O ténis espanhol já viveu melhores dias. Depois de toda a polémica em torno da nomeação de Gala León como capitã da equipa masculina da Taça Davis — que ainda hoje dá lugar a muitas contestações –, a Real Federação Espanhola de Ténis viu hoje José Luis Escañuela, o Presidente, apresentar a sua demissão.
Desde 2009 no comando da RFET, Escañuela dedicou grande parte da sua carta de demissão ao assunto que mais tinta tem originado no ténis espanhol: “Quero agradecer a todos os meus companheiros e companheiras que me ajudaram a tomar a decisão de nomear a Gala León, a primeira mulher a ser capitã da Seleção Espanhola de Ténis, e assim dar um passo inédito na história do desporto. Esse é o meu maior motivo de orgulho.”
No entanto, José Luis Escañuela — que viu a Espanha conquistar a competição nos anos de 2009 e 2011 — só abandonará o cargo a 19 de julho, quando estiver terminada a eliminatória do Grupo I que a Espanha disputa contra a Rússia. Em causa está um lugar no Play-Off do Grupo Mundial, que se realiza em setembro, e o ainda presidente quer “assumir as minhas responsabilidades como sempre o fiz.”
Uma falsificação e um valor astronómico gasto em catering
Se o último mês foi passado numa posição diferente, suspenso pelo Tribunal de Contas do Desporto Espanhol, a era de José Luis Escañuela chega ao fim com uma polémica em torno de uma alegada falsificação de uma assinatura de Rafael Nadal numa camisola que foi leiloada durante um evento de solidariedade em Sevilha. A acusação foi feita pelo comprador e confirmada por Miguel Sanchez, responsável de marketing da RFET.
Para além da assinatura falsificada (numa camisola que, no entanto, fora mesmo cedida pelo tenista maiorquino), uma entrevista publicada pelo As a Enrique Campillo, vice-presidente económico da Federação Espanhola entre 2008 e 2011, revela que foram gastas quantias exorbitantes pelos muitos assessores de Escañuela, e exemplifica: “Os gastos de viagens eram demasiado elevados e não eram apenas as viagens. Na final de Sevilha, em 2011, a conta do catering da tenda VIP chegou aos 600.000 euros pelo total do fim-de-semana. Em Marbella, atingiu-se a marca de 360.000 euros. É um escândalo.”
Para além dos 960.000€ gastos em catering durante os dois fins-de-semana referidos, foram ainda doados 300.000 ao ‘observatório’ da Universidade de Pablo de Olavide, em Sevilha. Para Campillo, “[isso] deixou-me surpreendido. Não estamos a falar de 3.000€ mas sim de 300.000 que não tinham resultados. Nunca vi nada assim.”