Drama, bastante drama para o primeiro dia de um torneio do Grand Slam mas… Não exatamente dentro do court. Ou, pelo menos, não como era esperado. Os quadros principais de Roland Garros ‘arrancaram’ hoje e, com eles, chegaram os primeiros vencedores do dia. Agora, conclui-se uma jornada inaugural para a qual não estavam formadas grandes expectativas.
Roger Federer, o mais cotado de todos os jogadores a entrar em prova e, também, o mais experiente, começou por igualar o recorde da japonesa Ai Sugiyama com 62 participações consecutivas em torneios do Grand Slam na Era Open. Esse era, aliás, o dado mais ‘esperado’ para o dia de hoje, com uma vitória tranquila esperada por parte do suíço, e assim foi… Até certo ponto. O campeão de 2009 fez o seu papel, ao derrotar Alejandro Falla por 6-3 6-3 6-4, e preparava-se para caminhar para os balneários quando um jovem adepto invadiu o campo para tentar tirar uma selfie com o seu ídolo.
A (grande) falha de segurança não agradou ao suíço, que não tardou a reagir à situação e a afirmar, em conferência de imprensa, que “algo tem de ser corrigido. Aconteceu na minha final em 2009, ontem no treino também e agora hoje. Já devia ter sido corrigido portanto obviamente não estou satisfeito com a situação.” Pouco depois, chegou a vez de Gilbert Ysern, o diretor do torneio, se dirigir a uma das salas de conferência de imprensa de Roland Garros para atenuar a situação e prometer mudanças. Para já, é certo que o ‘pequeno’ David, de 14 anos, não terá permissão para assistir ao resto do torneio ‘no terreno’. Para além disso, e como conta a redação francesa do Metro News, viu também a sua tão desejada selfie ser eliminada pelos elementos de segurança.
Mas sigamos para o terreno de jogo novamente, para o segundo maior court de todo o complexo. No estádio Suzanne Lenglen, e ao mesmo tempo que o seu compatriota, Stanislas Wawrinka alinhava uma exibição praticamente irrepreensível para vencer Marsel Ilhan, parciais de 6-3 6-2 6-3. Jogo limpo, sim, mas não livre de contestações — não pelo adversário, não pelo duelo mas… Pelo torneio. Pelo website oficial do torneio, que ontem publicou um artigo (entretanto eliminado) pouco focado, como o próprio fez questão de destacar, no ténis de Wawrinka mas sim na sua separação e um paralelismo com o sucesso de Roger Federer, Novak Djokovic e Andy Murray enquanto jogadores casados e, no caso dos dois primeiros, ‘papás’.
“Vi o artigo ontem à noite e disse à organização que não estava contente com o que escreveram. Era um artigo completamente estúpido que estava publicado no site oficial de um torneio do Grand Slam, portanto espero que quem o escreveu não seja jornalista”, começou por dizer o número dois suíço à imprensa. “Também espero que a pessoa que supostamente esteja encarregue de supervisionar os artigos que são publicados já não esteja a trabalhar para o torneio. Para mim, no site de um evento destes os artigos devem ser sobre ténis.”
Também se jogou ténis dentro das quatro linhas, sim… Mas (ainda) sem grandes emoções
Para além dos jogos dos dois tenistas suíços, mais emocionantes pelos acontecimentos fora do campo do que dentro (e aqui, claro, por mérito próprio de ambos durante as suas prestações) muitos outros encontros se desenrolaram na terra batida parisiense, mas as emoções teimaram em chegar a horas a Roland Garros — de todos os embates realizados no quadro masculino, por exemplo, apenas um (Steve Johnson 6-3 6-3 6-7[1] 3-6 6-3 a Guillermo Garcia-Lopez) superou os três sets.
Em destaque esteve a sérvia Ana Ivanovic, campeã na época de 2008, que conseguiu somar pela primeira vez na sua história no torneio uma vitória depois de perder o primeiro set ao recuperar para vencer Yaroslava Shvedova por 4-6 6-2 6-0. Em termos estatísticos, o dia foi duplamente feliz para a número sete mundial, que deu mais um passo rumo à melhoria do registo negro no Court Suzanne Lenglen. É que, das 9 derrotas de Ivanovic até hoje, 6(!) tiveram lugar no segundo maior palco do complexo. Eis o registo: 15-1 no court Philippe Chatrier, (agora) 6-6 no Suzanne Lenglen e 9-2 nos restantes campos.
Igualmente vitoriosa foi a estreia de Donna Vekic no quadro principal deste ano. Longe do seu melhor ranking desde que lhe foram descontados os pontos por não ter conseguido defender o título conquistado em 2014 em Kuala Lumpur, a jovem croata de apenas dezoito anos conseguiu a sua primeira vitória no torneio gaulês (e a melhor da carreira desde que bateu Roberta Vinci na última edição de Wimbledon) ao surpreender a favorita da casa, Caroline Garcia, pelos parciais de 3-6 6-3 6-2.
Sem polémica? Sim, tudo ‘legal’ e calmo dentro do campo, mas em conferência de imprensa voltaram a ouvir-se palavras (talvez) surpreendentes e já muito mediáticas. Não por parte da vencedora mas sim de Garcia, a trigésima primeira cabeça de série, e sobre o Court Philippe Chatrier: “Não consigo jogar neste campo, sinto demasiado a pressão. É demasiado para mim neste momento, no próximo ano vou pedir para jogar no Court 9”, revelou e concluiu, já com alguns sorrisos, a gaulesa, que contou ainda que uma mudança para um campo mais pequeno (e num outro dia que não o de abertura) lhe foi negada pelo torneio.
E assim, não esquecendo triunfos de Simona Halep, Kei Nishikori e Jo-Wilfried Tsonga, entre muitos outros, chegou ao fim o primeiro dia de competição em Paris. Os resultados, esses, estendem-se claro por muitas mais linhas e, por isso, deixamos agregados aqui mesmo.
Boa entrada no diário de Roland Garros 2015. No entanto, Donna Vekic já tem 18 anos(faz 19 em Junho). Provavelmente querias escrever que tinha 17 anos em 2014 quando ganhou Kuala Lumpur mas ficou meio confuso esse parágrafo. Fico à espera das próxima entradas.
Boa tarde, Fábio, obrigado pela correção. A idade que queria colocar no artigo era precisamente a que a Donna Vekic tem neste momento, os corrigidos 18 anos.
Mais uma vez obrigado pelo reparo. Já falta pouco para o resumo de hoje.