“The calm before the storm” costuma ser uma expressão muito utilizada quando nas fases iniciais dos torneios do Grand Slam as surpresas (ou outros acontecimentos igualmente mediáticos dentro do court) tardam em surgir; foi também o caso da primeira jornada, que apenas deu que falar nas salas de conferência de imprensa. Contudo, com o ‘avançar do calendário’ surgem naturalmente alguns resultados mais inesperados e o dia desta quarta-feira ditou a eliminação da vice-campeã em título. Mais tarde, numa luta contra a iluminação, uma ex-campeã fugiu-lhe… Por pouco!
As razões que levaram Simona Halep ao segundo lugar da hierarquia mundial (ocupa o terceiro desde segunda-feira) são fáceis de compreender: é uma jogadora inteligente e polivalente. E a temporada vinha a ser muito positiva, mesmo depois da revelada falta de motivação no começo do ano. Até que, na cidade luz e um ano depois de ter conseguido o melhor resultado da sua carreira — só foi parada em 2014 por Maria Sharapova e na grande final — surpreendeu tudo e todos ao dizer adeus à competição de forma precoce, muito precoce.
Se na primeira ronda não convenceu, Halep era ainda assim apontada como uma das principais candidatas ao título e vinha a fazer por isso: chegou às meias-finais em Estugarda e ainda em Roma, estando sempre a apenas um set de atingir as finais. Hoje, o ténis a meio gás deixou de ser suficiente e a romena ‘levou’ uma lição de ténis por parte de Mirjana Lucic-Baroni (7-5 6-1), que já a tinha derrotado no último US Open.
Inglória, sim. Tal como o fim de percurso de Daria Gavrilova, que tal como a romena vinha das meias-finais na capital italiana. A viver um dos melhores momentos da sua carreira, a jovem russa teve de abdicar do duelo com Sabine Lisicki devido a uma lesão abdominal quando perdia por 1-6, deixando o court em lágrimas numa das cenas mais marcantes do dia e, até agora, de todo o torneio.
Pano ‘cai’ com principais favoritos a seguirem em frente de forma tranquila
À excepção da derrotada Halep e do já contado desafio de Ivanovic, a grande maioria dos restantes favoritos a entrar em competição no dia de hoje viu-se longe de problemas. São os casos da campeã em título, Maria Sharapova (6-3 6-1 a Vitalia Diatchenko) e Carla Suarez Navarro, uma séria candidata a chegar longe em prova depois dos excelentes resultados que tem tido em 2015 e que hoje venceu Virginie Razzano por 6-3 1-0 + desistência da jogadora gaulesa devido a lesão.
No circuito masculino, Roger Federer (6-2 7-6[1] 6-3 a Marcel Granollers), Tomas Berdych (6-3 6-7[7] 6-3 6-3 a Radek Stepanek), Kei Nishikori (7-5 6-4 6-4 a Thomaz Bellucci) e Jo-Wilfried Tsonga (6-4 6-1 6-1 perante Dudi Sela) não fugiram à ‘onda’ de tranquilidade, deixando as maiores dificuldades do dia para uma das figuras locais, o showman Gael Monfils, que ‘bateu’ Diego Schartzman pelos parciais de 4-6 6-4 4-6 6-2 6-3.
Para amanhã, está agendado o confronto entre João Sousa e Andy Murray, que terá honras do court Philippe Chatrier. Agendado com o terceiro encontro do principal court do complexo parisiense, o duelo deverá começar por volta das 14h e contará com transmissão no Eurosport.
Combate à escuridão: 1-1
Mais ‘sorte’ (ou menos azar…) teve a campeã de 2008, Ana Ivanovic, que à partida para a edição de 2015 do torneio somava um registo de 0-8 após perder o primeiro parcial. Este ano, no entanto, o espírito de lutadora parece falar mais alto do que todas as restantes variáveis e a verdade é que, depois de na primeira eliminatória se ter estreado em recuperações em Roland Garros, hoje voltou a repetir a proeza para bater Misaki Doi, do Japão, por 3-6 6-3 6-4 rumo à terceira eliminatória, onde medirá forças com Donna Vekic.
Enquanto Ivanovic ainda se ‘escapou’ ao adiamento do encontro — por pouco, dado que quinze minutos depois a jornada viria a ser interrompida — o alemão Philipp Kohlschreiber regressa ao hotel com poucos motivos para estar satisfeito: marcava o relógio 21h30 em Paris quando o seu encontro frente a Pablo Andujar foi interrompido a 1-6 6-7 6-3 6-2 4-2, com o espanhol a preparar-se para servir. Falta de sorte? Talvez, mas dada eficaz recuperação do alemão talvez seja mais significativo falar da segunda oportunidade que amanhã — recomposto quer física quer psicologicamente — Andujar poderá ter de discutir o derradeiro parcial.