Foi no CIF, só podia ser no CIF.
O adeus que Gastão Elias tanto desafiou finalmente chegou e foi no único local que o podia servir.
Largos dias têm 25 anos e os de Gastão Elias desde que começou a apostar a sério no ténis fizeram-se, tantas e tantas vezes, aqui. No clube que já tinha servido de despedida aos melhores amigos Gonçalo Falcão e Pedro Sousa. No clube que é casa, conforto e família.
Uma despedida perfeita seria sempre precoce e, portanto, imperfeita. Desafiá-la é tanto um ato de coragem quanto de ambição desmedida, essa capacidade tão sobrenatural como necessária para singrar num desporto que transforma humanos em extraterrestres.
Quem se atreve a combater os limites do corpo move-se pela superação, mas até os mais audazes cruzam a meta.
Uma década depois de chegar ao olimpo do ténis português, Gastão Elias fez as pazes com o tempo e despediu-se, à sua maneira, no seu palco. Com a família e os amigos mais próximos a vê-lo, sacudiu o fardo de quem há cinco meses lidava com a inevitabilidade de dizer adeus ao sentir mais uma lesão a cortar-lhe a ambição.
O CIF encheu-se para o celebrar pela última vez e recordou um percurso iniciado na Lourinhã e escrito no Mundo.
De Peniche aos 4 anos para Lisboa aos 10, a Flórida aos 16 e o Brasil já adulto, a carreira de Gastão Elias foi longa, fez de um jovem prodígio rapidamente captado pela IMG e treinado por Nick Bollettieri um júnior de topo, parceiro de treinos de Roger Federer e finalmente profissional, com tudo o que isso significa.
Veio a glória, com o 57.º lugar do ranking ATP e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro como pontos mais altos de um ano dourado e maiores destaques de um currículo impossível de resumir num par de linhas.
Veio o inferno, com o corpo e as lesões a forçarem recuos e recomeços.
Veio a redescoberta, com títulos aqui e ali a alimentarem-lhe a esperança.
Veio a hora.
A 20 de outubro de 2026, na semana em que se assinalará o 10.º aniversário da chegada ao cume, a terra batida do CIF diz-lhe adeus.
Cai o pano, lá vai o Mágico.
Talvez Camila não se lembre, mas ele terá sempre a memória de a ver ao colo da mãe, Rute, neste dia de despedida que foi, sobretudo, de celebração.
