estar nas melhores condições para jogar um Master 1000 como é Monte Carlo. Já chegamos e vamos treinar esta tarde com o Tursunov para ver como está o João. 

Também gostava de comentar duas peripécias que aconteceram em Marrocos.  

No primeiro dia de treino, começámos com 8 bolas e passados cinco minutos já só tínhamos 4. Não percebíamos como era possível que desaparecessem assim 4 bolas e como treinámos duas horas resolvi meter mais oito bolas novas ao acabar a primeira hora. Passados cinco minutos já só tínhamos quatro bolas novamente. Era incrível e não acreditávamos, pelo que começámos a tentar perceber o que se passava: atirámos uma bola para o final do campo e ficámos a olhar para ela até que vimos que um jovem rapazinho começava a olhar para ela e estava cada vez mais próximo… Resumindo, chegámos a ver as nossas bolas dentro de um chapéu posto na cabeça. Foi só rir, estes rapazes são uns autênticos experts no fundo do campo! 

A segunda peripécia ainda é mais complicada. Decidimos ir ver o encontro de futebol da Liga dos Campeões com alguns jogadores no restaurante à frente do hotel que tinha uma televisão gigante e uma esplanada com bom ambiente. Começamos a ver o encontro e pedimos frango para o jantar. O João estava sentado ao meu lado na esquina da mesa, começámos a comer e de repente noto que alguém se aproxima do João, toca-lhe no ombro, dirige-se a ele em marroquino, pega-lhe no frango com as duas mãos e tenta escapar… O João reage e o indivíduo decide desaparecer a correr. Ficámos algo tristes porque o senhor tinha fome, ainda tentámos ver se o encontrávamos porque o queríamos convidar a jantar mas não, desapareceu… 

Realmente o contraste é brutal entre os torneios do circuito mundial: num dia temos estas peripécias com pessoas que passam fome e no dia seguinte estamos em Monte Carlo, onde em cada cinco carros um é um Ferrari.

Frederico Marques

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