Jaime Faria fica à porta de história sem precedentes, mas cai na terceira ronda de Roland-Garros

Jaime Faria (115.º ATP) foi o melhor jogador em court, por boa margem, durante praticamente três parciais completos e um inédito e histórico apuramento para a quarta ronda de Roland-Garros esteve na mesa. Mas o português não capitalizou no break de vantagem na reta final da terceira partida e as pernas disseram, pouco depois, “basta”. A estadia em Paris chegou ao fim com um desaire por 4-6, 6-7(2), 7-6(4), 6-1 e 6-2 perante Frances Tiafoe (22.º e ex-top 10).

A atravessar um grande momento de confiança e já com cinco vitórias no bolso desde que aterrou em Paris, Jaime Faria encarava o desafio deste sábado não como favorito, mas com boas perspetivas de poder causar surpresa e tornar-se no primeiro português a atingir a quarta ronda na catedral da terra batida. E como esteve perto de o fazer…

Confiante e a comandar os pontos a partir do fundo do court com um comprimento e velocidade de bola notáveis e que frequentemente desequilibraram Tiafoe, Faria esteve intratável durante dois sets e meio. Winners de direita, de esquerda, na passada, paralelos… festival para todos os gostos. E o serviço, esse, esteve a nível superlativo.

Um número absurdo de ases, de tal maneira que o português quase igualou num só encontro o total de ases dos outros cinco combinados. O primeiro serviço foi arma letal e quando chegou a altura da resposta, Jaime Faria destruiu a bola a cada segundo saque de Tiafoe. Foi claramente o melhor dos dois durante as primeiras duas partidas, que venceu com todo o mérito, e durante grande parte da terceira, onde chegou a ter break de vantagem a 4-3. Não conseguiu agarrar-se a essa vantagem para percorrer os últimos centímetros até à linha de chegada… e tudo desmoronou.

Tiafoe levou a melhor no tiebreak do terceiro parcial e os derradeiros pontos do desempate trouxeram a sensação de que as pernas de Jaime Faria já tinham dificuldade em responder ao desafio. Maior lentidão a sair do serviço, os ases a darem lugar a duplas faltas e uma pressa em resolver os pontos que até então não existira. Desvaneceu-se a confiança e instalou-se a frustração — envolveu-se em conversa com a árbitra de cadeira por mais do que uma vez — caraterística de quem sente uma vitória certa a fugir por entre os dedos.

O quarto set foi formalidade para o norte-americano, que fez o break logo a abrir e rapidamente empurrou o encontro para o quinto parcial. Jaime Faria reservou para a ponta final o pouco combustível que ainda restava e tentou compensar com coração a falta de frescura. Cedeu, por fim, ao cabo de mais de quatro horas em court.

O jovem de 22 anos ficou perto de se tornar o primeiro português a vencer seis encontros num torneio do Grand Slam e a chegar à quarta ronda de Roland-Garros. Sai de Paris, contudo, com a garantia de que regressa ao top 100 mundial.

Total
0
Shares
Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Total
0
Share