Jaime Faria e uma vitória especial no US Open: “Sentar-me na mesma mesa que o João Sousa e o Nuno Borges deixa-me muito feliz”

Mateusz Mecik/Iittakestennis

NOVA IORQUE“Barreiras” talvez seja a expressão mais utilizada por Jaime Faria desde que iniciou o percurso de tenista profissional e não foi por acaso que voltou a ser referida este domingo, o dia em que celebrou a primeira vitória da carreira no quadro principal do US Open e fez mais história para o ténis português.

O lisboeta de 23 anos tornou-se apenas no terceiro jogador do país a vencer nos quatro torneios do Grand Slam (em quadros principais de singulares) e no final, em declarações exclusivas ao Raquetc na sala de imprensa do Billie Jean King National Tennis Center em Flushing Meadows, explicou como os feitos que tem protagonizado servem de motivação para os seguintes.

“Estar sentado na mesma mesa e poder fazer comparações com o João Sousa e o Nuno Borges é algo grande e que me deixa muito feliz. Acompanho o que tu escreves, conheço os números e vi muito ténis quando era mais novo, sei o quão importante é e gosto da sensação de continuar a quebrar barreiras. É o que me dá mais motivação, porque ainda é tudo muito novo para mim. Quero olhar para isto de uma maneira positiva e não para meter uma pressão extra, porque a verdade é que sinto que tenho potencial e mais anos de circuito pela frente, portanto vai haver espaço para tentar quebrar mais barreiras e continuar a sonhar”, afirmou.

Jaime Faria fez o que só o ídolo Sousa e o amigo Borges tinham conseguido, mas ainda mais novo: enquanto o vimaranense alcançou o Grand Slam de vitórias aos 27, o maiato fê-lo com 28.

Mas o triunfo deste domingo chegou a estar hipotecado. Depois de dois sets em que dominou, Faria perdeu o foco, viu Brooksby igualar rapidamente o embate e forçar uma quinta partida que trouxe de volta os fantasmas de Paris, onde deixou escapar uma vantagem semelhante frente a Frances Tiafoe.

“Lembrei-me de tudo outra vez, de ter o encontro sob controlo e ver o adversário a dar a volta. Não é fácil, mas hoje senti sempre que ele estava mais cansado do que eu e isso ajudou-me a manter alguma tranquilidade no meio de toda a tempestada. Não lidei bem com o público, a meio do terceiro set entraram na minha cabeça e no quarto não apareci. Não é fácil quando alguém do público nos falta ao respeito, mas sou um profissional e tenho de manter-me concentrado no meu trabalho. Não foi bom para mim perder a concentração, fui a um quinto set que talvez não precisasse de jogar. Preciso de aprender com estas experiências e de criar mais rotinas para me manter abstraído”, admitiu.

Se há um ano, pouco depois do US Open, revelou uma espécie de luta contra os demónios, agora, mais crescido, já vai colhendo os frutos da experiência.

A vitória deste domingo foi a 47.ª do ano, deixando-o bem encaminhado para duplicar e até ultrapassar as 25 celebradas durante 2025. E deixou-o à espera de Carlos Alcaraz, o campeão em título, ou Roman Safiullin — a sua besta negra de 2026, após duas derrotas em tie-breaks de terceiros sets.

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