Longe de casa mas “em casa”, Nuno Borges vende cara a derrota para cabeça de série em Roland-Garros

António Borga

Nuno Borges não nasceu em França, não fala francês e nunca tinha participado em Roland-Garros, mas foi com apoio digno de um tenista da casa que foi recebido por dezenas — senão centenas — de adeptos portugueses perante os quais complicou a tarefa a Karen Khachanov, vice-campeão olímpico que só o travou na primeira ronda do quadro principal depois de quatro sets equilibrados.

Por Gaspar Ribeiro Lança, em Paris

Após três vitórias no qualifying, o tenista maiato de 25 anos foi recompensado com a primeira presença da carreira no quadro principal de um torneio do Grand Slam (tornou-se no nono homem luso a fazê-lo desde o começo da Era Open, em 1968). E apesar de não ter prolongado a série vitoriosa, voltou a exibir-se a um bom nível na derrota por 6-3, 2-6, 6-4 e 6-4 para o russo, atual 24.º do ranking e ex-top 10 que viveu precisamente em Paris a maior conquista da carreira, ao vencer o Masters 1000 de piso rápido no final da época de 2018.

No Court 14 do Stade Roland-Garros, perante os muitos adeptos portugueses que ajudaram a lotar as bancadas do quarto maior palco do complexo, Borges bateu-se de igual para igual com Khachanov. Num dia em que tudo foi novidade, inclusive a primeira vez a disputar um encontro à melhor de cinco partidas, a diferença esteve, sobretudo, na experiência, que ajudou o russo a fazer a diferença nas raras oportunidades que teve no serviço do português (apenas um ponto de break no agregado dos dois primeiros sets, enquanto o maiato deixou escapar os seis que criou só na primeira partida).

Com condições pesadas, devido ao dia nublado, o número dois nacional lutou do início ao fim e ainda ameaçou a quebra de serviço quando Khachanov serviu para a vitória, mas uma vez mais o tempo de circuito beneficiou o russo, que apesar dos cânticos favoráveis a Borges acabou a celebrar.

A derrota na primeira ronda do quadro principal colocou um ponto final na primeira aventura de Nuno Borges em torneios do Grand Slam enquanto tenista profissional, mas a segunda está já aí à porta: será em Wimbledon, onde também terá de passar pelo qualifying.

Quanto a Roland-Garros, fica “entregue” nos singulares a João Sousa, que depois de ser finalista em Genebra no sábado só joga na terça-feira, e em pares não só ao vimaranense, como a Francisco Cabral, ele em estreia absoluta em provas desta dimensão e com dois adversários de elite.


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