Um, dois, três, quatro. No primeiro dia de competição seriamente marcado pela chuva, foram quatro os encontros de singulares a terminar em três sets; se nas senhoras foi sinónimo de espetáculo, muito espetáculo, nos homens um duo helvético apresentou-se a um nível inegualável para marcar encontro nas tão aguardadas meias-finais do US Open. A penúltima ronda começa hoje, quinta-feira, em sessão noturna (00h) com os duelos femininos.
Número um e número dois suíços ‘arrasam’ e marcam encontro
Stanislas Wawrinka e Roger Federer. Era o esperado por muitos, o desejado por todo o povo suíço e, no entanto, aquilo que tinha de ser confirmado em campo. Se o ascendente e favoritismo estava do lado dos suíços, havia, em particular no caso de Stan, uma ligeira dúvida, mas com exibições (muito) convincentes os dois conseguiram apurar-se para mais umas meias-finais no US Open e colidem agora no duelo de acesso à final.
Com a chuva a perturbar o desenrolar da jornada, Wawrinka e Kevin Anderson viram o seu encontro de final de tarde no Artur Ashe Stadium ser transferido para o Louis Armstrong para que a jornada pudesse desenrolar-se com a maior normalidade possível e fugir, no máximo, à chuva. Mas nem a pressão desaliviada por ainda não ser desta que se estreia no palco ‘assustador’ libertou o sul-africano, número 14 mundial e estreante em fases tão adiantadas de competições Major, de toda a pressão.
Ao longo do encontro, foram visíveis momentos de quebra psicológica do carrasco de Andy Murray na quarta ronda e Wawrinka, um bicampeão de torneios do Grand Slam, não perdoou. O terceiro set é prova disso: sem misericórdia, sem querer perder tempo, colocou um ponto final nas aspirações do seu adversário para vencer por 6-4 6-4 6-3.
Um pouco à imagem do seu compatriota, também Roger Federer conseguiu consolidar uma exibição de sentido único num terceiro parcial arrasador. A medir forças com Richard Gasquet, o bicampeão do Millennium Estoril Open, o tenista helvético de 34 anos, por cinco vezes campeão em Flushing Meadows, entrou bem e terminou muito bem para aumentar para 15 as vitórias em 17 encontros disputados com o gaulês que pouco (oito winners) conseguiu fazer frente a um Federer muito, muito ofensivo (50).
Se o duelo espetáculo será protagonizado por Wawrinka e Federer, são também eles os ‘trintões’ apurados para as meias-finais, que garantem assim um helvético na grande final; do outro lado na jornada de domingo estará ou o campeão em título, Marin Cilic, ou o de 2011, Novak Djokovic.
Umas meias-finais de ‘trintonas’ e uma estreante de categoria
Primeiro Serena Williams (33) e Roberta Vinci (32), agora Flavia Pennetta (33). As meias-finais femininas do US Open 2015 contam com três jogadoras com mais de trinta anos de idade entre as apuradas e só Simona Halep (23) foge à regra, o que vem reforçar que o sucesso ‘precoce’ é cada vez menos uma realidade na modalidade. Ainda a título de curiosidade, e aproveitando o capítulo dos números, esta foi a primeira vez desde o US Open de 1982 em que todos os encontros dos quartos-de-final femininos foram a três sets.
A jornada desta quarta-feira arrancou com a italiana Flavia Pennetta, semi-finalista da prova em 2013, a medir forças com a checa Petra Kvitova, que apesar de favorita (é a número quatro mundial) tinha menos experiência dos courts de Flushing Meadows, em Nova Iorque. Apesar de ter saído na frente do encontro, a jogadora checa de 25 anos desde cedo deu sinais de estar longe da sua melhor forma física e foi precisamente pela sua condição que foi mais ‘traída’.
Desgastada das três semanas de competição ao mais alto nível (venceu New Haven antes de chegar ao Major norte-americano), Kvitova deixou de ter armas para fazer frente ao jogo versátil e, a partir de certa altura — sobretudo na segunda metade do segundo parcial — muito variado de Roberta Vinci, que assim pôde ensaiar a reviravolta e consumá-la no terceiro parcial (4-6 6-4 6-2), que ‘apenas’ serviu de confirmação do que fora visto nos minutos anteriores. Com 21 winners e 16 erros não forçados (contra 41/60 da checa), Pennetta, a 26.ª cabeça de série, seguiu assim para as suas segundas meias-finais de carreira em torneios do Grand Slam — sempre no US Open.
Na próxima fase da prova, Flavia terá pela frente nada mais nada menos do que Simona Halep, dez anos mais nova. E que luxo é para um torneio poder dizer que tem pela primeira vez nas suas meias-finais a atual número dois mundial. Isso mesmo, leu bem. Aos 23 anos, a tenista romena ultrapassou um duelo de ‘titãs’ (e até a chuva, que forçou a uma incómoda interrupção a 1-2 do parcial final, quando tudo estava por decidir!) ao levar a melhor sobre a bi-finalista Victoria Azarenka, ainda à procura da sua melhor sequência de vitórias depois de um longo período afastada devido a lesão, pelos parciais de 3-6 6-4 4-6.
Se se esperava que fosse a jogadora bielorrussa a exercer o papel de tenista mais ofensiva, foi mesmo Halep quem conseguiu vencer mais pontos com o primeiro serviço (70% contra 61%) e, sobretudo, alinhar mais winners (40 vs 38) e menos erros não forçados (19 para 42), números que depois de mais de duas horas de jogo lhe permitem completar o ‘Grand Slam‘ de meias-finais: se em Melbourne, Paris e Wimbledon se estreara em 2014, a penúltima fase do US Open chega em 2015, depois de resultados desapontantes nos dois últimos torneios Major (segunda e primeira ronda em Roland Garros e Wimbledon, respetivamente).
Hoje, quinta-feira, as meias-finais femininas disputam-se no Artur Ashe Stadium a partir das 19h locais, 00h em Portugal Continental.