Quando, há uma semana, Andy Murray se preparava para disputar a primeira final da sua carreira em terra batida, seria difícil imaginar-se o que hoje se confirma: o britânico arrasou Rafael Nadal (6-3 6-2) no campo principal da Caja Mágica, em Madrid, para conquistar o ATP Masters 1000 local e arrecadar o seu segundo troféu no pó de tijolo… Em menos de oito dias.
Vindo de uma longa semana em Munique, onde teve de ultrapassar a chuva e as interrupções causadas pelos céus para vencer Philipp Kohlschreiber na final de segunda-feira, o número quatro mundial não teve o arranque de prova mais desejado: voltou a enfrentar o germânico (que uma vez mais o forçou a três sets) e num embate que apenas começou à 1h(!) da manhã. Ultrapassadas as condições, circunstâncias e desagrados, foi avançando até uma final que não lhe era totalmente estranha.
É que, em 2008 — quando o torneio ainda se disputava em piso rápido e noutro complexo — Murray já tinha feito a festa em Madrid. Desta vez, no entanto, chegava à decisão em terra batida. Aos vinte e sete anos, como múltiplo campeão de torneios do Grand Slam e um dos membros do Big Four, Andy Murray disputava, repetimos, a sua segunda final de carreira em terra batida; a segunda… Numa semana. E pela frente tinha o ‘rei’ da superfície, o favorito do público, o ’touro’ espanhol: Rafael Nadal.
Marriage Works. Foi esta a frase escrita pelo britânico logo após consumar o primeiro match point de que dispôs. Hoje, foi mais forte. Praticou uma exibição exímia, sem erros de maior e sempre afinado. ‘Disparou’ as armas certas no verdadeiro momento para deixar sem resposta um Rafael Nadal que, apesar de finalista, continua longe do seu melhor, sobretudo (e como o próprio admite) a nível psicológico. Sem confiança. E enfrentar Andy Murray sem a confiança necessária nunca é bom presságio.
Sob o olhar atento de Manolo Santana e dos milhares de espanhóis que mesmo depois de fechada a decisão gritavam por ‘Rafa’, Andy Murray subiu ao lugar mais alto do palco improvisado no court que recebe o nome do diretor do torneio para gritar “vitória” no encerramento da edição de 2015 do Mutua Madrid Open. Está feita história: com a vitória de hoje, Murray consolida o terceiro lugar na hierarquia mundial masculina e, mais do que isso, ‘empurra’ Nadal (que tinha o título a defender) para o sétimo lugar do ranking ATP.
Longe do topo pela primeira vez em 10 anos
Não um, não dois, não cinco, mas sim dez. Dez anos. Amanhã, e pela primeira vez desde 2005 (quando tinha os seus 18 anos), Rafael Nadal estará fora do top5 mundial, fixando-se na sétima posição da tabela e já sem quaisquer hipóteses de ser um dos quatro primeiros cabeças de série em Paris para o torneio de Roland Garros.
Para o lugar do tenista espanhol entra Milos Raonic, derrotado por Andy Murray nos quartos-de-final em Madrid e entretanto de fora do Masters 1000 de Roma, que se disputa na próxima semana e no qual tinha meias-finais a defender. Por esta razão, será de estadia curta a presença do canadiano nos quatro primeiros lugares, cabendo a Kei Nishikori ou Tomas Berdych ocupar o quarto lugar à entrada para o Major francês, que se inicia a 19 de maio.