US Open, Dia 8: Um ‘gigante’ brilha, o outro é derrotado; que dia-espetáculo!

Emocionante até ao fim, quando o relógio há muito anunciava um novo dia. A jornada do US Open desta segunda-feira — a última com encontros da quarta ronda — proporcionou momentos de como não há memória: da eliminação de um ‘gigante’ à confirmação de toda uma carreira e vitórias igualmente épicas por parte de algumas das favoritas do torneio, a competição abraça os quartos-de-final com a certeza de que o que aí vem será de luxo.

Os ‘gigantes’ caíram em dia de quebra final para ‘o da casa’

Incrível. O que esta madrugada (noite nos EUA) se passou em Flushing Meadows, Nova Iorque, merece ficar numa página dourada da edição deste ano do US Open. Vamos por partes: Kevin Anderson, o simpático ‘gigante’ sul-africano, quebrou de vez a malapata ao atingir os seus primeiros quartos-de-final em torneios do Grand Slam. Para isso, bateu Andy Murray no melhor encontro da sua carreira de que há memória, isto antes de John Isner, o ‘outro gigante’, ser ‘abatido’ pelo suspeito do costume e Tomas Berdych desperdiçar a vantagem inaugural. Foi um dia de ténis ao mais alto nível.

Kevin Anderson não era favorito mas já andava a ‘ameaçar’. Se do lado de Andy Murray estava o conforto da estatística — que dizia que há 18 torneios do Grand Slam que o britânico não perdia antes dos quartos-de-final — do do sul-africano estava o fator ‘nada a perder’. E assim foi. Assim foi que entrou no esgotadíssimo Louis Armstrong Stadium, assim foi que se exibiu ao longo das 4h10 de encontro. Primeiro num jogo, depois num set, o número 14 mundial fez o que quis em campo num duelo em que apontou 81(!) winners.

Em Wimbledon já havia ‘tentado a sua graça’ ao chegar de igual forma a uma vantagem de dois sets a zero perante Novak Djokovic e agora, no US Open e com um outro Big Four pela frente, Anderson não perdeu a oportunidade. A dúvida ainda se instalou por breves instantes depois do campeão de 2012 vencer o terceiro parcial, mas foi susto de curta duração. No quarto parcial, e como demonstra o tiebreak irrepreensível (é apenas o segundo 7-0 da carreira de Murray), foi ele quem voou mais alto, foi ele quem pôde sorrir e, já com o encontro ‘no bolso’ erguer os braços e soltar o tão desejado sorriso. Aos 29 anos, o Anderson melhor-do-que-nunca está finalmente entre os melhores de um Major.

‘De loucos’ foi também a eficácia de John Isner e Roger Federer no capítulo dos break points. Se o norte-americano é conhecido pela potência, o suíço é conhecido pela colocação e os dois estiveram num verdadeiro taco-a-taco até, imagine-se, ao último jogo de todo o encontro. Se foi Federer, o segundo favorito, quem teve as primeiras ameaças e poderia ter fechado os dois primeiros conjuntos (ganhos no tiebreak) de forma mais tranquila, também Isner conseguiu ir tendo oportunidades de quebra mas… Nada feito.

Foi já depois, muito depois do primeiro 7-0 da carreira de John Isner — isso mesmo!, em 429 tiebreaks o número um norte-americano nunca tinha terminado sem vencer um ponto — que o helvético, a fechar a partida, conseguiu a tão desejada quebra; com a consumação, Federer torna-se no primeiro a fazê-lo desde a terceira ronda do US Open em 2013, quando Philipp Kohlschreiber (curiosamente, o único a ter quebrado o número dois mundial na presente edição do torneio) o tinha feito pela última vez. E assim, com mais uma exibição convincente (por falar em convincente, os pedidos e challenger do americano deixaram muito a desejar…) mas desta vez estancada consecutivamente pela grande arma que é o serviço do ‘gigante’ norte-americano, Roger Federer segue para mais uns quartos-de-final em Nova Iorque.

O adversário? Não, não será Tomas Berdych, aquele que o eliminou nos quartos-de-final da edição de 2012. Mas poderia e, de início, tudo assim o apontava. Favorito e em grande forma em especial nos primeiros meses do ano, Berdych, o sexto candidato ao título, entrou bem no duelo tardio com Richard Gasquet, mas viu serem-lhe ‘roubadas’ as armas triunfais a meio da segunda partida, quando perdeu a oportunidade de recuperar de uma queda de serviço. O checo não aproveitou a liderança, o gaulês não perdoou. Três, dois, um, uma recuperação. de 2-6 para 6-3 6-4 6-1 nos parciais finais, Gasquet está pela segunda vez nos quartos-de-final. Em igual destaque esteve Stanislas Wawrinka, que com mais uma vitória amarga para os americanos ( 6-4 1-6 6-3 6-4 frente ao ‘corajoso’ Donald Young) garante a presença nos quartos-de-final de todos os Majors numa só temporada pela primeira vez na carreira.

Alinhamento dos quartos-de-final:

Novak Djokovic v Feliciano Lopez
Jo-Wilfried Tsonga v Marin Cilic
Stan Wawrinka v Kevin Anderson
Richard Gasquet v Roger Federer

A tão aguardada ‘inscrição’ nos quartos-de-final

Luta, muita luta. Foi assim que esta segunda-feira se disputaram os últimos quatro encontros da quarta ronda do quadro principal de singulares femininos, que acabou por dar a Petra Kvitova, uma bicampeã no All England Club, a primeira passagem da sua carreira aos quartos-de-final do US Open. Como ela, muitas outras favoritas marcam presença, mas há um jogo de outsiders em perspetiva.

Foi um noite marcável para Petra Kvitova. Vinda de um período de ausência (em New Haven realizou o seu primeiro encontro desde Wimbledon) depois de lhe ter sido diagnosticada mononucleose, a checa — que agora confessa treinar metade do que treinava antes da temporada de relva e ter descoberto que “é mais do que suficiente”, entre risos e provocações saudáveis à sua equipa técnica — ultrapassou a estreante Johanna Konta num encontro desbloqueado de forma não muito surpreendente. Vinda de 16 vitórias (com dois títulos ITF), a britânica acusou a pressão ao primeiro ponto de break que enfrentou e cometeu uma dupla-falta. O seu pesadelo? Foi no set point do primeiro parcial, que daria à número quatro mundial as armas suficientes para conseguir vencer. Os parciais de 7-5 6-3 colocam-na pela primeira vez entre as últimas oito.

Pela frente nos ‘quartos’ Kvitova terá a italiana Flavia Pennetta, uma ‘grande amiga’ do US Open, que derrotou a campeã de 2011, Samantha Stosur, por 6-4 6-4 num duelo em que contou com a sua eficaz esquerda a duas mãos paralela muito afinada para regressar a uma fase que tão bem conhece em Nova Iorque. É que, se no Australian Open também já disputou quartos-de-final (2014), é no US Open que mais brilha: é a sua sexta vez na etapa em questão da prova americana.

Brilhante — mas ainda assim ofuscada pela pouca eficácia vinda do outro lado… — foi a recuperação de Simona Halep, que se revelou um osso muito duro de roer para a sempre perigosa Sabine Lisicki. Os pontos chave de um duelo que terminou com o resultado de 6-7(6) 7-5 6-2 favorável à romena, segunda cabeça de série? Os quase inacreditáveis 72 erros não forçados que Lisicki cometeu (isso mesmo, 72) e a muito maior eficácia em pontos de break: 10/11 ‘contra’ 7/13.

Tal como Isner e Young no quadro masculino, também Varvara Lepchenko deixa o US Open na quarta ronda. A culpa, claro, fica a cargo de uma experiente jogadora: Victoria Azarenka. A finalista de 2012 e 2013 deu poucas ou nenhumas hipóteses de vitória à norte-americana e em apenas 98 minutos de encontro selou um novo apuramento para a antepenúltima fase do torneio, com os parciais de 6-3 6-4. Espera-a um terceiro duelo com Halep, depois das claras vitórias por 6-1 6-1 e 6-3 6-1 no ano de 2012.

Alinhamento dos quartos-de-final:

Serena Williams v Venus Williams
Kristina Mladenovic v Roberta Vinci
Petra Kvitova v Flavia Pennetta
Victoria Azarenka v Simona Halep

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