Não há guerreiro como ele: Kei Nishikori conquistou na noite deste domingo o décimo título da sua carreira, terceiro da temporada, ao consumar mais uma reviravolta no marcador para derrotar o norte-americano John Isner, 4-6 6-4 6-4, e levar a melhor na final do Citi Open 2015, o ATP 500 que se disputa em Washington, nos Estados Unidos da América.
Se no papel as contas se dividiam — o japonês aparece primeiro na hierarquia mas fora o americano a vencer o único duelo entre ambos até à data, em Miami já este ano –, nas bancadas não havia espaço para dúvidas e era Isner, o jogador da casa, quem contava com o maior apoio do público. E os aplausos, gritos e incentivos até pareciam resultar; pelo menos numa primeira parte, em que o número 18 mundial entrou melhor, mais consistente no serviço e assertivo na resposta, para conseguir adiantar-se no marcador.
Mas do outro lado não estava um jogador qualquer. Se a diferença de alturas é muita (e, consequentemente, menos perigo no serviço), a Nishikori cabem outras agilidades. O jogo de pés capaz de fazer inveja a todos no circuito e o seu leque variado de pancadas apoiam-no num registo impressionante em parciais decisivos e foi assim, uma vez mais embalado pelo desejo da reviravolta, que o ‘pequeno grande’ campeão nipónico desenhou o final risonho do resultado para os seus lados. Mais dentro do campo e desenvergonhado quando as oportunidades surgiam, o número 5 do mundo quebrou e quebrou novamente para tirar das mãos de Isner o tão desejado troféu em casa. Seria um dos mais importantes (e com maior significado) da carreira do ‘gigante’ americano.
Os números? Com o triunfo deste domingo, Kei Nishikori passa a somar 79 vitórias contra apenas 21 derrotas em sets decisivos (sejam eles terceiros ou quintos, dependendo das provas em que participa), um registo que não é igualado por nenhum jogador profissional e que lhe garante o estatuto de rei das reviravoltas. E guerreiro. Porque dentro do campo, modesto como sempre, o ex-companheiro de quarto do português Gastão Elias nunca dá um encontro por perdido.
Depois de Memphis e Barcelona, torneios que mesmo antes deste ano não lhe eram estranhos, Nishikori conquista assim o torneio de Washington DC e eleva para 10 o número de troféus de campeão conquistados no circuito ATP (aos quais se opõem cinco finais perdidas). Dessa dezena, metade foi conquista em torneios da categoria ATP 500. Como recompensa, subirá amanhã ao quarto posto que, por estas horas, ainda pertence a Stan Wawrinka. Quanto a Isner, perdeu a oportunidade de fazer a dobradinha e iniciar a US Open Series com dois troféus, depois de na última semana ter vencido em Atlanta.