Australian Open – Dia 4

Pela terceira vez em quatro dias, o Australian Open voltou a proporcionar sorrisos portugueses. E dá-nos mais duas oportunidades de os repetirmos: depois do sucesso nas eliminatórias inaugurais de singulares, o número um lusitano avançou também em pares, num dia negativamente marcante para o ténis feminino local e… De adeus(?) a um eterno herói. É a magia de um torneio do Grand Slam, senhoras e senhores!

Se há característica própria de um dos quatro maiores torneios do planeta é a capacidade de ir criando as suas próprias histórias. Pode precisar de quem as conte, mas nascem nos seus campos sem que nenhuma força exterior as force. E Melbourne fá-lo bem, muito bem.

Agnieszka Radwanska pode ter aberto a ação na Rod Laver Arena com um triunfo supersónico perante Johanna Larsson (6-0 6-1 em 44′ minutos), mas o dia reservava algumas batalhas interessantes para aqueles que se atreviam a enfrentar as elevadas temperaturas que uma vez mais assombravam o Happy Slam. Uma delas, talvez a mais emocionante e bem disputada, colocava frente-a-frente precisamente um compatriota de Aga, aquele com quem participou e venceu a Hopman Cup. Nome Jerzy, apelido Janowicz. Quanto ao temperamento… — bem, digamos que é conhecido por todos.

Não tinha tarefa fácil, não, mas sabia-o: não fosse um imprevisto de última hora e teria defrontado Juan Martin del Potro logo na eliminatória inaugural. Hoje, teve pela frente o artista Gael Monfils, já bem rodado, e se havia jogo que prometia e deveria ir a cinco partidas era este. Assim foi. Durante três horas, os dois batalharam pela presença na terceira ronda e foi o polaco, mais fresco e feliz nos momentos determinantes, quem sobreviveu. 6-4 1-6 6-7(3) 6-3 6-3 com 70(!) winners apontados e 43 (de 58) pontos ganhos na rede.

Lá pelo meio, João Sousa voltava a ter motivos para sorrir. Depois dos triunfos sobre Jordan Thompson e Martin Klizan que o colocam na rota de Andy Murray [o encontro disputa-se na próxima madrugada, aproximadamente a partir das 3h em Portugal Continental], o guerreiro vimaranense formou parceria com o já bem conhecido Santiago Giraldo para em apenas dois sets (controlados e que refletem o entrusamento entre os dois) derrotar Mariusz Fyrstenberg, finalista do US Open em 2011, e Santiago González, bicampeão em título do Portugal Open, por 6-4 6-4 rumo à segunda ronda de pares. E assim estão assegurados mais dois encontros em Melbourne, o último dos quais marcado apenas para a jornada de sábado e frente a Julien Benneteau e Edouard Roger-Vasselin — segundos cabeças de série.

De regresso ao quadro feminino, a Margaret Court Arena deu início à sua sessão noturna com um duelo entre duas ex-número um mundiais e melhores amigas. De um lado Victoria Azarenka, a regressar à competição depois de uma longa ausência devido a lesão, do outro Caroline Wozniacki, em busca de um bom resultado em solo australiano. Levou a melhor a bielorrussa (6-4 6-2), campeã da prova em 2012 e 2013, fazendo valer a sua direita de carácter mais eficaz e o teor ofensivo do seu jogo, claramente superior ao da dinamarquesa.

Os favoritos dos favoritos, aqueles em plena posição de o afirmarem? Esses não sentiram grandes dificuldades, não hoje: Serena Williams (de 3-5 [15-40] para 7-5 6-0 frente a Vera Zvonareva), Petra Kvitova (6-2 6-4 a Mona Barthel), Novak Djokovic (6-0 6-1 6-4 a Andrey Kuznetsov), Stanislas Wawrinka (7-6[4] 7-6[4] 6-3 a Marius Copil) e Milos Raonic (6-4 7-6[3] 6-3 a Donald Young) seguiram todos para a terceira eliminatória sem ceder qualquer set. Kei Nishikori, finalista do último US Open, foi, talvez, a única excepção, deixando escapar um parcial (4-6 7-5 6-2 7-6[0]) no seu triunfo sobre Ivan Dodig.

Mas não só de histórias felizes se faz uma jornada de um torneio Major. Nem no ‘Happy Slam‘ — em plena Rod Laver Arena, Lleyton Hewitt entrou bem, muito bem, frente ao carrasco de André Agassi no último jogo profissional do norte-americano (de nome Benjamin Becker) mas o nível apresentado pelo aussie player não viria a ser suficiente para as cinco partidas forçadas pelo germânico, que assim, com os parciais de 2-6 1-6 6-3 6-4 6-2, somava a primeira vitória da sua carreira num quinto set. Num plano geral, somava na verdade uma das muitas que compunham um dia negro para a Austrália, entretanto já sem representantes no quadro feminino (Samantha Stosur, Casey Dellacqua, Ajla Tomljanović foram todas derrotadas). Terá sido o fim das participações de Lleyton em Melbourne? Não saberemos, não para já: “Vou sentar-me e pensar sobre tudo. Não tenho torneios planeados, não tenho nada pensado. A Taça Davis é a próxima coisa importante.”

A fechar o dia, um dado estatístico chamou à atenção nas redes sociais: a confirmar-se o registo captado pelo equipamento do Australian Open, a checa Barbora Zahlavova Strycova (6-1 7-5 a Kai-Chen Chang) terá mesmo quebrado o recorde mundial de serviço mais rápido no ténis feminino: em julho, a alemã alcançara incríveis 210.8km/h em Stanford; hoje, a checa serviu a impressionantes 225km/h!

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