Do Texas para Glasgow, Mertens lutou contra o tempo e validou críticas ao calendário

GLASGOW — Longe de ter tido tempo suficiente para celebrar a conquista de um dos mais importantes títulos da carreira, Elise Mertens (29.ª) foi protagonista de uma autêntica corrida contra o tempo. Se na noite de segunda-feira conquistava em Fort Worth, Texas, o troféu de campeã de pares do WTA Finals, pouco mais de um dia depois estava de regresso à ação… do outro lado do Atlântico, ao serviço das cores belgas na Billie Jean King Cup Finals.

Narradora de uma história que deixa bem vincadas algumas fragilidades do calendário competitivo, a natural de Leuven partilhou em conferência de imprensa a experiência que viveu em primeiro plano e como conseguiu fazer frente ao desgaste para num dia se coroar campeã nos Estados Unidos e (quase) no outro cumprir a missão em representação das cores nacionais, na Escócia. Menos de 24 horas depois do seu primeiro relato, viria a ver-se, porém, forçada a desistir quando tinha a vitória nas mãos devido à fadiga acumulada.

Do duche tomado à pressa numa correria para o aeroporto aos quatro minutos que teve para despachar a bagagem, Mertens contornou os obstáculos (e o fuso horário) e disse ‘presente’ ao capitão Johan van Herck: com dia e meio de distância da proeza no Texas e apenas 12 horas após aterrar em Glasgow, exibia-se ao lado de Kirsten Flipkens no Centre Court da Emirates Arena. Chegou, viu e venceu.

“Joguei na segunda-feira [em Fort Worth] e depois voltei a jogar novamente [em Glasgow] ontem às 10h. Tivemos de chegar aqui cedo, primeiro para ver os singulares e depois jogar em pares”, explicou esta quinta-feira. Mas os esforços frente à Eslováquia de pouco valeram e a jornada seguinte ditou a extinção das ambições belgas. Elise Mertens foi novamente chamada à ação e, já depois de ver dissipada a chance de apuramento, foi forçada a desistir quando perdia frente a Ajla Tomljanovic por 4-6, 6-4 e 3-0. E foi no regresso à sala de conferências de imprensa que fez um resumo mais detalhado das azafamadas 60 horas de odisseia:

“Quando joguei no WTA Finals, comecei às 17h30 e demorou mais do que eu esperava, com um voo marcado às 22h. Já eram 20h15 e pensei ‘Meu Deus, não vou conseguir’. Corri muito e mal tive tempo para tomar banho. Cheguei ao aeroporto às 21h e corri para a porta de embarque com a minha mãe. Tínhamos quatro minutos para despachar as malas, depois ‘dois minutos’. Apanhámos três voos: fomos para Madrid, depois Londres e por fim Glasgow. Faz parte da vida, mas ficaria mais frustrada se tivéssemos perdido. Dormi umas sete horas e depois uma pequena sesta, foi uma enorme aventura”, narrou.

Tais episódios vão ao encontro das críticas lançadas por Iga Swiatek, que semanas atrás riscou o nome da lista de participantes precisamente devido à escassez de tempo de descanso entre os dois eventos de final de temporada: “Estou desapontada porque as entidades do ténis não chegaram a um acordo sobre algo tão básico como o calendário de torneios. Apenas nos dão um dia para viajar de um lado ao outro do mundo e com fusos horários diferentes. Não é bom para a nossa saúde e pode trazer consequências negativas.”

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