US Open, Dia 2: Os ‘suspeitos’ do costume brilharam num dia de falta de ‘ganas’ da juventude; E mais desistências

Pela primeira vez desde 1990, o US Open conta este ano com 10 adolescentes no quadro principal masculino. Se é verdade que as posições de topo têm sido cada vez mais dominadas por jogadores mais velhos, também o é que a ‘nova-guarda’ está a procurar assumir-se entre os melhores do mundo; na jornada desta terça-feira, no entanto, ficou demonstrado que ainda nem sempre o consegue. Quanto aos ‘mais velhos’, esses… bem, Roger Federer deu mais uma masterclass e Lleyton Hewitt, campeão há 14(!) anos, também arrasou de certa forma. O último torneio Major do ano bateu, entretanto, um recorde pessoal.

Juventude, juventude… Devagar se vai ao longe

Se é verdade que já não é considerado um teenager e por isso não entra para a estatística, Nick Kyrgios tem apenas 20 anos e está mais perto de ser uma futura-grande-estrela do que uma estrela-assumida. E se na memória de todos estão os triunfos sobre Rafael Nadal, em Wimbledon, e Roger Federer, em Madrid, falta ao australiano um ingrediente que lhe permita manter-se equilibrado na grande maioria dos seus encontros contra adversários já afirmados.

A abrir a sessão noturna, o aussie que é agora ajudado por Lleyton Hewitt deu espetáculo, sim, e conseguiu pontos incríveis (como este), mas demonstrou perder ainda facilmente o controlo. A ‘prova’? Foi quebrado de imediato nas duas vezes em que conseguiu ganhar o serviço de Murray e desligou assim que venceu o terceiro set (momento que marcou também a sua estreia a la Rafael Nadal vintage, sem mangas, depois de vaidade com uma ‘manga’ extra até ao pulso). Voltando ao encontro: durante a sessão noturna (que talvez comece demasiado tarde para ele…) Kyrgios ainda fez das suas — e de certa forma pagou por isso — mas do outro lado tinha um Andy Murray intransponível e determinado em ultrapassar a difícil primeira ronda num US Open que tanto lhe diz. No final, foi o britânico quem venceu, por 7-5 6-3 4-6 6-1.

Se Kyrgios já conseguiu, em dados momentos da carreira, dar ‘o passo em frente’, Andrey Rublev, Frances Tiafoe, Alexander Zverev e Thanasi Kokkinakis — todos eles considerados o futuro da modalidade — procuram ainda a melhor oportunidade para o fazer e ontem, na estreia em Nova Iorque, viram-lhes adiado o sonho de avançar no US Open. O russo, campeão mundial de juniores, deu muito boa réplica mas não conseguiu resistir a Kevin Anderson, o campeão de Winston-Salem, que venceu por 7-6(1) 6-7(5) 7-5 6-3; já Tiafoe, a grande promessa americana, viu as suas aspirações serem travadas por Viktor Troicki (7-5 6-4 6-3), enquanto Zverev ainda ameaçou derrotar o seu compatriota Philipp Kohlschreiber ao roubar-lhe dois sets: 7-6(0) 2-6 0-6 6-2 4-6.

A excepção à regra coube ao simpático Yoshihito Nishioka, ainda com 19 anos, que contou com muito apoio de compatriotas nas bancadas para levar a melhor num duelo-contraste entre gerações frente a Paul-Henri Mathieu, 13 anos mais velho, por 6-4 2-6 6-7(7) 6-1 6-2.

Desistências da primeira ronda? Um recorde absoluto no US Open

Primeiro o Casino de Newport, depois o West Side Tennis Club e agora o Billie Jean King National Tennis Center of Flushing Meadows in New York City — que, nem a propósito, é o complexo com o maior nome do mundo; nunca em três localizações e as 134 edições anteriores o US Open tinha verificado tantas desistências como nos dois primeiros dias de competição deste ano. São nada mais nada menos do que 12, 13 se incluída a de Maria Sharapova antes do começo do torneio.

Aqui que entra o caso de Thanasi Kokkinakis. No acolhedor court 5, a jovem estrela australiana que é em tudo diferente do seu melhor amigo Nick Kyrgios começou bem, muito bem, frente a um Richard Gasquet ‘desanimado’ e confirmou o bom arranque quando já na terceira partida conseguiu quebrar o serviço do gaulês para sair na frente: 2-1 em sets. Para mal dos seus pecados, ‘The Kokk’ começou aí a ter sérias dificuldades em movimentar-se (foi, a dada altura, uma vitória conseguir chegar à cadeira — onde ainda assim não se conseguia sentar) e até em servir, pancada que começou a executar ‘por baixo’; o sofrimento e as imagens difíceis de continuar a seguir prolongaram-se por algum tempo, talvez mais até do que suficiente para o australiano, apoiado pelo árbitro Mohamed Lahyani, se focar no que realmente interessava: “A tua saúde é muito importante.”

E assim desistiu mas, uma vez mais, não foi o único. Como ele, também Marina Erakovic (2-6 0-3 frente a Simona Halep), Aleksandr Nedovyesov (que perdia por 0-6 6-7[2] 0-1 frente a um Lleyton Hewitt empenhado em colocar um bonito ponto final na sua história num torneio que muito lhe diz e onde ganhou o título há, imagine-se, 14 anos), Marcos Baghdatis (7-6[2] 3-6 2-6 1-3 perante Steve Darcis)  e Ersnests Gulbis (6-3 4-6 0-3 quando media forças com Aljaz Bedene) abandonaram a prova esta terça-feira, elevando para doze o número (recorde, ao fim de 135 edições) de desistências na primeira ronda.

Masterclass de Federer abriu ‘festividades’

Quando no início do dia Roger Federer pensou que “se calhar este não vai ser um dia assim muito bom, se calhar vai correr mal…”, como mais tarde o viria a confessar em conferência da imprensa, longe dos seus planos estaria certamente tamanha exibição dominadora frente a um Leonardo Mayer que muitas dificuldades lhe causou em Xangai e que chegava a Nova Iorque na condição de jogador melhor rankeado a não ser cabeça de série. Pois bem, com 29 winners e um total de 84% de pontos ganhos no seu serviço o suíço de 34 anos conseguiu selar o resultado final a 6-1 6-2 6-2; lá pelo meio, brilhou e fez pontos como este.

Se a estreia do ‘jovem’ suíço foi fácil, o mesmo se pode dizer das primeiras prestações de Caroline Wozniacki e Petra Kvitova, igualmente destacadas para o maior court do complexo; enquanto a dinamarquesa, finalista em 2009 e 2014, derrotou a ainda pouco experiente Jamie Loeb por 6-2 6-0, a checa somou mais uma vitória às de New Haven, onde conquistou o título, ao vencer Laura Siegemund por duplo 6-1.

E o que dizer de Victoria Azarenka, também ela dupla finalista da competição? Atualmente no 20º lugar do ranking, a bielorrussa constitui aquela que talvez é a maior ameaça às jogadoras que ocupam lugares mais cimeiros na lista de cabeças de série e venceu Lucie Hradecka por afirmativos 6-1 6-2, demonstrando uma vez mais querer chegar longe — e para isso derrotar quem quer que lhe apareça no caminho, passando a expressão.

Com os ‘canhões’ ligados estavam também Garbine Mugurza (nona cabeça de série e finalista em Wimbledon, que venceu Carina Witthoeft por 6-2 6-4) e a sempre perigosa germânica Sabine Lisicki, responsável pela eliminação (6-1 6-4) de Aliaksandra Sasnovich.

Em dificuldades continua Laura Robson, tenista britânica que esteve durante muito tempo lesionada no pulso e tenta agora o regresso ao mais alto nível. Se o resultado de 4-0 no parcial decisivo parecia indicar um final feliz no encontro frente a Elena Vesnina, a britânica viu a russa vencer sete dos últimos seis jogos para perder a hipótese de seguir em frente. No final, talvez nervosa, talvez sem forças para continuar, perdeu por 6-3 3-6 5-7. Fica a certeza de que o ténis que lhe permitiu derrotar algumas das melhores jogadoras do mundo, esse, ainda está lá.

Para terminar, uma dose de alegrias para o ténis norte-americano (em contraste à surpreendente eliminação de Sam Querrey, pelos parciais de 5-7 6-7[6] 5-7 diante de Nicolas Mahut): num duelo emocionante, talvez o mais emocionante de todo o dia, Donald Young — o mesmo que em tempos perdeu 17 encontros oficiais de forma consecutiva — de dois sets ‘abaixo’ e 0-3 no terceiro frente ao número 11 mundial, Gilles Simon, o americano conseguiu consumar uma ‘remontada’ histórica e motivado pelo apoio do muito público presente para testemunhar o feito virou mesmo o jogo até ao 2-6 4-6 6-4 6-4 6-4 final, que lhe permite recuperar pela primeira vez na carreira de 0-2 em sets. Foi, sem dúvida, um bom presságio para as restantes exibições norte-americanas e mais um dia de ténis em Flushing Meadows. Esta quarta-feira, a ação volta a arrancar às 11h locais.

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