‘Ninguém vence Tomas Berdych dezoito vezes seguidas’. Terá sido com este mantra presente na sua mente que Tomas Berdych pisou durante a madrugada a Rod Laver Arena a poucos minutos de defrontar Rafael Nadal. E terá sido esta a afirmação mais partilhada nas redes sociais quando, poucas horas depois, o checo o confirmava, conseguindo uma das melhores (se não a?) vitórias da sua carreira para avançar para as meias-finais.
Vindo de uma final (perdida para Ferrer) em Doha, Tomas Berdych apresentava-se em Melbourne ao seu melhor nível — talvez de sempre — mas precisava de ultrapassar o maiorquino para poder ser visto como um sério candidato a um título idêntico àquele que, há quase cinco anos mas na relva do All England Club, lhe fugiu das mãos pelo mesmo adversário de hoje; o registo não era animador, estava tudo contra The Bird: nos últimos 17 encontros, não havia ganho nenhum e, mesmo alargando para os 21 disputados, contabilizava apenas três triunfos sobre Nadal, o último dos quais em… 2006.
Pois bem, aquilo a que se assistiu na madrugada desta terça-feira em Portugal Continental foi uma autêntica transformação do tenista checo, entretanto noivo de Ester Satorova, perante o seu maior rival de sempre para se tornar no segundo(!) jogador da história a somar vitórias sobre todos os Big Four em torneios do Grand Slam. O primeiro? Jo-Wilfried Tsonga, mas voltemos ao encontro: autoritário, confiante, implacável. Assim foi Tomas Berdych, que em 2h13′ venceu por 6-2 6-0 7-6(5) com 82% dos pontos disputados no primeiro serviço ganhos e 46 winners apontados.
Apurado então para as meias-finais do Australian Open pelo segundo ano consecutivo, o checo de vinte e nove anos pode depois descansar e ver Andy Murray (o seu próximo adversário, contra quem venceu seis dos dez encontros disputados) derrotar em parciais diretos o herói local, Nick Kyrgios — 6-3 7-6(5) 6-3.
No quadro feminino também houve espaço para uma surpresa — e que surpresa de tão rápida que foi a sua conclusão: a abrir a jornada, a já mais que provada capaz de atingir fases adiantadas em torneios Major, Ekaterina Makarova, precisou de apenas 69′ minutos para colocar um ponto final (6-4 6-0) na campanha de Simona Halep, terceira pré-designada, que em conferência de imprensa se viria a revelar “satisfeita” por atingir os quartos-de-final de um torneio do Grand Slam, algo que considerou ser “suficiente”.
A fechar a contenda entre as senhoras, aquele que era, talvez, o duelo mais aguardado e que foi também um dos primeiros a ser antecipado aquando da realização do sorteio: o embate entre Maria Sharapova e Eugenie Bouchard, que tão depressa fez encher as bancadas da Rod Laver Arena quanto viu a russa impôr o seu ténis para sair vencedora. Com parciais de 6-3 6-2 e num dia ‘não’ da jovem canadiana, que cometeu trinta(!) erros não forçados em 78′ minutos de jogo, a número dois mundial deu assim mais um passo em direção a uma nova final em Melbourne Park.