O Australian Open começou — e com ‘garra’ portuguesa à mistura!

Não há nada como um torneio do Grand Slam. São quatro, só quatro, e por isso mesmo tanto os aguardamos. Esta madrugada o ténis voltou aos campos de Melbourne Park e seria difícil pedir um começo mais emocionante: das dezasseis cabeças de série femininas a entrar em prova, oito(!) foram eliminadas; houve lágrimas, punhos cerrados e gritos; falou-se em português e, tal como horas mais tarde com as rising stars locais, festejou-se.

‘Abrir’ um Major não é fácil e muito menos o Happy Slam — condição piorada quando se enfrenta um tenista da casa. Mas foi isso que fez João Sousa, o nosso guerreiro: reagiu ao quadro menos infeliz dos últimos torneios do Grand Slam que disputou e, num court 13 completamente lotado, colocou um ponto final (6-4 7-6[5] e 6-4) nas esperanças do vencedor do play-off de atribuição de um wildcard, Jordan Thompson.

A segunda ronda atingida em 2013 era o seu melhor resultado na Austrália e estava na mente de Sousa. Na altura, perdera para um dos maiores candidatos ao título, o britânico Andy Murray; agora, motivado pela primeira vitória do ano e regresso à segunda fase de um Major (é a quinta vez na carreira que o consegue), está a apenas um triunfo sobre Martin Klizan de repetir a proeza.

Enquanto o pupilo de Frederico Marques contrariava os desejos do público e dava passos importantes no marcador, também Grigor Dimitrov tinha motivos para sorrir: foi o primeiro jogador masculino a conquistar uma vitória na presente edição da prova e abria a ‘pista’ para que Roger Federer, Rafael Nadal e Andy Murray seguissem, também eles, em frente; no entanto, não seria só um dia de confirmações aquele a que Dimitrov dava início. Julia Goerges, numa simulação do seu melhor ténis, foi a primeira a triunfar e aliás a única germânica a poder sorrir – Sabine Lisicki e Angelique Kerber, suas compatriotas, fizeram parte do lote de, imagine-se, oito(!) cabeças de série a saírem derrotadas na eliminatória inaugural.

Entre elas, Ana Ivanovic, que na edição transacta derrotara Serena Williams rumo aos quartos-de-final. Dizem os números que o recorde de candidatas ao título eliminadas na primeira ronda é de 11; ora, a julgar pelas dezasseis que amanhã (hoje, a partir das 00h em Portugal Continental) estão escaladas para entrar em acção, a edição de 2015 poderá entrar para a história ao segundo dia de competição.

Mas o melhor estava guardado para o fim, passando por cima de desistências, perdas de consciência e indigestões em campo e ao colocar na gaveta triunfos como os de Eugenie Bouchard (já sem qualquer cabeça de série no seu caminho até aos quartos-de-final) e Maria Sharapova; o melhor, esse, estava guardado para o ‘fim dos fins’ e em dois campos!

Quando, há quase um ano, Thanasi Kokkinakis colocava um ponto final na temporada de uma ainda muito curta (e mais promissora do que confirmada) carreira, era apenas uma esperança do ténis australiano. Há dias, deu início à ação na Rod Laver Arena com algumas das estrelas da modalidade, no já habitual e apreciado Kids Day, e tirou uma já viral selfie com Maria Sharapova. Hoje, a estrela nasceu, solidificou-se e reclamou o seu lugar. Os parciais de 5-7 6-0 1-6 7-6(2) 8-6 não chegam para descrever as emoções, o ténis e o ambiente vividos no Show Court 3 perante Ernests Gulbis. Nem as palavras. Mas tentamos: o encontro, prolongado por mais de quatro horas, terminou com o ‘menino’ de 18 anos deitado, de braços bem erguidos (tudo depois de uma original ‘cambalhota’) e a dar uma volta ao court para cumprimentar todos os seus compatriotas.

Pouco depois da meia-noite, indo de encontro à já tradição do Slam australiano de se prolongar pela madrugada fora, o outro home boy, Nick Kyrgios (quem não se lembra dele a derrotar Rafael Nadal em Wimbledon?; vamos mais longe e alterando o formato da pergunta: lembram-se dele a defrontar Kokkinakis na final junior do Australian Open há dois anos?) salvava um dia que começou de forma terrível para os adolescentes (Bencic, Konjuh e Coric, grandes promessas do ténis europeu, foram todos derrotados nas primeiras horas) ao derrotar Federico Delbonis numa maratona-espectáculo, por 7-6(2) 3-5 6-3 6-7(5) 6-3.

Prontos para o segundo dia?

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