Começa a fazer parte da história de João Sousa: em meados de setembro/outubro, quando regressa a temporada de piso rápido em recintos fechados, o melhor tenista português da história consegue bons resultados. Foi assim em Kuala Lumpur (campeão, 2013), foi assim em Metz (vice-campeão, 2014). Este ano, em São Petersburgo — o palco onde há dois anos atingiu as suas primeiras meias-finais — disputou mais uma decisão de torneios ATP. Do outro lado da rede esteve o canadiano Milos Raonic, #9 no ranking, que não se deixou surpreender e venceu por 6-3 3-6 6-3.
A tarefa não se adivinhava fácil. Ainda se celebrava em Portugal a vitória da selecção portuguesa frente à Bielorrússia na Taça Davis e já o vimaranense aterrava na Rússia para jogar a primeira ronda do torneio de São Petersburgo, um evento ‘talismã’ para o português, com um Milos Raonic (que não cedeu qualquer set até ao embate de hoje) pela frente na final.
E nem com a esperança restabelecida no terceiro parcial, depois de um segundo conjunto de alto nível que lhe permitiu restabelecer a final contra um top10 mundial em jejum de títulos desde o verão de 2014, o ‘conquistador’ português conseguiu agarrar-se de novo ao marcador, porque o serviço do canadiano ‘roubou’ o protagonismo em todos os momentos passíveis de uma quebra para o pupilo de Frederico Marques. Os parciais pouco dizem para além do resultado final, porque dentro do campo esteve um João Sousa lutador que fez por conseguir mais e melhor.
Há dias assim. Dias em que o serviço entra uma, duas, três, quatro vezes. Em que os ases a mais de 200km/h são muitos. Milos Raonic sabia-o: tinha de “conseguir mais primeiros serviços e evitar pontos longos.” E assim foi, conseguiu. Manteve a sua primeira bola, com a qual deu poucas oportunidades a João Sousa, que tentou de tudo para fazer frente ao número nove mundial e superar o seu jogo potente. Correu de um lado ao outro do court, explorou as linhas e a variação de jogo, mas o canadiano não quis largar a frente.
Há mais, muito mais do que um título no currículo de João Sousa: à estreia e vitória em Kuala Lumpur sucedem-se já outras cinco(!) finais disputadas em torneios ATP. Duas em 2014, nos eventos de Bastad e Metz, e três em 2015: Geneva e Umag, em terra batida, e agora São Petersburgo, em piso rápido. Segue-se nova visita a Kuala Lumpur, o palco onde o ténis português foi mais feliz até ao momento.