Descobrir a ‘chave’ para o sucesso não é fácil. Muitos tentam pelas próprias mãos, dentro do campo, e outros investigam, com telefonemas, textos e entrevistas. Foi o caso dos suíços do Schweizer Illustrierte, que contactaram Robert Federer, o pai de Roger Federer, para falar sobre os primeiros anos do helvético na modalidade.
Comecemos pelo fim, pela parte em que o pai de uma das maiores figuras de sempre do ténis desfaz o mistério: “O segredo do sucesso do Roger? O seu talento, que me parece ter herdado da mãe. Pessoalmente, eu não tenho jeito para nenhum desporto”, confessou com um sorriso antes de desenvolver o raciocínio: “O Roger vingou no ténis porque decidiu e não porque foi forçado. [Conseguiu] porque teve tempo para fazer a sua escolha e fê-la de forma consciente.”
E é com esta afirmação que Robert continua a desenvolver o raciocínio: “Até aos 12 anos, o meu filho jogava ténis e futebol e ainda squash. Obviamente que a dada altura teve de fazer uma escolha, porque é impossível especializarmo-nos em três desportos. E uma criança deve fazer e jogar aquilo de que mais gosta.”
Para o pai de Federer, que no seu currículo conta, entre muitos outros títulos, com 17 troféus de campeão de torneios do Grand Slam, “as crianças não devem pisar o court por dinheiro. No mundo do ténis há muitos pais que não aceitam o facto do seu filho ou filha provavelmente não vir a ter um grande sucesso — esses pais deviam ser honestos com eles próprios e com os filhos.”
Naquela que foi uma das suas poucas entrevistas dadas à imprensa nos últimos tempos, Robert Federer não se mostrou adepto do molde atual do ténis juvenil. “Quando são jovens, aos 12 anos, as crianças são forçadas a jogar qualquer coisa como 14 horas por dia. Já não o fazem porque gostam de jogar mas sim porque são obrigadas. Treinam de segunda a sexta-feira e ao sábado e domingo jogam torneios. Tudo isto me parece um certo exagero. Quando o Roger tinha 12 anos ainda jogava ténis e futebol. Quatro anos depois era número 5 da Europa.”