De “volta à terra” e com novo estatuto, Nuno Borges espera sair de Braga com “um bom problema”

BRAGA — É o primeiro cabeça de série, joga pela primeira vez um torneio como top 100 mundial e regressa ao ATP Challenger Tour depois de um mês ao mais alto nível (duas semanas no US Open e uma na Taça Davis). As condições não faziam do regresso ao Braga Open uma ocasião fácil para Nuno Borges, mas o jovem português esteve à altura do desafio e no final até admitiu ter ficado surpreendido com a prestação.

“De certa forma até estou surpreendido pela forma como me senti em campo. Achei que ia ter maiores problemas de adaptação visto que vim da Taça Davis, disputada numa superfície totalmente diferente e com dois dias emocionalmente muito desgastantes, mas sinto que fiz um bom trabalho. Senti-me bem física e mentalmente, joguei de uma maneira competente do início ao fim e estive lá com o meu nível. Há alguns detalhes a melhorar, mas estou muito satisfeito com a minha entrada no torneio”, analisou após vencer o italiano Gian Marco Moroni (329.º) por 6-3 e 6-4.

Apesar de ter resolvido o duelo em dois sets, Nuno Borges deixou escapar o break de vantagem e três jogos consecutivos (que por muito pouco não foram quatro) na segunda partida. Uma quebra de rendimento que soube explicar: “Fui menos decisivo e relaxei um pouco depois de fazer o 4-1 num momento anterior à mudança de bolas, em que a bola já estava maior e eu não estava a conseguir fazer tanto com ela. O ascendente mudou um pouco para o lado dele, mas senti que a longo prazo eu estava lá e ele ia ter de lutar durante mais tempo para conseguir ganhar-me o set ou até o encontro.”

A competir em terra batida depois de um mês dedicado ao piso rápido, o número dois português reconheceu tratar-se de uma “adaptação difícil”, mas acrescentou que “tenho passado muitas horas em campo e jogado muitos jogos e isso também conta.”

Os passos em Viana do Castelo, na Taça Davis, e no Braga Open, agora num contexto individual, são os primeiros de Nuno Borges como jogador do top 100. E apesar de ter reconhecido que este feito teve um impacto maior do que, por exemplo, a conquista do primeiro título Challenger, observou que ainda não é suficiente para quebrar todas as barreiras e falou do impasse que vive durante estas semanas: não pôde jogar o ATP 250 de Metz, porque o qualifying aconteceu no fim de semana em que esteve a representar Portugal, e terá de abdicar do ATP 250 de Sófia se for bem sucedido em Braga, o que provavelmente faria com que na semana seguinte jogasse outro Challenger em solo português, o Lisboa Belém Open.

Seria, disse, “um bom problema” — e um que o ajudaria a aproximar-se daquele que, discretamente, apontou como o próximo grande objetivo: garantir a entrada direta no quadro principal do Australian Open, isto numa altura em que ainda está a “descer à terra” depois de um mês de alta voltagem.


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