It’s showtime. Com o número de encontros a reduzir e a pressão a aumentar, chega uma maior responsabilidade e vontade de triunfar. Ninguém quer ficar pelo caminho às portas das fases adiantadas do Australian Open e é na terceira ronda que os cabeças de série se encontram pela primeira vez. Só alguns sobrevivem e entre eles estiveram, sem surpresas, os campeões Novak Djokovic, Roger Federer, Stan Wawrinka, Serena Williams e Maria Sharapova numa jornada memorável para a heroína Daria Gavrilova.
O jogo que todos querem ver ainda não tem o entusiasmo necessário
Era o duelo do dia, aquele que prometia encher a Rod Laver Arena e juntar muitos espetadores aos ecrãs mesmo fora de horas, mas uma vez mais voltou a faltar ‘um bocadinho’ para que Roger Federer e Grigor Dimitrov se envolvessem num tira teimas viciante. O encontro contou com muito bom ténis de parte a parte, é verdade, mas também com vários desaparecimentos do jogo de ambos os jogadores, de que é reflexo o total de 99 erros não forçados (55 de Federer, 44 de Dimitrov) ao longo de duas horas e vinte minutos.
À semelhança das duas rondas anteriores, Roger Federer voltou a aproveitar várias oportunidades para explorar ataques súbitos com a sua pancada de direita, o que nem sempre deu bom resultado; do outro lado estava um Grigor Dimitrov que de forma semelhante só se inspirou a espaços e, assim, não conseguiu evitar o triunfo do suíço (por 6-4 3-6 6-1 6-4), que assim avançou para a quarta eliminatória e se tornou no primeiro jogador a atingir as 300 vitórias em torneios do Grand Slam.
Nos oitavos-de-final, Roger Federer medirá forças com outro dos principais candidatos a ocupar um lugar de destaque na hierarquia ATP nos próximos tempos, o belga David Goffin, que levou a melhor num duelo de jovens talentosos frente a Dominic Thiem — marcado por trocas de bola como esta, ou esta, que terminaram com excelentes demonstrações da pancada de esquerda — por 6-1 3-6 7-6(2) 7-5.
Tranquilo foi também o dia de Novak Djokovic e Kei Nishikori. O sérvio, que é aliás o detentor do maior número de troféus na localidade australiana (campeão em 2008, 2011, 2012, 2013 e 2015) teve pela frente Andreas Seppi, carrasco de Federer na última edição, e não passou por menos dificuldades, mas conseguiu superar o atrevimento do italiano (que ainda dispôs de dois set points no tiebreak) para triunfar pelos parciais de 6-1 7-5 7-6(6).
Já o tenista nipónico, um dos grandes favoritos do público do Australian Open, teve de lutar contra problemas físicos no seu pulso e uma excelente exibição de Guillermo Garcia-Lopez até conseguir seguir em frente ao assinar o triunfo com os números 7-5 2-6 6-3 6-4. Mais tarde, viu Jo-Wilfried Tsonga levar a melhor num duelo 100% francês (6-4 7-6[7] 7-6[4] a Herbert) e assim ficar marcado um dos duelos mais aguardados da jornada de domingo.
Finalistas de 2015 continuam em rota de colisão
Na ‘chave’ feminina, regressavam ao campo as campeãs Serena Williams (2003, 2005, 2007, 2009, 2010, 2015) e Maria Sharapova (2008), que com resultados e prestações diferentes conseguiram seguir para os oitavos-de-final e colocar-se a apenas um triunfo de reeditar a decisão de 2015.
Clara favorita à vitória na prova, Serena Williams enfrentava em sessão noturna a jovem russa Daria Kasatkina, nascida em 1997 e já no 69.º posto do ranking mundial feminino, que no último US Open alcançara igualmente a terceira eliminatória, e apesar de um primeiro jogo equilibrado e muito complicado, a norte-americana, líder do ranking, chegou facilmente ao 6-1 6-1.
Quanto a Maria Sharapova, a melhor russa da atualidade parecia muito bem encaminhada para uma nova vitória tranquila na competição até que a norte-americana Lauren Davis — mais tarde ‘apanhada’ a comer manteiga de amendoim em pleno encontro — se fez ouvir e conseguiu empurrar o segundo parcial para um tiebreak onde viria a vencer. No entanto, seria sol de pouca dura perante uma determinada Maria Sharapova, que a partir daí não deu novas hipóteses e triunfou por 6-1 6-7(5) 6-0 num encontro em que venceu exatamente 100 pontos (dos quais 44 winners!) e alinhou… 16 ases.
A próxima adversária da núymero cinco mundial será a suíça Belinda Bencic, que teve de se aplicar para confirmar o estatuto de décima segunda cabeça de série ao dar a volta ao marcador para derrotar a ucraniana Kateryna Bondarenko, 4-6 6-2 6-4.
O melhor (e o pior) ficou mesmo para o fim
E porque todos gostam de ir para casa com um sorriso nos lábios originado pelos últimos encontros, a heroína local Daria Gavrilova ‘cresceu ainda mais’ na sessão noturna desta sexta-feira para somar a vitória mais importante da sua carreira (6-4 4-6 11-9, depois de 2h51′ frente a Kristina Mladenovic) e garantir um lugar na quarta ronda, onde estarão também e de forma igualmente surpreeendente a alemã Anna-Lena Friedsam, que derrotou a 13.ª cabeça de série Roberta Vinci por 0-6 6-4 6-4, e a russa Margarita Gasparyan, ‘carrasca’ de Yulia Putintseva (6-3 6-4).
Mesmo a fechar o dia chegou o momento da eliminação de Nick Kyrgios, uma das — senão mesmo a principal, agora que Lleyton Hewitt se retirou — figuras do ténis australiano da atualidade. O filho de pai grego e mãe malaia procurava inspirar-se na grande caminhada de 2015, em que atingiu os quartos-de-final, para surpreender Tomas Berdych, mas a reação chegou tarde de mais e o checo, sexto candidato ao título, não permitiu que o vice-campeão do Millennium Estoril Open fosse além de um set e desse algum ar da sua graça. No final, os parciais de 6-3 6-4 1-6 6-4 ditaram a vitória de Berdych e o afastamento de Kyrgios, que uma vez mais voltou a conseguir atrair as atenções pelas melhores e também pelas piores razões, ao discutir com o árbitro de cadeira James Keothavong).